Capítulo 5 UMA PROPOSTA INVISÍVEL
Às vezes o destino se aproxima em silêncio antes de mudar tudo.
O silêncio que se formou depois que Regina disse seu nome durou apenas alguns segundos, mas foi suficiente para que Alessandro observasse melhor a mulher diante dele.
Sem a máscara, o rosto dela parecia ainda mais marcante.
Alessandro então se virou levemente para o lado.
— Regina, este é meu amigo Caio.
Caio já havia se aproximado.
— Ele é advogado.
Caio estendeu a mão.
— Muito prazer.
Regina apertou a mão dele com um sorriso educado.
— Prazer. Regina Moretti.
Ela levantou levemente a taça.
— Como eu disse, médica cardiovascular.
Caio ergueu as sobrancelhas com interesse.
— Cardiovascular?
— Sim.
— Em qual hospital você trabalha?
— No Instituto CardioMed Milano.
Caio assentiu.
— Um dos centros cardiológicos mais respeitados da região.
Regina sorriu.
— Sim.
— Mas eu não fico apenas lá.
Caio inclinou a cabeça.
— Não?
— Eu também viajo bastante.
— Alguns hospitais me chamam para cirurgias específicas.
— Emergências.
— Casos mais delicados.
Caio soltou um pequeno assobio discreto.
— Interessante.
Ele cruzou os braços.
— Uma médica que não fica parada.
Regina soltou uma pequena risada.
— Algumas coisas nos obrigam a fazer essas loucuras.
Alessandro observava a conversa em silêncio.
A frase chamou a atenção dele.
— Loucuras como o quê?
Ela olhou diretamente para ele.
Por um instante pareceu avaliar se devia responder.
Depois respirou devagar.
— Meu pai.
O silêncio voltou a pairar entre os três.
— Ele está internado em uma clínica há quase um ano.
A voz dela continuava firme, mas havia cansaço escondido ali.
— O estado dele é terminal.
Regina baixou os olhos para o vinho.
— E não é barato manter uma pessoa viva dentro de uma clínica especializada.
— Na verdade tudo fica absurdamente caro.
Caio lançou um olhar rápido para Alessandro.
Alessandro percebeu.
Mas não reagiu.
— E aquela pesquisa que apresentaram hoje?
Ele perguntou com naturalidade.
— A nova droga experimental.
— Ela pode ajudar seu pai?
Regina levantou o olhar novamente.
— Eu espero que sim.
Ela soltou um pequeno suspiro.
— Qualquer chance de prolongar a vida dele já seria muito para mim.
Ela ergueu a taça novamente.
— Mas eu estou monopolizando a conversa.
Ela apontou discretamente para uma mesa lateral.
— Minha amiga está ali sozinha.
Denise estava sentada observando de longe.
— Foi um prazer conversar com vocês.
Regina inclinou levemente a cabeça.
— Nos vemos por aí.
Alessandro respondeu sem desviar os olhos dela.
— Eu espero.
Regina caminhou de volta para a mesa.
Denise imediatamente se inclinou para frente.
— E então?
— Quem eram eles?
Regina se sentou novamente.
— Alessandro De Luca.
Denise arregalou os olhos.
— O Alessandro De Luca?
— Esse mesmo.
Denise pegou a taça de vinho.
— Você está brincando comigo.
— Não.
Denise olhou discretamente para o bar.
— E o outro?
— Caio.
— Advogado.
Denise soltou um suspiro.
— Você tem noção de que acabou de conversar com um dos homens mais poderosos de Milão?
Regina deu de ombros.
— Agora eu tenho.
Enquanto isso, no balcão, Caio girava lentamente o uísque no copo.
— Interessante.
Alessandro permaneceu em silêncio.
— Muito interessante.
— O quê?
— Uma médica.
— Especialista.
— O pai em estado terminal.
Caio inclinou o corpo na direção dele.
— E uma necessidade muito clara de dinheiro.
Alessandro continuou olhando para Regina.
— Um contrato de casamento poderia cair muito bem numa situação dessas, não acha?
Alessandro finalmente virou o rosto para Caio.
— Para isso eu preciso saber exatamente o que está acontecendo.
Caio sorriu.
— Você tem a faca e o queijo na mão.
Ele apontou discretamente para o salão.
— Ela trabalha justamente em um hospital que você financia.
— Para descobrir onde o pai dela está internado e qual é a situação clínica dele não vai ser difícil.
Ele tomou mais um gole do uísque.
— Aliás, vai ser extremamente rápido.
Alessandro ficou em silêncio por alguns segundos.
O olhar voltou para Regina.
— Provável.
Caio sorriu.
— Eu conheço você há muitos anos.
— Esse olhar significa que você já está pensando nisso.
Alessandro não respondeu.
Do outro lado do salão, Regina terminou o vinho.
— Eu acho que vou embora.
Denise franziu a testa.
— Já?
— Amanhã eu tenho cirurgia cedo.
— E antes disso ainda vou passar na clínica para ver meu pai.
Denise assentiu.
— Eu te acompanho até a saída.
— Não precisa.
Regina sorriu.
— Fica.
— Aproveita a festa.
Ela pegou a bolsa.
— Nos vemos amanhã.
Regina caminhou em direção à saída.
Ao passar pelo salão, Regina olhou uma última vez para Alessandro.
Depois ela seguiu.
Minutos depois, Alessandro terminou o uísque.
— Vamos embora.
Caio levantou uma sobrancelha.
— Já?
— Sim.
Os dois caminharam em direção à saída.
Do lado de fora, o ar frio da noite de Milão os envolveu.
Caio abriu a porta do carro.
— Eu vou começar a levantar as informações.
Alessandro parou antes de entrar no carro.
Ele olhou para a rua por alguns segundos.
Pensando.
— Não.
Caio franziu a testa.
— Não?
— Ainda não.
Quinze minutos depois o carro parava diante da clínica privada onde o pai de Regina estava internado.
O prédio era moderno, silencioso, com grandes janelas iluminadas mesmo naquela hora da noite.
Alessandro entrou pelo corredor principal.
O som de passos suaves ecoava no piso claro.
Ele caminhava em direção ao elevador quando viu uma porta se abrir no final do corredor.
Uma mulher saiu.
Cabelo castanho preso de forma simples.
Casaco claro sobre o vestido do baile.
Regina.
Ela levantou os olhos e parou no meio do corredor.
Por um segundo ficou olhando para ele como se estivesse tentando entender o que via.
Então soltou uma pequena risada surpresa.
— Eu não acredito.
Alessandro diminuiu o passo.
— Em quê?
Ela cruzou os braços.
— Você aqui também?
Ele parou diante dela.
— Eu vim falar com o diretor da clínica.
— Assuntos da empresa.
Ele inclinou levemente a cabeça.
— E você?
— Não tinha ido para casa?
Regina olhou discretamente para a porta atrás dela.
— Meu pai está internado aqui.
O silêncio caiu entre os dois.
