Capítulo 8 Uma camisa branca feita sob medida para Liam
Emma empurrou a cadeira para trás e foi direto ao banheiro, com a raiva queimando por baixo das costelas. Não queria outra coisa senão arrancar a fachada cuidadosamente construída de Ben.
— Olá. — Uma voz grave veio do canto do corredor.
Ela se assustou. Liam estava encostado na parede, meio mergulhado na sombra.
— Precisa de ajuda? — perguntou ele, com a voz áspera de álcool.
— Não. Vou resolver sozinha.
— Tá bom. — Ele se afastou da parede e foi embora, cambaleando.
…
Emma comeu até se fartar e virou várias taças extras de um vinho cult do Napa Valley.
No estacionamento subterrâneo, Ben insistiu:
— Eu te levo de carro.
— Não precisa. Amanhã tenho uma viagem a trabalho — respondeu ela.
— E lembre-se: não suje o meu carro — acrescentou friamente, engolindo as palavras mais duras que estavam na ponta da língua.
Ele pegou as chaves e sentou no banco do motorista.
— Eu te amo, Emma! — gritou, se inclinando para fora da janela enquanto arrancava.
Ela acompanhou o carro com o olhar até ele sumir de vista. Sua visão embaçou, e as lágrimas transbordaram.
Ela engoliu um soluço e sibilou, entre dentes:
— Canalha.
Depois de alguns instantes, empurrou o cabelo para trás e se recompôs. Quando se virou, quase trombou de frente com Liam, que estava parado na entrada do elevador.
Ela desviou o olhar depressa e enxugou as marcas de lágrimas nas bochechas.
— Você…
— Emma? — Ele se aproximou, com passos vacilantes.
Ela virou o rosto para não encontrar os olhos dele, mas ele se inclinou para encará-la.
— É você mesmo… — Ele sorriu, quase perdendo o equilíbrio.
Ela segurou o braço dele para firmá-lo.
— Sr. Hayes… — A voz dela ainda tremia de tanto chorar.
— Você estava chorando? — perguntou ele, se apoiando pesadamente nela.
— Não. Entrou alguma coisa no meu olho — disse rápido. — Onde está seu carro? Me dá as chaves.
Ela o guiou até ele se apoiar na parede e estendeu a mão para o bolso do casaco dele.
— Eu não vim de carro — disse ele, inclinando a cabeça, o olhar preso ao nariz rosado dela e aos olhos avermelhados pelas lágrimas.
Resmungando, ela puxou o celular e ligou para Ryan.
— Ryan, onde você está? Seu chefe está bêbado.
— Eu já saí do trabalho — ele reclamou.
— Eu já saí faz tempo — ela retrucou, impaciente. — Você é o assistente dele. Se não resolver isso, eu vou deixar ele aqui.
— Onde ele está? — perguntou Ryan.
— Na garagem subterrânea do Oak Room.
Houve uma pausa na linha. Então:
— Põe o chefe na linha.
Emma soltou o ar com força e se virou para Liam.
— Seu assistente quer falar com você. Diz pra ele vir te buscar.
Ela enfiou o telefone na mão dele.
Liam lançou um olhar para a tela, sacudiu levemente a cabeça e deu alguns passos para o lado para atender.
Emma passou as mãos pelos cabelos, exasperada.
— Sou eu — disse Liam.
— Você está no Oak Room, certo? — Ryan confirmou.
— Sim.
— Então eu não preciso ir? — O tom de Ryan deixava claro que ele sabia perfeitamente que Liam não estava tão bêbado assim.
Liam apreciou o faro do assistente.
— Eu posso ligar dizendo que estou doente, mas vou precisar de folga amanhã. Com pagamento — acrescentou Ryan com naturalidade, sem perder a chance.
— Certo.
— Ótimo. Tenha uma boa noite. Vou desligar meu celular — disse Ryan, animado.
