Capítulo 2 Capítulo 2

JACOB

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— Então, Thea... Poderia contar mais sobre você, sobre a gravidez e o motivo de não querer o bebê? — indaguei, percebendo algo de estranho em seu rosto quando ela olhou para o lado, observando a sala.

“Um olho roxo. Será que é o pai do bebê que bate nela? Por isso que ela não quer a criança?” pensei intrigado e minha suspeita se confirmou quando ela disse que não gostava de falar sobre a sua vida.

— Não precisa usar os óculos para esconder esse olho roxo. Sou médico, então convivo com isso, às vezes, lá no hospital. Foi o pai do bebê que te bateu? Você tem pais?

— Desculpe, eu não deveria ter vindo.

Theodora se levantou e tentou correr para fora da sala, mas eu a segurei, notando que ela estava prestes a chorar.

— Fica calma. Eu não vou te machucar — pedi e a jovem abraçou minha cintura, meio desajeitada, afundando seu rosto em meu peito, já desabando em lágrimas.

— O que está acontecendo aqui? — escutei a voz do Apolo, então olhei para o lado, pedindo rapidamente que ele trouxesse um copo com água para a nossa visitante poder se acalmar e assim Apolo o fez, com uma cara meio desconfiada, mas fez.

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— Me desculpe pelo que houve — ela disse, minutos depois, mais calma.

Ela se encontrava sentada novamente no sofá, comigo ao seu lado e com Apolo sentado na mesinha de centro, à sua frente.

— Eu que peço desculpas, Thea. Não foi minha intenção te aborrecer, mas eu só queria saber se vamos ter que ficar preocupados com um possível agressor perto do bebê que desejamos adotar — falei e ela me encarou primeiro, depois olhou para o meu companheiro e em seguida abaixou o olhar para as mãos sobre seu colo.

— Não precisam se preocupar, porque o Jaime está preso.

— E quem é Jaime? — Apolo indagou e Theodora o olhou.

— Meu namorado, quer dizer, ex-namorado. O pai do bebê.

— Foi ele que te bateu, Thea? — inquiri.

— Sim, senhor. É por isso que preciso do dinheiro. Quero fugir para bem longe dele.

— Pode nos chamar pelos nossos nomes. Eu sou o Jacob e esse aqui é o meu companheiro Apolo.

Ela assentiu dando um meio sorriso para nós dois.

— Então você ia pegar o nosso dinheiro e sumir com ele e o bebê?

— Não... Apolo. Jaime vai ficar preso por um ano e alguns meses, então daria tempo para eu ter o bebê, entregá-lo a vocês, pegar o dinheiro e ir embora da cidade. Eu posso ser de onde eu sou, mas tenho palavra e não volto atrás, ao contrário daqueles que se diziam meus amigos, mas que são só amigos na hora da bandidagem.

Apolo me encarou com uma expressão que dizia: “Viu só? Eu tinha razão”

— Você não está tentando passar a perna na gente para nos roubar, está? — ouvi Apolo dizer e o encarei sério.

— Amor, por favor, né?

— Eu só estou perguntando, Jacob. Nada demais.

— Não se preocupe. Eu só roubo, ou roubava, lojas de conveniências, porque lá tem dinheiro e comida. Há três dias roubei uma e entre os itens, eu peguei um jornal e foi assim que eu vi o anúncio de vocês.

— Você tem onde dormir?

— Tinha, mas quando Jaime foi preso, eu fui expulsa do local onde ficávamos e desde então vivo pela rua mesmo. E antes que perguntem, eu sou órfã e é por esse motivo que eu roubava, porque não tenho família para pedir teto e nem comida.

Senti muita pena daquela jovem, então logo a ideia de acolhê-la em nossa casa me veio à mente rapidamente.

— Não se preocupe, Thea. A partir de agora, você tem um lugar para morar enquanto estiver grávida. Nós cuidaremos de você e do bebê, né querido?

Olhei para Apolo que logo me chamou para conversar em particular, então o acompanhei para um dos cantos da sala.

— Você está ficando doido, amor? Como quer que acolhamos uma ladra na nossa casa? — ele sussurrou e encarou a Theodora de relance.

— Apolo, ela precisa da gente e a gente precisa do bebê. É a nossa chance de termos o filho que tanto sonhamos. Se acolhermos ela aqui, vai ficar mais fácil para acompanharmos a gravidez dela, cuidar da saúde de ambos e principalmente ajudar a Thea que é uma vítima de violência doméstica e que pelo visto já sofreu muito nessa vida.

— Pensando por esse lado, você tem razão.

— Eu sempre tenho — brinquei e ele sorriu, rolando os olhos, então lhe dei um selinho rápido antes de voltarmos para perto da Theodora.

— Será um prazer ter a sua companhia aqui em nossa casa.

— Não precisa fingir ser amável comigo, Apolo, porque eu sei que você não foi com a minha cara.

Ele ficou envergonhado enquanto eu tentava não sorrir.

— Eu sou meio desconfiado mesmo, me desculpe.

— Tudo bem.

— Bem-vinda a nossa família, Thea — anunciei e a abracei meio de lado, depois me virei para o Apolo — Amor, será que seu risoto dá para três pessoas comerem?

— Claro que dá, querido. Mas primeiro esta moça aqui vai subir comigo para se limpar e tirar esse cecê que está matando meu pobre e delicado nariz enquanto você, amor, vai colocando a mesa para mim, ok?

Apenas assenti, já sorrindo do Apolo que fez uma careta quando Theodora passou por ele.

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