Capítulo 3

— Acho que isso faz de mim uma irmãzinha muito bem protegida — eu ri, sabendo que meu comentário arrancaria um sorriso dele. E arrancou; ele sorriu, radiante de orgulho.

Brady me ajudou a levar minhas coisas para o andar de cima, aproveitando a oportunidade para me mostrar nossa nova casa.

A casa era bem espaçosa, com sete quartos — quatro deles com banheiro privativo —, seis banheiros no total, duas cozinhas, uma sala de jantar, uma sala de estar, uma sala de entretenimento (que Brady declarou com orgulho ser a favorita dele), uma lavanderia e dois escritórios. Um escritório pertencia ao papai e à Bella, enquanto o outro era destinado a mim e ao Brady.

“Por que precisamos de um escritório?”, você pode estar se perguntando. Bem, acontece que meu novo irmão é tão aluno nota dez quanto eu, mas ele acha difícil se concentrar no próprio quarto. Então, ele faz todo o dever de escola no escritório, o que permite que tenha mais liberdade fora daquele espaço. Na verdade, é um arranjo brilhante.

Chegamos ao quarto reservado para mim, e tive uma agradável surpresa. Eu não esperava que ele já estivesse decorado — e não com qualquer decoração, mas com uma feita especificamente para o meu gosto.

As paredes estavam pintadas em diferentes tons de rosa e lavanda, com o teto adornado com motivos de borboletas. Até o banheiro seguia o mesmo tema, e o closet era tão grande quanto meu antigo quarto na casa da tia.

— Obviamente, o papai não é muito bom com esse tipo de coisa, então mamãe e eu cuidamos da decoração para você. Gostou? — Brady perguntou, olhando para mim com expectativa.

Fiquei surpresa ao perceber que ouvi-lo chamar meu pai de “papai” não me incomodava nem um pouco.

— Eu amei, mas como você sabia das minhas preferências? — perguntei, genuinamente curiosa.

— O papai comentou que você gosta de rosa e roxo, e que borboletas são seu animal favorito — ou teve uma discussão sobre se borboleta conta como animal, já que tecnicamente é um inseto, mas enfim — explicou ele, falando rápido, como se tentasse dizer tudo de uma vez só.

— Brady, devagar. Eu não vou a lugar nenhum. Você não precisa falar tudo correndo — provoquei de leve.

As bochechas dele ficaram vermelhas de novo. — Eu sei. Só não consigo acreditar que você finalmente está aqui. Crescer como filho único pode ser difícil, então ter você por perto é realmente muito empolgante para mim.

Sem conseguir resistir, eu o abracei. — Eu entendo exatamente o que você quer dizer, Brady. Mas não se preocupe, eu não vou a lugar nenhum.

— Promete? — ele perguntou, olhando para mim.

— Prometo — confirmei com um aceno de cabeça.

— Ótimo! Como a mamãe vai demorar um pouco, vamos te instalar primeiro. Depois posso te atualizar sobre tudo o que você precisa saber, especialmente sobre a escola — ele sorriu.

Abri um sorriso. — Nós vamos estudar na mesma escola?

Ele me lançou um olhar seco. — Agora que finalmente consegui trazer você para cá, você realmente achou que eu ia deixar você ir para uma escola diferente?

Corando, admiti: “É, eu devia ter percebido.”

“Claro que devia”, ele provocou, rindo quando eu resmunguei: “Cala a boca.” A risada dele acabou diminuindo, e começamos a arrumar meu quarto.

“Tá bom, eu não vou ditar com quem você deve andar, mas vou te avisar sobre as líderes de torcida. Elas são o estereótipo clássico das garotas maldosas, e você não parece ser do tipo que andaria com aquela turma. Todo o resto do pessoal é, no geral, tranquilo”, ele explicou enquanto eu guardava minhas roupas e ele pendurava minhas fotos.

“E os encrenqueiros?”, perguntei do closet.

“O cara mais popular e o grupo dele são rotulados como os encrenqueiros, mas isso é mais por causa de boatos. Eu não vi muita coisa além de um cigarro ou bebida de vez em quando”, ele respondeu.

“Entendi. E os estudos, como são?”, perguntei.

“Você vai ter todas as aulas comigo”, ele disse, praticamente pulando de animação.

Parecia que o entusiasmo de alguém estava prestes a explodir.

Por meio do Brady, descobri muito mais sobre a dinâmica dessa nova vida. Como era de se esperar, ele é esportista, joga futebol americano e anda com alguns dos outros atletas. Ele mencionou que planejava me apresentar numa festa para a qual iríamos no dia seguinte.

Quando Bella nos chamou para jantar, Brady e eu já estávamos bem entrosados, mas acabei estragando o humor dele sem querer. Não foi intencional; eu simplesmente confiava nele o bastante para compartilhar detalhes do meu passado, e ficou claro, pela reação dele, que ele tinha ficado abalado com o que eu havia passado.

“Brady, querido, você está bem?”, Bella perguntou, percebendo o estado do filho.

“Eu vou ficar”, ele murmurou. Bella e o papai olharam para mim, cheios de dúvida.

“Eu... contei para ele algumas coisas perturbadoras sobre o meu passado, antes de eu vir para cá”, admiti, nervosa. Compreensão e preocupação brilharam nos olhos deles.

“Você está segura aqui, abobrinha. Lembre-se disso”, papai me tranquilizou, segurando minha mão.

“Eu sei, pai”, sorri para ele, sentindo as lágrimas se acumularem.

“Estou aqui para você sempre que precisar de qualquer coisa, Lillian. Não vou te forçar a nada, mas estou disponível de dia ou de noite, certo?”, Bella disse com sinceridade.

“Obrigada”, sussurrei.

O resto do jantar foi passado conhecendo mais sobre Bella, já que eu já sabia bastante sobre Brady. Também tive alguns vislumbres da nova vida do papai. Depois do jantar, Brady e eu nos oferecemos para lavar a louça, enquanto Bella e papai subiam depois de nos desejarem boa-noite.

“Brady, você precisa se acalmar”, suspirei quando ele quase quebrou um prato de frustração.

“Não é justo, Lillian. Por que você teve que viver daquele jeito? Se alguém tinha que passar por isso, devia ter sido eu. Pelo menos eu teria conseguido me defender”, ele argumentou, exaltado.

“Eu entendo, Brady, mas isso tudo ficou no passado. O importante é que agora eu estou aqui com você, e isso é o que importa”, ressaltei com gentileza. Ele parou e se virou para mim, a expressão suavizando.

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