Capítulo 5 Emma é questionada sobre um trabalho de design “de referência”

Ben: [O que aconteceu, Emma?]

[Espero que goste das flores. Eu as colhi frescas esta manhã.]

As lembranças voltaram como uma enxurrada… Na liquidação do desfile de moda, ela tinha visto Ben e Chloe flertando na rua. Liam e Ryan também estavam lá, testemunhas de toda a cena.

A dor daquele dia a havia levado a beber até perder os sentidos no banquete de celebração.

Pensando nisso, ela abriu o WhatsApp.

Ao atualizar o status, viu uma enxurrada de comentários embaixo, todos admirando sua “dedicação” por fazer hora extra tão tarde da noite.

Então percebeu que Liam tinha curtido a publicação.

Será que ele viu meu status e desceu para me procurar?

Sem dizer mais nada, ela bloqueou o celular e o deixou de lado.

Pegando uma colherada de sobremesa, provou devagar.

Era tão doce que ela nem percebeu o leve sorriso puxando os cantos da boca.

Na manhã seguinte, o departamento de design estava em polvorosa.

Assim que Emma entrou no escritório, todos os olhares se voltaram para ela. Sussurros perseguiam seus passos.

“O departamento de design foi invadido ontem à noite”, Iris sussurrou. “Os rascunhos do concurso foram encontrados na sua mesa hoje de manhã. Eles deveriam estar trancados no escritório do diretor.”

Emma entendeu na hora que alguém estava armando para ela.

Ela varreu a sala com o olhar, afiado e frio, e o burburinho morreu.

Com um gesto displicente dos dedos, ergueu a pilha de papéis e soltou uma risadinha baixa, sem humor. “Então os rascunhos de vocês vieram andando sozinhos até a minha mesa.”

Ela soltou os papéis. As plantas se espalharam pelo chão.

Era evidente que todos tinham esperado ela aparecer para poder atacá-la na cara dura.

“Emma! Você não precisa chegar a esse ponto só para ganhar a competição!”

“Então era por isso que você ficou até tão tarde ontem. Estava ‘consultando’ os nossos projetos!”

“Os rascunhos são confidenciais. Agora você já viu. Onde é que isso é justo?”

As acusações se empilhavam, uma atrás da outra.

“Se eu realmente quisesse ‘consultar’ o trabalho de vocês, eu simplesmente tiraria fotos”, Emma disse, fria. “Por que eu guardaria os originais? Melhor ainda, eu os destruiria para vocês não terem prova nenhuma. Eu não sou tão idiota.”

A multidão vacilou e caiu num silêncio.

“O que está acontecendo?” Ethan entrou no departamento de design, com Liam e Ryan logo atrás.

Os olhos de Emma foram até Liam e, em seguida, desviaram rápido.

“Nada sério. Só a Emma se apropriando dos rascunhos da competição. O pessoal teve algumas reclamações”, alguém disse, cortante.

“Não, eu não fiz isso”, Emma disse, com a voz firme.

Sob o olhar glacial de Liam, o coração dela disparou, e sua defesa soou mais trêmula do que ela gostaria.

“O trabalho de vocês não significa nada para mim”, ela acrescentou, mantendo o olhar firme. “Eu não acredito que esses designs tenham poder de me impedir de ganhar o campeonato.”

O departamento de design explodiu de novo.

“Que arrogante!”

“Que fanfarrona.”

Liam soltou um risinho baixo.

“Verifiquem as imagens das câmeras”, Ethan sugeriu.

“A segurança disse que não tem gravação de como os rascunhos foram parar lá”, Iris respondeu.

“Emma”, Liam chamou. A voz dele, calma e uniforme, cortou o barulho.

“Venha comigo.”

O tom era brando, mas ainda havia nele um frio distante.

Ele se virou e foi em direção ao elevador.

No segundo em que ele saiu, os cochichos recomeçaram.

O cheiro familiar de pinho no elevador foi, aos poucos, desfazendo o nó no peito de Emma.

Quando entraram no escritório dele, Ryan se esgueirou para fora e fechou a porta atrás de si.

— Sente-se e tome café da manhã — disse Liam, entregando a ela um conjunto de talheres.

Ela parou, rígida.

Assim que abriu a boca para falar, o estômago roncou alto, arruinando qualquer tentativa de manter a pose.

Ainda sem entender por que ele tinha pedido café da manhã para ela, por fim aceitou a faca e o garfo.

Cortou a comida, mastigando devagar, engolindo cada pedaço; ao lado dela, Liam comia no mesmo ritmo tranquilo, perfeitamente composto.

— Terminou? — ele perguntou.

— Sim. — Ela pegou um lenço e pressionou de leve nos lábios, com delicadeza.

— Concentre-se no seu trabalho. Pode ir — disse ele, já guardando a marmita.

Emma se apressou para ajudar, e as pontas dos dedos dela roçaram o calor da mão dele antes de ela recuar.

— Então eu vou sair — murmurou.

— Tá.

Na porta, ela parou e se virou. — Sr. Hayes.

Ele jogou a marmita no lixo e ergueu os olhos para ela.

— Sobre nós… por favor, não comente com ninguém — disse ela, num tom atravessado por uma súplica contida.

— Sobre o quê?

— Sobre tudo.

— Certo. — Ele respondeu de forma breve e voltou para a mesa.

Ela soltou um longo suspiro de alívio, mas ainda não conseguia entender a postura dele.

De volta à sua estação de trabalho, o clima parecia pesado.

— Sobrou taco mexicano. Quer provar um? — Iris empurrou um recipiente na direção dela.

— Não, estou cheia.

— Claro que está. Depois de uma injustiça dessas, quem consegue comer? — disse Iris, com a testa marcada de preocupação.

Pouco depois, Ryan apareceu e chamou Ethan para sair.

Os cochichos à volta ficaram mais altos, enquanto todo mundo especulava sobre o que tinha acontecido lá em cima.

— O chefe pegou pesado com você? — Iris perguntou em voz baixa.

— Não.

— Então o que vocês ficaram fazendo lá por mais de dez minutos? — ela insistiu.

— Ele só perguntou sobre o que aconteceu hoje de manhã — disse Emma, e então mudou de assunto depressa. Abriu o Venmo e transferiu dinheiro para Liam com uma observação:

Café da manhã.

No último andar, o celular de Liam vibrou no meio de uma reunião.

Ao ver a mensagem aparecer, ele soltou uma risadinha e balançou a cabeça. — Vamos encerrar por aqui. Continuamos hoje à tarde.

Os executivos ao redor da mesa trocaram olhares surpresos.

A notícia de que Emma tinha sido chamada ao escritório do presidente já se espalhara como fogo em palha seca. Todo mundo supunha que ela tivesse levado uma bronca daquelas.

Na lanchonete do décimo andar, no almoço, os boatos atrás dela se intensificaram.

— Eu gostaria de solicitar licença a partir de depois de amanhã — disse Emma com calma a Ethan, sentada à frente dele.

Ele assentiu.

— Você precisa mesmo descansar — Iris se apressou em acrescentar. — Assim que a vigilância for consertada, a verdade vai aparecer.

— Minha licença não tem nada a ver com isso — disse Emma. — Vou resolver a situação antes das minhas férias, para não prejudicar a empresa. Eu só estou exausta e preciso recarregar as energias.

— Ouvi dizer que o presidente está recrutando uma nova secretária — Iris sussurrou, vendo a representante do RH passar por perto. — Parece que o chefe não é tão frio assim, né?

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