Capítulo 3 Capítulo - 03 - Liz Navarro
Passei o sábado todo em casa, mas continuei pensando nele. Ainda bem que o Petter e a Sandra estavam comigo. Como de costume, estávamos nós três na sala, maratonando “Supernatural” e comendo pipoca.
— Liz, quando quiser me contar o que está acontecendo, é só falar.
— Obrigada. — Me aconcheguei no abraço dela.
— Menina.
— Oi, Petter!
— Eu e a Sandra vamos jantar em um restaurante hoje. — Ele faz uma pausa. — Quer nos acompanhar?
— Não — respondi, não poderia atrapalhar este momento tão deles.
— Tem certeza? Nós também podemos ficar. — Sandra depositou um beijo em minha testa.
— Não, Sandra. Podem ir. — Ela hesitou por um segundo. — Não se preocupem, estou bem. E Ana me chamou pra ir em uma festa hoje.
— E você vai?
— É claro. — Olhei a hora no relógio de parede da sala. — Aliás, preciso me arrumar.
Dei um sorriso para ela, me levantei e fui em direção as escadas.
— Ok. Talvez não voltemos hoje — Petter avisou enquanto eu subia os degraus.
— Sem problemas! Aproveitem! — gritei do topo das escadas.
Até eles têm encontros românticos, e eu?! Estou aqui, sem fazer nada, devido a um mísero contrato.
Entrei no meu quarto e me joguei na cama. Encarei o teto imaginando as possíveis chances de Henry assinar aquele contrato sem me conhecer. Inúmeras possibilidades passaram pela minha mente e dentre todas, a mais absurda: ele se apaixonar por mim. Era só loucura da mente de uma mulher carente, mas confesso que tê-lo visto de perto, despertou em mim algum tipo de sentimento. Continuei encarando o teto e não demorei para pegar no sono.
Acordei com o meu celular tocando e olhei o visor: Ana. Já são 1h da madrugada.
— Ana?
— Liz, vem pra cá! — ela soava bêbada.
— O Igor… O professor gostosão está com aquela Britney. — Sam gritou antes que Ana terminasse a frase.
Será que a Ana comentou alguma coisa com a Sam!?
— O que eu tenho com isso?
— Vem Liz, você nunca sai — ela gaguejou. — Preciso de ajuda com o Igor.
— Estamos naquela boate dos caras gostosões. — Sam gritou e elas começaram a rir. — Ela está tirando a roupa.
— Quem está tirando a roupa? — Meu Deus! Será que era a Ana?! — ANA, SAM. — Elas não responderam mais. — Não saiam daí. Já estou chegando. — Desliguei o celular e dei um pulo da cama.
Sem muito tempo pra pensar no que vestir, peguei um vestido azul justo, com um decote em V bastante generoso, com as costas abertas até a cintura, que eu estava guardando para uma ocasião especial. Como ela nunca chegou, resolvi usá-lo hoje. Encarei meus sapatos e escolhi calçar saltos pretos meia pata. Não poderia usar alguma coisa mais alta, pois não sabia o que me aguardava. Resolvi não abusar na maquiagem: apenas o essencial, olhos bem delineados, cílios marcantes e um batom vermelho carmesim, para realçar meus lábios.
Se o senhor McNight pode ir à balada como solteiro, então à senhora McNight vai ensinar que também sabe participar desse jogo.
Fui à garagem e entrei na Mercedes GLA, toda branca. Amava carros brancos e esse, eu havia comprado assim que fiz 18 anos. Odiava dirigir, mas no momento, era o que eu teria que fazer.
Cheguei à balada e uma fila imensa na entrada me fez bufar. Me lembrei de que não precisaria ficar na fila, já que a boate era do pai do Pedro, um amigo querido, e já fui tantas vezes naquele lugar, que os seguranças já me conheciam. Só era bem raro eu aparecer aqui. Sempre ia à casa do Pedro com a Ana. Ele tinha uma queda por ela, mas ela não via isso e ficava chorando pelos cantos pelo Igor.
Me aproximei da entrada.
— Senhorita Navarro! — assim que o segurança me cumprimentou, retribuí com um aceno de cabeça.
Ele liberou a passagem e entrei.
O lugar estava lotado, a música alta reverberava enquanto as luzes piscavam. Quando mexi na bolsa em busca do meu celular, me lembrei que ele estava no carro.
Voltei a minha atenção à música que estava tocando: – Alive, do Alok.
— É, Liz, que desatenta! — murmuro para mim mesma.
Sigo andando pela multidão, tentando não pisar no pé de ninguém, o que foi quase impossível.
— Licença! — gritei e algumas das pessoas abriram passagem.
Depois de alguns minutos, vi Ana e Sam, dançando com Igor e Pedro.
— Liz! Liz! — Ana gritou.
— Vocês estão bem?
— Viu, era só dizer que alguma de nós duas ia tirar a roupa que ela viria correndo! — Ana e Sam deram risada.
— Não acredito! Vocês jogaram sujo. — Torci o nariz.
— Não fique brava, Liz — Ana fez cara de coitada. — Você nunca sai.
— Vamos dançar. — Sam me puxou pelo braço e a Ana veio logo atrás.
Chegamos na pista e começamos a dançar. Eu mexia meu corpo conforme sentia as batidas da música. As minhas amigas já estavam bem loucas.
Já que o meu marido pode ir a uma boate, eu também posso. Ainda não o tinha visto, mas meus olhos procuravam por ele a cada oportunidade. Será que elas estavam falando a verdade ou só fizeram isso para eu vir até aqui? Pelo menos, elas conseguiram me tirar de casa.
Igor apareceu e começou a dançar comigo. A música invadiu o meu corpo todo, me fazendo dançar no ritmo certo.
Voltei a procurar por ele outra vez. Olhei na parte de cima da boate, havia um homem de costas que me chamou atenção. Ele estava usando uma camisa branca e uma calça jeans preta que marcava todo o seu corpo. E a propósito, é muito lindo.
Ele se virou, nossos olhos se encontraram, então perdi o fôlego.
Henry me encarava com intensidade, mas seu cenho estava franzido, dando a ele um aspecto sisudo de quem não gostou nem um pouco de me ver dançando nesta boate.
Igor me tirou do transe, me oferecendo uma bebida.
— Toma, você vai gostar. — Peguei o copo da sua mão e tomei tudo em um gole só. — Calma — Igor gritou em meu ouvido.
Peguei o copo da Ana e da Sam e tomei cada bebida em apenas um gole. Meu corpo todo esquentou e aos poucos a minha visão foi ficando um pouco turva, enquanto uma alegria começou a me invadir.
