Capítulo 9 Ele faleceu ontem

Hunter ajustou os óculos e lançou um olhar para a parte da frente da loja, onde Emma estava sentada.

“Isso é mesmo para o namorado dela?”, perguntou, com um leve tom de surpresa.

“Sim, senhor Hayes”, respondeu a atendente, com uma risadinha.

“Peça para ela entrar”, disse ele.

Depois que o recado foi dado, Emma seguiu as instruções e encontrou Hunter à espera.

Ela sorriu em agradecimento, pegou a bolsa e entrou no estúdio de design, os saltos altos estalando suavemente no piso.

Ao atravessar o showroom, repleto de amostras requintadas, ela atraiu vários olhares de admiração de outros clientes.

“Olá”, cumprimentou, docemente.

Hunter fez um leve aceno com a cabeça. “Você veio mandar fazer algo sob medida para o seu namorado?”

“Sim. Isso é um problema? Dá para fazer uma camisa com base neste paletó?” Emma sorriu.

“Por que você não trouxe ele com você? Seria mais conveniente”, disse ele, alisando de leve a barba.

“Eu não quero que ele saiba que estraguei a camisa dele. Estou planejando substituir sem alarde. Só tenho este paletó.”

“Estragou, é...”, os lábios de Hunter se curvaram.

“Você consegue fazer?”, ela perguntou.

“Claro. Deixe suas informações de contato e eu aviso quando estiver pronto.”

“Tudo bem.”

“Qual é o seu nome?”, ele perguntou.

“Emma Carter.”

“Muito bem. Vá para casa e aguarde nossa ligação.”

Emma piscou. “Não precisa de sinal?”

“Não é necessário.” Ele devolveu o paletó a ela.

“Ah... você não precisa tirar medidas?”, ela perguntou.

“Não precisa. Eu sei o tamanho só por esta peça. Fique tranquila”, disse ele, sorrindo calorosamente, justo quando o celular dele tocou.

Ela assentiu enquanto ele atendia e saiu em silêncio.

Mais tarde, ela mandou uma mensagem para ele no WhatsApp: [Camisa branca, por favor.]

Com os braços cheios de sacolas, por fim foi para casa.

Ben tinha mandado uma sequência de mensagens sugestivas. Ela leu todas e não respondeu a nenhuma.

Então apareceu uma notificação de Chloe: [Por favor, venha à minha festa de noivado na próxima quarta-feira.]

Os olhos de Emma arderam ao ler aquela linha.

Ela engoliu em seco e se obrigou a digitar uma resposta.

Emma: [Parabéns! Quem é o noivo?]

Chloe: [Você conhece. Já já você descobre.]

Emma enxugou o canto dos olhos e, com naturalidade, acessou o sistema de vigilância do carro.

E, como esperado, o casal nojento estava sentado dentro do carro dela.

Ela aumentou o volume do celular ao máximo, colocou-o sobre a bancada da cozinha e começou a ferver macarrão.

Na tela, os dois discutiam sem parar. Ben pressionava por um aborto; Chloe se recusava. Ele insistia que estava apaixonado por Emma e dizia que não iria à festa de noivado.

Emma soltou uma risada baixa, sem humor, e olhou ao redor do apartamento que havia alugado pouco mais de um ano antes.

Hora de me mudar.

Que aquela dupla nojenta aproveite isso aqui.

No dia seguinte, Ben devolveu o carro e foi direto para a casa dela.

Assim que abriu a porta, viu um paletó masculino jogado sobre o sofá.

“Emma, esse paletó...”, ele começou, colocando as chaves do carro sobre a mesa.

— É exatamente o que você está pensando. Estou apaixonada agora. Vamos terminar — disse ela, sem emoção.

Ben parou onde estava, imóvel.

— Emma...

— O quê? — Emma disse friamente. — Se não há mais nada, por favor, vá embora.

Ela nem se deu ao trabalho de olhar para ele.

— Você sabia, não sabia? Está só usando isso para me humilhar! — Os olhos de Ben ficaram vermelhos.

Ela o ignorou e continuou arrumando a mala.

Tomado pela raiva, ele agarrou o pulso dela, fazendo-a parar de repente.

— Sabia o quê? — ela retrucou, soltando-se dele. — Não encoste em mim. Você é nojento.

— Você sabia de tudo? — ele perguntou, atônito.

— Sim. Acabou. Não chegue perto de mim de novo. — A voz dela era de gelo.

O silêncio se estendeu entre os dois.

— Você devia ir — ela disse por fim, calma e distante. — Vamos ao menos deixar um pouco de dignidade um para o outro.

Ela voltou para o quarto, fechou a porta e escorregou encostada nela, soluçando em silêncio.

Ela não fazia ideia de quanto tempo dormiu antes que uma fisgada de dor atravessasse seu abdômen, arrancando-a do sono.

Ela tateou em busca do interruptor, mas a dor lancinante no estômago a forçou a recuar a mão.

Trincando os dentes, pegou o celular e ligou para as únicas pessoas perto o bastante para ajudá-la: Iris e Ryan.

Iris não atendeu.

Quando ligou para Ryan, ele atendeu, embora tecnicamente estivesse de férias.

— O que foi, Emma? — ele perguntou.

— Ryan... — O suor escorria por suas têmporas por causa da intensidade da dor.

— Você está doente? Onde você está? Consegue se mexer? — O tom dele se tornou agudo na mesma hora.

— Vem para a minha casa... Eu... — A voz dela desapareceu enquanto sua consciência se esvaía.

Cerca de dez minutos depois.

Bang!

A porta se escancarou.

— Emma! — soou uma voz familiar.

— Você realmente não faz nada pela metade — disse ele, com um tom duro, mas carregado de preocupação.

Braços fortes a ergueram como se ela não pesasse nada, carregando-a nos braços. O cheiro familiar de pinho a envolveu.

Quando abriu os olhos de novo, ela estava deitada em um quarto particular de hospital.

— Você acordou — Liam disse baixinho.

Ela virou a cabeça devagar. Ele estava sentado ali com a mesma postura imponente que tivera naquela primeira noite.

— Sr. Hayes... por que o senhor está aqui? — Emma perguntou, com as bochechas corando.

— Ryan está de férias — Liam respondeu, mantendo o olhar fixo no dela.

— Obrigada.

— Ainda dói?

— Não.

— Onde está o seu namorado? — ele perguntou.

— Ele morreu ontem.

— Hã... — Ele pressionou os lábios um contra o outro, depois assentiu. — Então é uma boa notícia.

Nesse instante, uma médica entrou.

— Aqui estão seus remédios para o estômago. Lembre-se de tomá-los na hora certa, Liam — disse ela com um sorriso, depois se virou para Emma. — E você, mocinha, pode ter alta amanhã.

Ela era mais velha e claramente íntima dele.

— Entendi, tia — ele respondeu, pegando o remédio.

Eles conversaram por alguns minutos perto da porta antes que ela fosse embora.

— Posso ter alta hoje à noite? — Emma perguntou.

— Não. — Ele se sentou na beirada da cama dela.

O olhar de Emma caiu sobre a marca vermelha ainda tênue, mas visível, na bochecha esquerda dele, e seu coração deu um solavanco. A lembrança do tapa que lhe dera voltou de repente, ardente e mortificante.

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