Capítulo 3 3
"Teo!!" soltou um grito doloroso, mas o homem não voltou, foi embora deixando-a sozinha novamente.
O segurança Will, ao ouvir os gritos de sua chefe, pega sua arma e corre para o quarto de Emily, que está no chão chorando inconsolavelmente e com o pé sangrando muito.
"Chefe!"
"Me deixa sozinha!" rosnou Emily, porque está nua.
Mas o dever de Will é zelar pela segurança de Emily; essa foi a regra número um que o senhor Zac Ferrero, pai de Emily, estabeleceu para ele.
Ele se aproxima e a pega nos braços, momento em que percebe que ela está nua. "Me solta, maldito imbecil!" Ela descarrega sua fúria nele, mas o homem não presta atenção. Em silêncio, ele a senta no sofá, corre até o quarto, pega o lençol e volta para cobri-la.
"Você está demitido!" Emily o aponta ao ver sua silhueta, mas ele faz ouvidos moucos e acende as luzes rapidamente.
Ao ver o sangramento de Emily, ele corre para buscar um kit de primeiros socorros para tratá-la. "Não me toca!" Emily sente seu coração arder.
"Senhorita, você pode me demitir quantas vezes quiser, mas não foi você quem me contratou, foi o seu pai. E, mesmo que não queira, eu vou cuidar desse ferimento. Se não quiser me dizer o que aconteceu, eu entendo."
"Não se meta na minha vida! E não quero que conte nada ao meu pai, senão, eu juro que faço da sua vida um maldito inferno." Emily se cobre com o lençol e aperta os lábios ao sentir o álcool correr pelo ferimento, causando uma ardência insuportável.
Will é muito dedicado ao limpá-la e depois cobrir a ferida para que não infeccione. "Está se sentindo melhor?" pergunta, recolhendo os pedaços de algodão cheios de sangue.
Mas ela não responde; cobre o rosto com as mãos e se amaldiçoa por ter estado com Teo e por ter sido pisoteada daquela maneira.
O segurança começa a recolher os vidros para que ela não se machuque de novo e deixa tudo como se nada tivesse acontecido, embora Emily não pare de chorar. "Senhorita Emily... se quiser conversar..."
"Saia do meu quarto!" ordena, sem olhá-lo nos olhos.
Will suspira pesado e vai embora, mas sai em busca de respostas. Ele precisa saber: quem causou aquilo à sua chefe? Por isso, ele se dirige à sala de segurança do hotel.
"Eu te odeio, Teo! Como pôde fazer isso comigo?" Ela cobre a boca para abafar os gritos. "Eu vou te esquecer, maldição!" Ela se enche de ódio; quando pensou que o homem que amava estava morto, sentia sua falta, mas agora não quer vê-lo nunca mais.
Emily não passa uma boa noite; ela se atreveu a beber uísque até perder a consciência.
No dia seguinte, Will bate insistentemente na porta, mas Emily, que está como uma alma penada, não fala; mantém-se em silêncio, com o olhar fixo no mar.
Ela passa o dia todo trancada no quarto, sem tocar em um pedaço de comida sequer. E, ao cair da noite novamente, veste um vestido preto que vai até os joelhos e sai do quarto, onde Will se manteve de pé bem junto à porta.
"Senhorita...!"
"Não quero que me siga", ordena ela, caminhando com dificuldade; a planta do pé arde.
Emily continua caminhando até sair do hotel, e Will a segue a uma certa distância.
O objetivo de Emily é mergulhar no mar para deixar seu passado para trás ali, e isso inclui enterrar Teo Evans.
Ela entra devagar, sentindo a água começar a cobrir suas pernas; caminha mais e a água salgada faz seu ferimento arder, mas ela não se importa. Continua caminhando até cobrir o corpo por completo e permanece ali, prendendo a respiração.
Will passa as mãos pela cabeça, preocupado que ela possa se afogar em sua loucura, e hesita se deve entrar ou não.
Ele conta mentalmente o tempo que alguém sem experiência consegue aguentar debaixo d'água. Mas, ao chegar perto de um minuto: "Caramba!" exalta-se ao ver que ela não volta à superfície.
Ele caminha desesperado em direção ao mar, mas, para sua surpresa, Emily emerge com a cabeça baixa.
Por isso, ele para e se esconde para lhe dar espaço. "Agora sim, você morreu para mim!"
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1 mês depois...
Emily está em seu escritório, passando horas extras trabalhando para ser a grande CEO que sempre quis, uma empresária profissional.
Batem à porta do escritório. "Entre", ordena Emily, continuando a digitar em seu notebook.
Sua secretária entra. "Chefe Ferrero, seu pai está procurando pela senhora."
"Estou ocupada...", responde sem dar importância.
"Mas... sua mãe também está aqui, e diz que não vai embora até falar com a senhora." A secretária engole em seco.
"Eu disse que estou ocupada, não me desconcentre."
"Como ordenar, chefe." A secretária sai do escritório e olha para o senhor e a senhora Ferrero. "Des-desculpem... a senhorita está ocupada."
"O quê? Isso é uma piada?" A mãe de Emily, Katerin Ferrero, entra no escritório muito irritada. "Emily!" menciona o nome dela com muito desagrado.
"Deixe esse notebook de lado e olhe para os seus pais!" ordena Zac com determinação.
Emily suspira e fecha o notebook. "Pai, por favor, não grite, estou com dor de cabeça."
"O que você está fazendo da sua vida?" pergunta sua mãe, preocupada.
"Trabalhando, mãe. Se eu não fizer isso, não alcançarei minhas metas."
"Mas você está pálida, Emily. Quero minha filha de volta, não gosto no que você se tornou. E eu te avisei, Zac, ela não está pronta para isso." Olha para o pai com desagrado.
"Eu estou pronta, mãe! Por isso tenho este cargo e consegui comandar uma grande empresa. Pais, por favor, não quero discutir, eu lhes suplico."
"Estamos nos preocupando com você! Você não vai mais nos visitar e, além do mais, está com uma aparência abatida." Zac dá uma olhada nela.
"Eu estou..." Emily sente uma onda de náusea; por isso, sai correndo em direção ao seu banheiro privativo, e seus pais a escutam vomitar.
