Capítulo 5 Capítulo 5
THEODORA
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— Com o que você estava sonhando hoje mais cedo?
Virei o rosto de repente, desviando o meu olhar da paisagem da janela para o Apolo e o vi me encarar com um meio sorriso divertido nos lábios, enquanto ele guiava o carro pelo trânsito.
— Com nada — falei evasiva e voltei a olhar para a janela.
— Jura? Pois eu pensei que estivesse tendo um sonho para lá de picante, por causa dos gemidos que você estava dando.
Fiquei meio com vergonha, não porque sonhei transando com eles e sim por saber que alguém escutou os meus gemidos.
— Não se preocupe, da próxima vez eu vou gemer mais baixo para não incomodar o seu sono da beleza — comentei e escutei ele gargalhar.
— Era com a gente? O seu sonho?
— Acho que isso não é da sua conta — retruquei, meio emburrada.
— Tudo bem. Não falemos mais nisso, mas se quiser que o seu sonho se torne realidade é só falar que nós realizamos.
O encarei com uma das sobrancelhas erguida.
— Então vocês são bi?
— Não. Somos gays e nunca vamos deixar de ser, porém de vez em quando saímos da nossa rotina e convidamos uma mulher para fazer ménage com a gente. Mas isso não nos torna bissexuais. Seria igual a um carnívoro que às vezes para quebrar a rotina prefere comer comida vegana. Isso não o torna vegano ou vegetariano, torna?
— Acho que não — murmurei meio pensativa.
— E outra, bissexuais são aquelas pessoas que sentem atração ou prazer tanto com homens quanto com mulheres ou com outros tipos de gêneros. E acredite quando eu digo que nem eu e nem o Jacob ficamos excitados vendo mulheres peladas.
— Hum... Quantos mulheres já toparam fazer isso com vocês?
— Desde que começamos a namorar... Aliás nós nos conhecemos num ménage — Apolo sorriu como que lembrasse de algo — Jacob namorava a minha irmã e a mesma um dia me convidou para fazer um ménage para apimentar a relação deles e foi então que aconteceu. A gente se apaixonou. Na verdade, eu já tinha uma quedinha pelo Jacob muito antes disso rolar. Chegamos — Apolo anunciou estacionando o carro em uma vaga do estacionamento do hospital.
— Eu odeio hospitais — resmunguei, já saindo do carro.
— Jacob e eu vamos estar lá com você, Thea. Não precisa ficar com medo. Vamos?
Mesmo a contra a gosto, eu o acompanhei rumo a entrada do enorme prédio.
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JACOB
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Não sabia qual dos dois era o mais medroso dali. A Thea, por ver o tamanho da agulha do coletor ou o Apolo, que tinha pavor de sangue. Eu havia descido para o Setor de Exames assim que recebi uma mensagem do meu companheiro, avisando-me de que eles tinham chegado.
Agora estou aqui, tentando controlar o riso à medida que eu coletava o sangue da Theodora, que tinha feito mais escândalo do que uma criança pequena. Apolo estava ao lado da Thea, segurando sua mão.
Porém, com o rosto virado e de olhos fechados para não ver o sangue que jorrava da veia dela direto para o terceiro tubinho enquanto a técnica de enfermagem, que a Theodora bateu o pé e disse que a mulher não ia tirar o sangue dela nem vendada, estava identificando os vidrinhos.
— Não vai acabar mais não? — Thea me questionou quando conectei o quarto tubo no coletor.
— Ainda não. Vou precisar de mais sangue para todos os exames que eu solicitei inicialmente e para o resto dos exames que a Margareth vai te solicitar na hora da consulta. Ou você quer duas furadas no seu braço?
— Nenhuma teria sido bem melhor — ela resmungou e virou o rosto olhando para o Apolo, depois me encarou novamente — E esse aqui, ao invés de me dar força, tá com mais medo do que eu.
— Tenho pavor de sangue — Apolo comentou — Sangue para mim tem que ficar bem longe.
— E o que corre nas suas veias é o que, sua anta? É glitter por acaso? Purpurina?
Não me aguentei e tiver que explodir em uma risada com aquele comentário da Theodora, porém aquilo me fez mexer a mão e isso ocasionou na perda da veia dela.
— Ai, cacete!
— Desculpe — falei, já colocando um tufo de algodão e tirando a agulha.
Ainda faltava o último tubinho para ser preenchido, porém Thea fez cara feia para mim.
— Ok, terminamos por aqui então — anunciei.
— Ufa — disse Apolo mais aliviado e abrindo os olhos.
— “Ufa” digo eu, que estava com uma agulha monstruosa enfiada no meu braço.
Sorri e agradeci a técnica por ter me deixado, meio a contragosto, ficar no seu lugar e coletar o sangue da Theodora.
Chequei novamente o pedido de exames e informei a ela para ficar no aguardo de exames adicionais vindo do ambulatório, e mandei ela anexar a outra solicitação junto com a minha, assim que a entregarmos.
— É melhor irem comer algo na praça de alimentação. Vocês têm meia hora até a Margareth chegar...
— Mas você não disse que ela começa a atender às sete e meia? Já são sete e vinte, querido — indagou Apolo olhando no relógio de pulso à medida que saíamos do Setor de Exames.
— A Thea precisa se alimentar, amor — ressaltei passando meu braço por sobre o ombro dele e ele abraçou parcialmente minha cintura atrás com o seu braço.
— Verdade. Tô varada de fome, principalmente depois que alguém tirou quase 10 litros de sangue de mim.
— O corpo humano tem em média de 04 a 06 litros de sangue, então não exagera, oh mocinha — falei e Theodora me deu língua — Tá muita abusada, né oh sua feiosinha? — brinquei, já me desvencilhando de Apolo e tentando fazer cócegas nela, que conseguia se esquivar.
— Deixa até eu te contar com o que ela estava sonhando hoje mais cedo.
Thea foi rapidamente até o meu marido e tampou a boca dele, o que me fez ficar curioso.
— Você não vai falar nada. Onde fica a comida, Jacob?
— Só digo se me contar qual foi o seu sonho.
— Nem fudendo.
— Era quase isso mesmo — Apolo murmurou, rindo por entre os dedos dela.
— Cala a boca! A gente encontra a comida sozinhos. Vem, seu linguarudo.
Theodora saiu pisando fundo, rebocando meu Apolo que me pedia ajuda, fazendo gesto com a boca enquanto eu controlava a risada. Os chamei e eles pararam, virando-se para me olhar.
— O que foi? — inquiriu Thea emburrada então apontei para o lado oposto do corredor.
— É por ali a praça de alimentação do hospital.
