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Fred olhou assustado para a plateia, aparentemente procurando a pessoa que o chamou. Continuei sentada, lançando-lhe um olhar severo e esperando que ele respondesse a mim.

"Quem quer falar comigo?" Fred perguntou, parecendo curioso.

A sala ficou em silêncio, e todos os olhos se voltaram para mim. Continuei encarando Fred, com uma expressão determinada no rosto, pronta para confrontá-lo.

Finalmente, Fred pareceu me notar, e seus olhos encontraram os meus. Havia uma mistura de confusão e reconhecimento em seu olhar, como se ele estivesse tentando lembrar de onde me conhecia.

"Luana Andrade," respondi firmemente, levantando-me da cadeira. "Você se lembra desse nome, Fred Oliver?"

A plateia agora estava claramente interessada no que estava acontecendo. Alguns sussurros e murmúrios começaram a se espalhar enquanto Fred tentava processar a situação.

"Luana Andrade," ele repetiu, estreitando os olhos enquanto tentava ligar os pontos. "Desculpe, mas não estou lembrando..."

"Claro que você não lembra," eu disse com um toque de sarcasmo. "Porque, para você, eu não era nada mais do que uma estudante bolsista que você cortou sem coração."

A tensão na sala aumentou à medida que as pessoas percebiam o que estava acontecendo. Fred agora parecia desconfortável, sabendo que estava cercado pela atenção de todos.

"Vamos, Fred," continuei, minha voz tremendo de raiva contida. "Você pode não lembrar do meu rosto, mas eu lembro de você e do que você fez. Você destruiu meu futuro, e agora tem que enfrentar as consequências disso."

Fred Oliver estava encurralado, e eu estava determinada a fazê-lo reconhecer o impacto de suas ações na minha vida.

"Como eu cortei sua bolsa? Tenho certeza de que há algum engano nessa informação, senhora," ele respondeu, ainda confuso.

Antes que eu pudesse caminhar em direção ao palco, meus amigos me seguraram.

"Nana, por favor, não continue," Helô implorou.

Eu não ouvi ninguém; estava cega de raiva e queria confrontar Fred a qualquer custo. Nada me pararia. Aproximei-me do palco e continuei.

"Como você ousa negar, Fred Oliver?" exclamei com fúria, ignorando os pedidos de Helô e dos meus amigos enquanto tentavam me segurar. "Você acha que pode simplesmente cortar a bolsa de alguém e seguir com sua vida como se nada tivesse acontecido?"

A plateia agora estava completamente absorta na cena, e havia um murmúrio crescente enquanto as pessoas tentavam entender o que estava acontecendo.

Fred parecia estar lutando para encontrar uma resposta, sua expressão alternando entre confusão e preocupação.

"Acho que há um mal-entendido aqui," ele finalmente disse, sua voz soando incerta. "Eu realmente não lembro de ter cortado a bolsa de ninguém."

"Ah, você não lembra?" gritei, minha raiva fervendo. "Claro, é fácil para você esquecer a vida que destruiu. Mas eu nunca esqueci. Você arruinou meus sonhos, Fred Oliver!"

As palavras saíam de mim como uma torrente, e eu não conseguia parar. Meus amigos continuavam tentando me conter, mas eu estava determinada a fazer Fred enfrentar a verdade.

"Foi você," continuei, minha voz mais baixa, mas carregada de emoção. "Você tirou minha bolsa, e eu tive que deixar a faculdade. Minha vida inteira mudou por sua causa."

Fred finalmente parecia perceber a seriedade da situação, e seus olhos se encheram de remorso.

"Desculpe," ele murmurou, sua voz cheia de arrependimento. "Se eu realmente fiz algo tão terrível, peço desculpas do fundo do coração. Mas eu não me lembro disso."

Eu sabia que confrontar Fred não resolveria todos os meus problemas, mas pelo menos ele estava começando a reconhecer a dor que causou. Olhei ao redor e percebi que toda a sala estava assistindo à nossa conversa com interesse.

"Eu só queria que você soubesse o que fez," eu disse, minha voz mais calma agora. "E espero que pense duas vezes antes de prejudicar a vida de outra pessoa no futuro."

Com essas palavras, me virei e saí do local, deixando para trás um Fred Oliver atordoado e uma plateia silenciosa. Meus amigos me seguiram, e enquanto saíamos, finalmente senti um peso sendo tirado dos meus ombros. Eu havia confrontado meu inimigo, e ele sabia o que tinha feito.

Caminhei o mais rápido possível; não queria ouvir nenhuma pergunta dos meus amigos.

Entrei em uma sala aleatória e esperei até que eles não pudessem me encontrar. Quando tive certeza de que não conseguiriam, fui para o estacionamento. No entanto, assim que vi o carro de Fred estacionado na minha frente, uma ideia louca passou pela minha cabeça.

