Capítulo 4 Capítulo - 04 - Liz Navarro

Olhei para o mesmo lugar em que Henry deveria estar, e para minha surpresa, ele já havia sumido. 

Outro cara começou a dançar comigo, mas não me virei para ver quem é. Ele apenas acompanhava o meu ritmo, a bebida já estava fazendo efeito. Começamos a dançar bem grudados. Ele segurou minha cintura e comecei a rebolar em seu pau, então percebi que ele estava bem excitado. Quando me virei, me deparei com um cara lindo, olhos cor de mel e um cavanhaque. Meu Deus! Nossos lábios se tocaram no mesmo instante. 

Que beijo gostoso! Faz tempo que não beijo ninguém. Aliás, eu só beijei uma única vez, no segundo ano do ensino médio, quando estava com 16 anos. Depois que beijei o Edward, nunca mais beijei ninguém. 

Naquele momento, alguém esbarrou em mim e assim que me virei para reclamar e xingar a pessoa que estava me atrapalhando, senti algo gelado no meu corpo. Sim. Fico toda molhada, e não do jeito legal. Não vejo o rosto da pessoa, apenas fecho meus olhos e respiro fundo. 

Quando abro meus olhos, é ele! 

— Me desculpa — ele proferiu no meu ouvido, — senhorita Navarro! — fecho meus olhos outra vez. — Você está bem? 

Que voz esse homem tem. Porra, Henry! Tinha que ser você. 

— Ah, claro! Estou perfeitamente bem — retruquei, abrindo meus olhos. 

— Venha! — ele segurou a minha mão e me guiou. Senti um choque quando ele encostou em mim. — Deixa que eu te ajudo. 

Olhei para trás em busca do meu companheiro de dança, mas ele já não estava mais no mesmo lugar. 

Henry me levou até o bar e não sei de onde tirou o pano que começou a usar para me secar. Quando sua mão chegou entre os meus seios, simplesmente me encarou e meu corpo todo se arrepiou com o seu toque. 

— Me dê aqui! — peguei o pano da sua mão e, enquanto terminava de me secar, ele apenas me observava com os olhos estreitos. 

— Me desculpa? — ele faz uma cara de piedade. 

— Dá licença! — não respondi mais nada, apenas saí por entre a multidão, procurando pelo desconhecido dos lábios de mel. 

— Liz, Liz, Liz... — ele continuou me chamando. 

Encontrei as minhas amigas. 

— O que aconteceu? — Ana perguntou, apontando para o meu vestido. 

— O idiota do McNight derrubou a bebida em mim. 

— Como foi isso? 

— Eu estava beijando um cara lindo — sorrio quando lembro dele. — Alguém esbarrou em mim e, quando me virei para xingar a pessoa que tinha feito isso, fui surpreendida por algo gelado no meu corpo. 

— Ele está te querendo — afirmou, com ar divertido.  

— Para de falar asneira, Ana. 

— Está sim. Se não tivesse, ele não teria interrompido o seu beijo com esse cara. 

Ana até pode estar certa, só que ele não me conhece e não sabe o tipo de relação que temos de verdade. 

Ficamos mais um pouco na boate, até percebermos que já eram quase 5h da manhã. 

— Vamos! Estou exausta — Sam nos chamou. 

— Você vai com a gente, Liz? — Igor perguntou, assim que chegamos ao estacionamento. 

— Não, eu vim de carro. 

— E está bem pra dirigir? — indagou e respondi, assentindo. — Então, até segunda.  

Depois de nos despedirmos, eles entraram no carro e saíram. Entrei no meu veículo e parei alguns segundo, descansando a cabeça no encosto do banco, enquanto pensava no que tinha acontecido naquela noite.  

Levei um susto quando alguém bateu na janela do meu carro. Fiquei surpresa quando abri meus olhos e dei de cara com Henry. Fiz sinal com as mãos para perguntar o que ele queria, mas apenas recebi um sinal para que eu abaixasse os vidros. 

— O que você quer? — revirei os olhos assim que perguntei. 

— Poderia me dar uma carona? — perguntou, com um meio-sorriso. 

— Isso já é demais, né?! 

Ele alargou o sorriso, ficando ainda mais lindo. 

— Meu carro não quer funcionar — objetou, apontando para o veículo parado logo à frente. 

— Peça um táxi.

— Perdi minha carteira. 

Uma parte de mim, queria dar a carona, mas a outra parte não queria. Poderia deixá-lo aí, claro, mas será que a minha consciência ficaria pesada? 

— Senhorita Navarro! — ele estalou os dedos na minha frente e só então saí do meu transe. 

— Com uma condição. 

— Qual? 

— Não iremos conversar — afirmei. 

— Nossa! Tudo bem. 

— Entre — ordenei. 

Ele deu a volta e entrou, sentando-se ao meu lado. Respirei fundo, ajustei-me no banco e dei partida, saindo do estacionamento da boate a contragosto, com meu marido desconhecido, que agora resolveu estar em todo lugar que eu vou. 

— Lindo carro — declarou, me encarando.  

Revirei os olhos e o ignorei. 

— Ok! Já entendi. — Ergue as mãos em forma de rendição. 

— Coloca no GPS o seu endereço — pedi e evitei o encarar. 

— Eu poderia ir te guiando — lancei um olhar mortal. — Faz pouco tempo que me mudei, não sei os nomes das ruas aqui. — O silêncio se fez presente por alguns segundos, antes que ele continuasse: — Você é sempre assim? 

— Assim como? 

— Estressada. Pavio curto — declarou, olhando para a estrada. 

— Se continuar falando, vou te largar em qualquer lugar aqui. — Respirei fundo. 

— Ficarei feliz se responder a minha pergunta. 

— Não sou obrigada a te responder. Exceto, se estiver em uma das suas aulas e, pelo que vejo, não estamos em aula alguma. 

— Tenho certeza de que se estivéssemos em uma sala de aula, você já teria sido castigada! 

Meu rosto esquentou quando ele usou essas palavras. 

— Não precisa ficar corada! — ele sorriu. Que debochado!

— Falta muito? — Tentei mudar de assunto. 

— Mais umas duas quadras. 

Muitas coisas passaram pela minha cabeça, mas uma delas era que ele não se dava ao respeito, sendo um homem casado. Mas tudo bem, eu entraria no seu jogo. Usaria isso ao meu favor e queria só ver se ele não assinaria o divórcio. 

— O próximo condomínio. — Aponta mais adiante. — Aqui! — Parei o carro, mas ele continuou sentado. — Você não vai descer? Pode entrar se quiser. 

— Não, obrigada. 

— Tenho certeza de que você não vai se arrepender. — Havia malícia naquele olhar. 

— Não posso, sou uma mulher casada. — Sua expressão voltou a ficar séria. 

— Você não é muito jovem para isso? — falou, descendo do carro, e se apoiou na janela. 

— A vida me obrigou. 

— E como o seu marido deixa você sair assim, sozinha? 

— Isso não é da sua conta! 

Ele ficou pensativo por um instante. 

— Até amanhã. 

Para variar, eu não o respondi, apenas arranquei o carro com tudo. Olhei pelo retrovisor e ele continuou me encarando.

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