Capítulo 3

Quase soltei uma risada.

Eu vinha cuidando das contas da empresa de cabeça baixa, fazendo meu trabalho havia anos. A quem exatamente eu tinha prejudicado?

Minha expressão esfriou por completo. Depois de todos esses anos no mercado de trabalho, eu ainda tinha autoridade suficiente para fazer uma sala inteira se calar.

— Chloe, se você vai acusar alguém de desvio de dinheiro, precisa de provas. Se continuar gritando no escritório e me difamando, vou pedir ao meu advogado que lhe envie uma notificação extrajudicial e vou processá-la por difamação.

Sinceramente, qualquer pessoa com meio cérebro conseguia enxergar a politicagem por trás daquela situação. Quanto ao motivo de ela estar tão obcecada em vir atrás de mim, quem sabia que jogo ela estava realmente jogando?

Alguns colegas mais sensatos finalmente não conseguiram mais se conter e falaram em minha defesa.

— Chloe, talvez seja melhor deixar isso pra lá. O Arthur costuma ser bem responsável. Talvez o orçamento da empresa realmente tenha mudado.

No segundo em que alguém me defendeu, Chloe olhou para a pessoa como se ela não tivesse mais salvação.

— Estou lutando pelos direitos de vocês, e é assim que agem? Vocês todos têm síndrome de Estocolmo ou coisa parecida? Por que estão defendendo um capacho da diretoria?

A colega que tinha falado franziu a testa e depois se calou.

Eu não tinha o menor interesse em desperdiçar mais energia com aquele drama corporativo ridículo.

Levantei-me e olhei para ela de cima.

— O que exatamente você quer?

Ela interpretou minha pergunta como um sinal de que eu estava recuando.

Um sorriso presunçoso se curvou em seus lábios.

— Simples. Devolva cada centavo que você embolsou com essas notas fiscais falsas e propinas.

Então ela puxou o celular, abriu o Venmo e enfiou o QR code bem na minha frente.

— Pode começar pela minha parte.

Dei um sorriso duro para o celular dela e o afastei.

— Vou dizer isso uma última vez. Eu não tirei um único dólar desta empresa.

— Acredite se quiser.

Com isso, peguei meu paletó do encosto da cadeira e saí.

Até Richard voltar, não havia a menor chance de eu passar mais um segundo sequer naquele escritório.

Enquanto eu estava lá embaixo comprando um Americano gelado no Starbucks, rolei o LinkedIn e meus outros aplicativos sociais sem muita preocupação.

E lá estava, quase de imediato — um TikTok que Chloe tinha postado como se fosse algum tipo de discurso de vitória.

No vídeo, ela estava com a maquiagem impecável e uma manchete feita para chamar atenção:

[Aviso do ambiente corporativo de Wall Street: desmascarei meu chefe por receber propina bem no escritório, e ele fugiu com o rabo entre as pernas. Mais um dia limpando ambientes de trabalho tóxicos como a guerreira que eu sou.]

Deixei escapar uma risada fria.

Idiotas assim, inventando mentiras por atenção, realmente não faziam ideia do tamanho da encrenca em que estavam se metendo.

Na manhã seguinte,

eu mal tinha batido o ponto quando o CEO Richard me chamou para a sala dele.

No instante em que empurrei a porta de vidro fosco, vi que Chloe já estava lá dentro.

Richard me encarou e, na mesma hora, caiu matando em cima de mim.

— Arthur! A empresa confiou a você este evento com o cliente e é assim que você nos retribui?

— Você transformou um problema de orçamento num caos que tomou o escritório inteiro. Desse jeito, talvez nem devesse ser diretor financeiro!

Meu coração afundou ali mesmo. Richard estava me esculachando em público, mas o que ele realmente queria era óbvio — queria que eu levasse a culpa sozinho.

Ele não podia admitir para a equipe que tinha reduzido o orçamento às escondidas e se feito passar por um CEO mão-de-vaca, mas também não queria abrir mão da pechincha de usar o restaurante da minha família.

O sujeito estava fazendo jogo duplo com tanta força que provavelmente a ilha inteira de Manhattan dava pra ouvir.

Chloe ficou de lado, com a satisfação brilhando nos olhos. Devia achar que tinha mesmo ajudado a derrubar um executivo.

Puxei o ar devagar e não expus Richard ali na hora.

— A culpa foi minha — eu disse, num tom controlado. — Eu deveria ter explicado com mais clareza, com antecedência, a redução do orçamento do evento, para esse mal-entendido não ter acontecido.

Eu me adiantei e assumi a “culpa” primeiro; então parei e acrescentei:

— Mas cada item do orçamento passa numa auditoria. Ninguém mexeu na verba de bônus, e não houve propina.

A expressão de Richard relaxou um pouco.

Ele tinha acabado de abrir a boca, claramente pronto para seguir o meu gancho, quando Chloe se meteu de novo.

— Arthur, isso não prova nada. Se o restaurante é de um parente seu, então o contrato e os registros de pagamento continuam sendo… o que você disser que são.

Com isso, o olhar de Richard deslizou para mim com uma ponta de desconfiança.

Quando o dinheiro apertava, executivos sempre ficavam mais paranoicos.

Chloe continuou, toda cheia de si.

— Eu já verifiquei custos de mão de obra e índices de perda de alimentos de restaurantes finos comparáveis em Nova York. Mesmo nessa sua suposta base de custo, você ainda poderia estar tirando pelo menos trinta por cento por fora.

— Richard, eu só estou dizendo isso porque me importo com a saúde financeira da empresa…

Eu finalmente a interrompi.

— Então, Chloe, o que você está dizendo é que, em qualquer lugar de Nova York, dá para marcar facilmente um jantar de agradecimento de alto padrão para cento e vinte pessoas, com um orçamento minúsculo, e ainda assim proporcionar ao cliente uma experiência incrível. É isso?

Sem hesitar, ela assentiu.

Perfeito.

Se a nova estagiária estava tão ansiosa para roubar os holofotes, então, como supervisor dela, o mínimo que eu podia fazer era dar essa oportunidade.

— Ótimo. Já que eu claramente não dou conta da tarefa, vou passar todo o jantar com o cliente para a nossa estagiária, Chloe. Ela pode assumir toda a responsabilidade.

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