Peguei a chave do meu carro e comecei a arranhar o carro daquele idiota. Depois de arranhar a lateral do carro, tirei meu batom e comecei a escrever alguns insultos. Mas antes que eu pudesse terminar, a janela do carro começou a descer, revelando um Fred furioso, que não conseguia entender o que eu estava fazendo.

Meu coração disparou quando vi a janela do carro de Fred descendo, revelando seu olhar furioso. Era como se eu tivesse sido pega no flagra e não tivesse para onde correr.

Fred saiu do carro e se aproximou de mim, sua expressão uma mistura de choque e indignação. Ele olhou para o dano que eu tinha feito no carro dele e depois para as palavras ofensivas que eu tinha escrito com meu batom.

"O que você está fazendo, garota?" ele perguntou, sua voz incrédula.

Eu não tinha palavras para explicar meu comportamento impulsivo e raivoso. Naquele momento, tudo o que eu conseguia pensar era em quanto ele tinha arruinado minha vida, e essa era minha maneira inadequada de extravasar minha frustração.

"Você arruinou minha vida," murmurei, minha voz carregada de emoção. "Você merece pelo menos um pouco do que eu passei."

Fred parecia confuso, como se ainda estivesse tentando entender o motivo da minha raiva. Ele olhou para mim por um momento antes de suspirar profundamente.

"Eu sei que não posso mudar o que aconteceu no passado," ele disse sinceramente. "Mas eu realmente sinto muito por qualquer dor que eu possa ter causado a você. Destruir meu carro não vai mudar o que aconteceu; eu realmente não sei do que você está falando."

Ele está me chamando de louca? Esse cara não tem ideia com quem está lidando.

"Você vai pagar pelo que fez comigo, Fred Oliver!" exclamei, sentindo a raiva me consumir novamente.

"Faça o que achar melhor, garota, mas eu não tenho ideia do que você está falando. Minha empresa nunca cortou a bolsa de ninguém. E agora eu preciso ir," ele disse, virando-se para sair.

Esse cara está tentando se fazer de bobo, fingindo não saber do que estou falando. Não sei por que olhei dentro do carro dele e vi algemas no banco do carro.

Em um movimento rápido, peguei as algemas e coloquei no pulso dele, conectando-as ao meu quando ele ameaçou sair sem admitir seu erro.

Minhas ações impulsivas me surpreenderam tanto quanto a Fred. Eu não planejava usar as algemas que encontrei no carro dele, mas no calor do momento, minha raiva e determinação me levaram a fazer isso. Agora, Fred e eu estávamos fisicamente conectados pelas algemas, e ele não tinha escolha a não ser enfrentar a situação que eu estava criando.

Fred olhou para as algemas em choque, seus olhos se arregalando de surpresa. Ele tentou puxar o braço, mas as algemas estavam firmes em nossos pulsos.

"O que você está fazendo?" ele exclamou, claramente perplexo.

"Você vai ouvir o que eu tenho a dizer, Fred Oliver!" eu disse firmemente. "Não vou deixar você sair até admitir o que fez com minha bolsa."

Fred agora parecia mais preocupado do que zangado. Ele olhou ao redor, percebendo que estávamos atraindo a atenção dos curiosos no estacionamento.

"Essa não é a maneira de resolver as coisas," ele respondeu, tentando manter a calma.

"Eu não tive escolha," retruquei, minha raiva ainda presente. "Você está fingindo não saber do que estou falando, e eu não vou deixar você escapar impune."

"Garota, que loucura é essa? Por que você fez isso? Eu não tenho a chave dessas algemas."

Como alguém anda por aí com algemas sem as chaves?

A situação que eu criei estava se tornando cada vez mais constrangedora e complicada. Fred Oliver olhou para as algemas em seus pulsos com uma expressão de raiva e descrença, deixando claro que ele não tinha a chave para destravá-las.

Eu estava começando a perceber que minhas ações impulsivas estavam levando a uma situação difícil de desfazer, e os olhares curiosos das pessoas ao nosso redor só pioravam tudo.

"Garota, que loucura é essa?" Fred repetiu, visivelmente frustrado. "Por que você fez isso? Eu não tenho a chave dessas algemas."

Eu me senti encurralada por um momento. Minha raiva inicial me levou a agir impulsivamente, mas agora eu estava começando a perceber que não tinha pensado nas consequências dessa ação. Não só estávamos presos juntos, como também estávamos em um estacionamento público, e a situação estava se tornando cada vez mais embaraçosa.

Eu precisava encontrar uma maneira de resolver isso sem perder completamente a compostura.

"Olha, Fred, eu entendo que isso foi um erro," eu disse, tentando manter a calma. "Eu estava apenas muito chateada com o que aconteceu no passado, e minha raiva tomou conta de mim. Vamos encontrar uma maneira de resolver isso, ok?"

"Eu tenho uma reunião agora. O que vamos fazer?" ele disse, parecendo mais irritado ao lembrar da reunião. Agora, estamos em apuros!

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