Capítulo 3 Capítulo 3
APOLO
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— Não precisa ter vergonha de ficar nua na minha frente, Thea — falei à medida que pegava uma toalha no armário do nosso banheiro — Mas se quiser privacidade, eu dou. Aqui está a toalha. Ali no box tem sabonete, shampoo e condicionador... apenas masculino. Vamos ter de comprar coisa de mulher para você — murmurei, meio pensativo, e sorri — Vou deixar uma camiseta e uma cueca boxer para você vestir e não se preocupe, que a cueca é nova.
Ela sorriu em agradecimento, então eu saí do banheiro e fui até o closet pegar as peças de roupa. Assim que as deixei sobre a cama, sai do quarto e desci para me juntar ao Jacob.
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Minutos depois, Theodora apareceu na cozinha e ficou admirada de novo com o ambiente.
— Faz quanto tempo que você não come? — inquiri quando a vi atacar literalmente o prato que eu acabara de pôr a sua frente.
— Dois dias — anunciou Thea, fazendo-me arregalar os olhos.
— Pobrezinha, por que está sem comer há dois dias? — indaguei com dó dela enquanto me sentava em meu lugar.
— Não tinha o que comer então eu não comia. Posso pegar mais salsichas?
Assentimos e Jacob e eu, nos entreolhamos quando ela voltou a comer parecendo mais um homem das cavernas, totalmente sem modos.
— Isso daqui está delicioso demais.
— Especialidade do meu querido Apolo.
— Tenho uma pergunta.
— Fale, meu anjo — escutei Jacob falar à medida que cortava um pedaço da salsicha empanada.
— Quem é o ativo e o passivo de vocês dois?
Paramos de comer e nos entreolhamos de novo.
— Não temos distinção disso na nossa relação — ele informou segurando minha mão sobre a mesa e trocamos sorrisos, um com outro.
— Então os dois comem o cu um do outro?
Nossos sorrisos morreram e apenas meu companheiro começou a rir da pergunta indiscreta da nossa visitante e nova inquilina.
— Não fale de boca cheia — comentei, sério.
— Você não é meu pai, ou minha mãe, ou sei lá o quê. Você não é nada meu então eu como do jeito que eu quiser.
— Gostei dela, amor.
— Jacob! — o repreendi, emburrado.
— Admita querido, a Theodora tem um senso de humor e tanto.
Rolei os olhos, já voltando a comer.
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THEODORA
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“Eles dois estão sendo tão legais comigo, que eu tenho que ser um pouco mais educada” pensei enquanto observava Apolo terminar sua sobremesa, já Jacob tinha acabado de sair, dizendo que precisava se arrumar para voltar ao hospital.
— Desculpe pelo que eu disse. Não quis parecer grossa com você... — falei encarando-o, depois desviei o olhar para a fatia de torta quase acabada em meu prato — ...e nem ser inconveniente com as palavras.
— Está tudo bem — ele se levantou e começou a recolher os pratos da mesa então tentei ajudá-lo — Não precisa se preocupar com isso, fofa. Fique sentadinha aí. Você não pode fazer esforço.
“Não posso fazer esforço? Mal ele sabe que já carreguei coisa mais pesada que alguns pratos”
— O que o Jacob vai fazer em um hospital? Ele trabalhar lá ou está doente? — perguntei, optando por conversar ao invés de ficar calada.
— Ele é cirurgião pediatra — Apolo disse e eu notei que ele se sentia orgulhoso pela profissão do marido, esposo, ou seja, lá como eles se chamavam entre si.
— Legal, e você faz o quê?
— Tenho um estúdio de fotografia. Sou fotógrafo profissional, mas às vezes faço alguns trabalhos como modelo também — ele dizia à medida que arrumava a bancada da cozinha.
— Ele é o meu modelo particular da Playboy.
Me virei e vi Jacob adentrando o local todo elegante, indo até Apolo e dando um beijo nele.
Era estranho ver eles juntos.
Não que eu nunca tivesse visto gays na minha vida, porque na vila onde eu morava tinha uns viados, mas eram bem afeminados, usando às vezes roupas de mulher e com aquele jeitinho específico mesmo de bicha.
Entretanto, Jacob e Apolo, nem pareciam gays, tirando os beijos, os carinhos e os olhares apaixonados que um dava para o outro, pareciam até dois homens heteros, fodidamente gatos e gostosos por sinal.
— Já estou indo, amor. Vou tentar chegar cedo para descansar um pouco, antes de pegarmos a estrada — Jacob falou se desvencilhando de Apolo.
— Ok, querido. Amanhã cedo, eu e a Thea vamos fazer compras e procurar um vestido para ela ir ao casamento, depois vamos dar uma passadinha no salão da diva da minha sogrinha.
— Tudo bem. Vou tentar ver se a Margareth pode atender a Theodora amanhã e aí qualquer coisa eu te ligo e vocês vão lá para o hospital.
— Dá para os dois pararem de conversar sobre mim como se eu não tivesse aqui? — resmunguei emburrada e ambos viraram os rostos para me olhar, depois sorriram.
— Desculpe, lindinha...
— Não me chamem de “lindinha” e nem de “fofa”. Não sou linda, sou feia igual o cão chupando manga e ainda não estou gorda para ser chamada de fofa.
— Hormônios — ambos disseram juntos, se entreolhando.
— Tudo bem então, oh sua feiosinha — disse Jacob se aproximando de mim, sorrindo, e me deu um beijo no alto da cabeça, depois se inclinou um pouco e alisou minha barriga — Tchau, bebê. Até amanhã, sua feiosa.
Apolo só ria enquanto eu semicerrava os olhos e mirava as costas de Jacob. Ele beijou novamente o outro em despedida e saiu, fazendo-nos escutar minutos depois a zuada de um carro se afastando.
— Venha, vou te mostrar o quarto onde vai dormir.
