Capítulo 1 1
"Bom dia, senhorita Ferrero" cumprimenta a comissária de bordo responsável por garantir que Emily seja bem atendida durante o voo.
"Bom dia. Vinho branco, por favor" pede Emily ao se sentar com elegância.
"Como ordenou, senhorita Ferrero" responde a comissária antes de se retirar.
"Senhorita Ferrero, se quiser descansar, o quarto é ideal para a senhora" aconselha seu segurança pessoal.
"Você está me vendo com cara de quem quer descansar?" pergunta ela, retirando com elegância seus óculos de luxo.
Seu segurança engole em seco.
"Lamento, senhorita Ferrero. Se precisar de algo, estou à sua disposição."
Emily o fulmina com o olhar, depois retoma a compostura, coloca os óculos de volta e recebe a taça de vinho branco.
Seu segurança pessoal se chama Jimmy Will e foi contratado por Zac em uma agência especializada em proteção.
Neste momento, Emily viaja para a Grécia. Era seu sonho conhecer esse lugar e, embora o voo seja um pouco longo, ela tenta relaxar.
Horas depois, o avião pousa e Emily está ansiosa para tocar o solo.
Jimmy a ajuda a descer as três escadas e depois caminha com ela até o carro que a levará ao hotel de luxo onde vai se hospedar.
Para Emily, é um sonho se tornando realidade, embora ela não demonstre sua felicidade, pois seu temperamento é frio. Por dentro, ela deseja pular de emoção. O hotel é uma maravilha com vista para o mar azul, exatamente como ela desejava.
"Meu quarto é o do lado, senhorita Ferrero. Se precisar de algo, estarei atento ao seu chamado. Aproveite sua estadia" diz Jimmy sorrindo, perdido na beleza de Emily.
"Saia do meu quarto!" ordena ela, arrogante.
Ao ficar sozinha, ela tira os finos saltos altos e depois o casaco. O apartamento está escuro, a única iluminação vem do brilho da bela lua.
É exatamente assim que ela quer ficar: na escuridão, para se entregar aos seus pensamentos.
Ao ver o minibar, ela se aproxima, escolhe o melhor vinho, serve-se um pouco e caminha até a varanda. O ar fresco e a vista maravilhosa do mar fazem aquele sentimento de dor voltar. Ela bebe um gole de vinho, fixa o olhar no mar novamente, ouvindo o som das ondas, onde sente ainda mais melancolia, e se pergunta: Por que ele morreu? Sua psicóloga havia recomendado que não iniciasse esses pensamentos para não voltar ao fundo do poço, mas ela sente saudade. Sente falta do homem que a fez sua uma e outra vez.
Ela balança a cabeça ao sentir uma lágrima escorrer por sua bochecha direita e decide ir para o quarto. Ao levantar o olhar, fica paralisada ao ver uma figura masculina sentada na poltrona, com as pernas cruzadas.
Imediatamente Emily deixa a taça de vinho cair pelo impacto. Ela não consegue ver o rosto dele com precisão, e um calafrio percorre seu corpo.
"Quem é você?" pergunta, recuando com cautela por causa do medo.
"Emily..." Essa voz, Emily a conhece perfeitamente.
"Você..." aponta ela, com a mão trêmula e sentindo o coração bater forte.
"Emily..." ele volta a sussurrar seu nome. Aquela voz tão máscula provoca uma onda de calor pelo corpo dela.
"Não se aproxime!" ordena ao perceber que ele se aproxima.
"Mas... Você está morto!" exclama ela, sentindo que o coração vai sair pela boca.
"Não sei que porra estou fazendo aqui. Sou um maldito monstro. Quero que você me esqueça."
Emily não consegue ver o rosto dele com clareza, e isso a deixa ainda mais nervosa, porque não consegue acreditar. Ela acha que está alucinando.
Ao ter certeza de que é ele, o homem que a desarma, que a faz perder a sanidade, a quem entregou sua virgindade e que a fez ter centenas de orgasmos, ela quer abraçá-lo, beijá-lo, ter certeza de que é real e não sua imaginação.
"Pare, Emily!" ordena Teo, sempre tão autoritário.
"Como você pode me pedir para parar? Caralho, estou alucinando. Você foi enterrado!" ela balança a cabeça e recua.
"Eu fingi minha morte. Não quero que ninguém sinta pena de mim, muito menos você. Quero que viva sua vida, porra. Você é jovem, é uma mulher linda e bem-sucedida. Precisa tentar ficar com outra pessoa. Por acaso pretende passar o resto da sua maldita vida sozinha?"
"Você enlouqueceu? Sabe que da última vez que estivemos frente a frente naquele maldito incêndio, você entendeu que está no meu coração."
"Besteira, Emily. Só você vai saber que não estou morto. E a razão principal pela qual estou aqui na sua frente é para te dizer que me esqueça."
"Como você pode ser tão cruel?" Ela se aproxima, mas Teo se levanta imediatamente.
"Mais um passo e eu vou embora!"
"Você perdeu a cabeça?" Emily sente uma vontade enorme de se aproximar ainda mais.
"Quem está perdendo a cabeça é você, se agarrando a mim. Quero deixar claro que nunca te amei. O que senti por você foi apenas atração."
"Mentira!!" rosna ela, sentindo o coração em pedaços. Ele é a única pessoa que consegue ver sua fraqueza.
"Estou sendo sincero. Viva sua grande vida, não espere os anos passarem e nenhum homem olhar para você."
"Por que diabos você aparece do nada, sem se importar com o que eu sinto? Por acaso não sabe todos os traumas que eu senti pela sua maldita perda?"
"Eu sei de tudo... E é por isso que quero te dizer para viver sua vida. Nunca mais vou aparecer."
Teo caminha em direção à porta, mas Emily não quer desistir. Ela o segura pela mão imediatamente e, ao sentir seu toque, Teo sente um calafrio percorrer o corpo.
"Não vá embora. Fica. Me faz sua mais uma vez" suplica ela, deixando a raiva de lado. "Deixa eu te ver, quero te ver, quero te beijar, quero te sentir."
Teo coloca as mãos no rosto de Emily e ambos sentem a respiração um do outro.
"Não podemos voltar a ficar juntos. Sou um homem que alguém pode ver e se assustar com minha aparência. Você é uma garota para mim, nossa diferença de idade seria um pecado."
