Capítulo 4 O Chefe Vampiro, o Guerreiro
De volta ao 28º andar.
Ela se acomodou à mesa, colocou os fones de ouvido e começou a fazer esboços de design.
Ignorando as ligações de Ben, desligou o celular, foi até a copa preparar uma xícara de café e voltou direto ao trabalho.
Às 22h30, Emma terminou de revisar seus esboços e sorriu, satisfeita.
Fechou o laptop, se espreguiçou e foi em direção ao elevador.
Ao ver que todos os indicadores do elevador estavam apagados, conferiu os avisos do prédio. Os elevadores estavam em manutenção e só voltariam a funcionar às 8h da manhã seguinte.
Meu Deus. Vinte e oito andares de escada.
Ela tirou uma foto do painel escuro do elevador e postou: “Uma princesa em apuros — algum cavaleiro disposto a vir ao resgate?”
Resignada, seguiu em direção à escada de incêndio, fracamente iluminada.
Respirando fundo para se firmar, começou a descer.
Ela mal tinha dado alguns passos quando o celular tocou.
Assustada, Emma deixou o telefone escapar das mãos, e ele deslizou para o canto da escada.
O toque ecoou por um instante na caixa de escada antes de parar.
A escuridão engoliu tudo, deixando apenas o som da própria respiração ofegante.
Ela se agachou e tateou em busca do celular. Seus dedos tocaram vidro estilhaçado.
- Que azar dos infernos. *
Ela apertou o botão de ligar de novo e de novo, esperando por um milagre.
O celular continuou morto. Em vez disso, a luz com sensor de movimento do andar acima se acendeu.
O som de sapatos de couro batendo no concreto desceu pela escada, acompanhado por uma respiração baixa e constante.
— Quem está aí? — ela sussurrou, pressionando-se contra a parede enquanto suor frio se acumulava em sua testa.
Recortado contra a luz, os traços do homem estavam indistintos. O brilho fraco do sensor de movimento só delineava seu porte alto; era impossível decifrar sua expressão.
— Eu. O chefe vampiro.
— O que o senhor está fazendo aqui, sr. Hayes? — ela perguntou, com a voz trêmula.
— Vampiros não só saem à noite? — Ele sorriu de lado.
“…”
— Suba — ele disse.
— Eu quero ir para casa — ela murmurou, erguendo a cabeça.
Ele soltou um suspiro baixo.
— O térreo está trancado. Você não consegue sair — disse ele. — A manutenção do elevador normalmente leva uma ou duas horas. Quer subir para tomar um café?
Antes que ela pudesse responder, ele se virou e voltou a subir.
Emma encarou a escuridão total da escada abaixo e, por fim, escolheu segui-lo.
Era apenas a segunda vez que ela entrava no escritório do CEO.
O espaço amplo tinha uma grande mesa e um sofá para visitas, com uma sala privativa mais ao fundo.
— Se estiver cansada, pode descansar ali — disse ele, gesticulando na direção da suíte interna enquanto caminhava até a mesa.
Emma olhou para onde ele indicava. A sala privativa, totalmente equipada, parecia mais quente e acolhedora do que o lugar onde ela tinha ficado na noite anterior.
— Vou só me sentar no sofá aqui fora — disse ela, dando um pequeno passo para trás.
— Como quiser. — Ele se sentou à mesa e começou a revisar documentos.
Ela afundou no sofá e, antes que percebesse, caiu num sono profundo.
Enquanto isso, ele continuou trabalhando, folheando página após página como se tivesse energia infinita.
Ela acordou à uma da manhã.
Ele estava diante das janelas do chão ao teto, olhando para o mar de luzes da cidade.
As mangas da camisa estavam dobradas, e seu corpo era esguio e forte, com as veias saltadas ao longo dos antebraços.
Um suspiro suave escapou quando uma dor incômoda puxou seu pescoço. Ela se ergueu, e o paletó preto em que estava enrolada escorregou de seus ombros.
— Você não vai descansar? — ela perguntou.
— O elevador já foi consertado — ele disse friamente.
— Ah... tá bom.
— Vou acompanhar você até a saída.
— Tudo bem. Eu pego um táxi — ela respondeu, apanhando a bolsa.
Assim que saiu da garagem, uma buzina soou atrás dela.
Ela se afastou para o lado, mas a buzina continuou.
Ela se virou.
— Entra. — A voz dele era grave e magnética.
Emma apertou a bolsa com mais força, hesitou por um instante e então entrou no banco do passageiro.
Quando saíram, uma BMW fez uma curva fechada, e o som estridente dos pneus ecoou pela garagem.
A forma como ela estava sentada puxava a saia para cima, fazendo a barra subir a ponto de quase expor suas coxas.
Ela se mexeu, tentando ajustar discretamente a postura e—
TEC.
Um botão da blusa se soltou, revelando uma faixa de pele clara e as marcas suaves que ele deixara nela na noite anterior.
O olhar de Liam se voltou para ela por um instante, depois ele desviou, o pomo de adão subindo e descendo.
Emma puxou a blusa para fechar com uma das mãos, com as bochechas em chamas.
Naquele momento, desejou desesperadamente ser mais magra.
Ele estendeu a mão para trás, pegou o paletó preto no banco de trás e o entregou a ela.
Ela o vestiu na mesma hora.
No meio do caminho, ele encostou em uma lojinha de esquina e entrou. Quando voltou, estava carregando uma caixa de sobremesa.
Quando ela desceu do carro em frente ao prédio, ele a entregou a ela.
— Toma — disse ele, em tom neutro.
— Obrigada. — Emma aceitou.
Como ele sabe que essa é a minha sobremesa favorita?
…
Lá embaixo, Liam acendeu um cigarro e apoiou o braço na porta do carro. Só saiu dali depois de ver a luz acender em um apartamento no décimo sexto andar.
Só então apagou o cigarro, ligou o motor e voltou para a empresa.
Quando Emma saiu do elevador, encontrou um buquê de rosas amarelas e um copo de café gelado no chão.
A visão acabou com seu humor na mesma hora.
A irritação aflorou. Ela jogou o café na lixeira próxima e chutou o buquê na direção do lixo.
Depois de destrancar a porta, tirou o casaco grande demais e foi direto para o banheiro.
Quando saiu de lá, já eram duas da manhã.
Ela ligou o celular de novo. No instante em que ele acendeu, os sons de notificação explodiram um atrás do outro, enquanto dezenas de mensagens não lidas chegavam.
