Capítulo 7 Capítulo 7
THEODORA
.
Se passaram alguns segundos enquanto a médica ia de um lado para o outro com o aparelho e a ansiedade estava quase que palpável entre o Apolo e o Jacob.
— É o que estou pensando, Margareth? — Jacob perguntou sorrindo.
— Depende do que você está pensando. Se for grandes lábios então a resposta é sim.
“Grandes lábios? Será que o bebê é beiçudo?”
— É menina, amor?
— Sim, querido. Vamos ter uma filha.
Ambos se abraçaram felizes e chorosos. Apolo era o que estava chorando mais à medida que Jacob tentava acalmá-lo.
— Posso ver? — pedi para a doutora num sussurro, pois não queria atrapalhar a comemoração dos dois então ela assentiu e virou o monitor para mim — Só estou vendo borrões — comentei e ela começou a me explicar e a me mostrar.
— Preparados para escutar o coraçãozinho dela?
— Aí meu coração. Acho que ele não vai aguentar de tanta emoção — Apolo disse abraçado ao Jacob.
— Não exagera! É só o som de um coração batendo — resmunguei, rolando os olhos, porém assim que escutei aquele som, algo dentro de mim mudou completamente.
Não sabia explicar como tinha acontecido, só sabia que eu me encontrava hipnotizada com aquelas batidas que ecoavam pelo lugar. Senti uma vontade forte de chorar e quando vi os dois chorando ao pé da maca onde eu estava, não me aguentei e desabei no choro também.
— Eu só tô chorando... porque vocês estão chorando... então parem de chorar agora mesmo... — pedi fungando enquanto a médica limpava o gel da minha barriga.
— Eu não consigo — Apolo choramingou.
— Eu também não — ressaltou Jacob, limpando o rosto.
— Muito menos eu — falei, já me levantando então eles vieram me abraçar.
.
.
.
APOLO
.
Eu me encontrava tão feliz. Nem acreditava que finalmente iríamos ter o nosso filho que tanto tínhamos sonhado e desejado, ou melhor, nossa filha.
— Vamos ter que entrar numa academia de tiro, amor — comentei e Jacob me olhou confuso à medida que andávamos rumo ao estacionamento do hospital — Precisaremos afastar os caras de perto da nossa princesinha.
— Eu prefiro o karatê, querido. Vou ter que voltar para a academia e subir de nível para conseguir ser faixa preta.
— Você não vai voltar para o karatê de jeito nenhum — ressaltei, já ficando emburrado.
Ver meu Jacob ou saber que ele está se agarrando com outro homem, mesmo que seja treinando, me faz sentir muito ciúmes. Lutei demais para ter ele e não vai ser um treinador de karatê de araque que vai tirar o Jacob de mim.
— Mas, amor, os caras têm que sentir medo da gente. E não tem nada que dê mais medo do que um pai faixa preta.
— Eu, hein. Ela nem nasceu ainda e vocês já estão pensando em como expulsar os pretendentes da coitada — comentou Theodora incrédula, conseguindo amenizar meu mau humor repentino e fazendo Jacob rir.
— Tudo bem. Nada de faixa preta, mas vou aceitar sua ideia sobre a academia de tiro, querido — Jacob falou e Thea rolou os olhos.
— Já estou é com pena dessa menina.
Sorrimos então Jacob se desvencilhou de mim perguntando para onde iríamos.
— Eu vou no Beaux Cheveux para o Ethan dá uma ajeitada no cabelo da Theodora para o casamento e depois vamos passar no shopping para achar um vestido de festa. Vem com a gente, amor — o convidei — Vamos juntos contar a notícia do bebê para sua mãe.
Ele assentiu então fomos para os nossos carros. Dez minutos depois, estávamos estacionando perto do mega salão de beleza da minha sogra. Thea ficou maravilhada com a fachada do elegante e moderno prédio localizado no centro da cidade.
— Bom dia, Srs. Greedy.
— Greedy? Mas no jaleco do Jacob não estava escrito Dr. Jacob Harrison? Eu pensei que vocês eram o Sr. e... Sr. Harrison — sussurrou Theodora perto de mim quando meu companheiro se aproximou do balcão para conversar com a recepcionista.
— Não, Thea. Quando nos casamos, decidimos ir ao cartório e criar um sobrenome só nosso, mas em nossos trabalhos usamos os antigos sobrenomes de solteiros. Dr. Jacob Harrison e fotógrafo Apolo Grayson — murmurei baixo.
— Ah, entendi.
— Mamãe já está descendo — comentou Jacob se aproximando de mim — Estou um pouco nervoso, amor.
— Relaxa, querido. Sua mãe nem vai acreditar na gente, para início de conversa — falei rindo, pois já conhecia muito bem o jeito da minha sogra.
— MEU DEUS! ALGUÉM ME COLORE QUE EU TÔ BEGE!
Olhamos para o lado e vimos Ethan se aproximando com uma cara de chocado e com a mão sobre o peito. De duas, uma. Ou ele estava chocado porque nós viemos finalmente aqui depois de duas semanas ausentes ou o choque dele era pelo estado deplorável do cabelo da Theodora.
— Lá vem a louca — Jacob murmurou rindo.
— Jacobito, amiga, cê tá muito diva hoje — ele disse abraçando meu companheiro, depois se aproximou de mim e me abraçou também — Cherzito, saudades de você, sua louca.
Desde o ano retrasado, quando fomos a um baile à fantasia e eu fui fantasiado da cantora Cher, Ethan me chama de Cherzito. No início, era meio irritante, mas depois me desencanei disso e morria de rir dos apelidos doidos que ele sempre dava para os outros.
— E quem é esse aborto de encruzilhada?
— Coitada dela, Ethan — falei tentando não sorrir, coisa que Jacob não conseguiu fazer.
— Coitada dos meus lindos olhinhos, isso sim.
— Não sou nenhum aborto de encruzilhada, seu viadinho purpurina.
Vimos Ethan franzir o cenho, assustado com a reação da Thea e depois ele caiu na risada, indo abraçar ela também.
— Gostei da abortinho, gente.
Nos assustamos quando a Theodora deu um chute na canela do Ethan, que logo saiu caxingando para detrás do Jacob.
— Alguém coloca uma mordaça nesse pitbull aí antes que ele arranque um pedaço da diva aqui?
— Se me chamar de “abortinho” ou “aborto de encruzilhada” de novo, nem uma mordaça vai me parar.
— Que algazarra é essa na recepção do meu salão?