Liam encerrou a chamada e voltou até Emma, deixando o braço cair naturalmente ao redor dos ombros dela.
Ela enrijeceu de surpresa, mas ainda assim ergueu os braços para ampará-lo, com medo de que ele caísse.
“Você conseguiu falar com ele?”, perguntou, arrancando o telefone de volta. Ela apertou para rediscá-lo, mas o aparelho já tinha sido desligado.
“Ryan, você é inacreditável”, rosnou para a tela escura.
…
Eles chamaram um táxi.
No banco de trás, Liam apoiou a cabeça no ombro dela.
Ela virou um pouco o rosto e sentiu o cheiro leve e limpo do cabelo dele.
“Sair para beber sem guarda-costas? Isso é perigoso, sabia?”, disse, aproveitando para beliscar de leve a bochecha dele.
Já era quase onze horas quando ela conseguiu levá-lo de volta para a vila dele.
Assim que chegaram à porta, um guarda-costas avançou.
“Cai fora”, Liam disparou, cortando-o.
“Para! Você enlouqueceu?”, Emma retrucou.
O guarda-costas congelou, atônito.
Encharcada de suor, ela praticamente arrastou Liam para dentro e o empurrou no sofá.
No instante em que se virou para ir embora, ele segurou o pulso dela, puxou-a de volta para os braços dele e a abraçou com força.
“Ai!”
“Não vai…” ele murmurou.
“Pá!” A mão dela voou por instinto, estalando no rosto dele. Emma recuou, depois se levantou às pressas.
Chocada com o que acabara de fazer, ela estendeu a mão e acariciou o rosto dele com delicadeza. “Desculpa…”
Ele a encarou de baixo para cima, os olhos de repente lúcidos, observando cada movimento enquanto se recostava no sofá.
Zoe, que estava prestes a ajudar, parou no lugar.
Emma ajeitou a roupa e disse baixinho: “Não conta para ele que eu bati nele. Só diz que ele caiu.”
“Tá bom…” Zoe assentiu.
Assim que Emma foi embora, a encenação de bêbado de Liam desapareceu. Ele levou a mão ao rosto e fez uma careta.
“Ai…”
Zoe apertou os lábios, segurando o riso.
De volta ao seu apartamento, Emma tirou o casaco assim que entrou e foi direto para o banho.
No dia seguinte, as férias dela começaram oficialmente.
Ela dormiu até o meio-dia.
Depois, calçou saltos altos e vestiu um vestido elegante e justo, que destacava cada curva perfeita do seu corpo. Seus longos cabelos dourados caíam em ondas suaves sobre os ombros, captando a luz com uma elegância natural.
Quando estava prestes a sair, avistou a jaqueta de Liam no sofá.
Preciso devolver isso.
Após uma breve pausa, ela colocou a jaqueta sobre o braço e saiu.
Ela se presenteou: fez as unhas, arrumou o cabelo liso em ondas glamourosas e caprichou na maquiagem no salão antes de ir às compras.
Sua última parada foi uma butique de alfaiataria masculina de alto padrão, que normalmente exigia agendamento com meses de antecedência.
“Olá, eu gostaria de mandar fazer uma camisa sob medida”, disse Emma, entregando o paletó.
“Bem-vinda!”, saudou a atendente com simpatia. “De que tamanho a senhora precisa?”
“Não tenho certeza. Este terno é do meu namorado. Vocês poderiam fazer uma camisa com base neste paletó?”
A atendente pegou o paletó e o examinou com cuidado.
“Vou precisar consultar nosso proprietário, o sr. Hunter Hayes”, disse ela com gentileza. “Por favor, sente-se.”
“Tudo bem, obrigada.” Emma se acomodou em um sofá para esperar.
Nos fundos, a atendente levou o paletó até o estúdio de criação, explicou o pedido a um homem mais velho de barba branca cheia e lhe mostrou a marca discreta na gola.
