Capítulo 5
Quando entramos na rua, o ritmo pulsante da música ficou evidente. No fim da via erguia-se a casa, e suas vibrações já podiam ser sentidas à medida que nos aproximávamos.
Luzes de várias cores iluminavam a cena, e inúmeros veículos ocupavam a área do lado de fora, indicando que aquela festa seria inesquecível — e que os vizinhos deviam ter uma tolerância enorme para esse tipo de evento.
Brady estacionou o carro e deu a volta para me ajudar a sair. Parecia que todos perceberam nossa chegada; muitos olhos nos acompanharam, provavelmente por causa da nova BMW azul chamativa de Brady.
Ao entrar na casa lotada, nos vimos cercados por adolescentes em diferentes níveis de embriaguez. Senti uma estranha timidez ao perceber como eu estava vestida de forma modesta em comparação com os outros.
Por fim, chegamos ao cômodo onde os amigos de Brady estavam. Aquela festa estava sendo dada pelo aluno mais popular da minha nova escola, embora eu ainda não tivesse descoberto o nome dele. Claramente, ele não se preocupava com o incômodo causado por suas reuniões, e ninguém precisava de convite para aparecer.
— E aí, pessoal! — cumprimentou Brady. Ali, a música era menos invasiva.
— E aí, Izzy! Quem é a garota? — perguntou um rapaz de cabelo castanho, falando de forma levemente arrastada.
— Tira o olho, Milton. Essa é a minha irmãzinha — disse Brady, sentando-se em um sofá vazio. Eu me sentei ao lado dele.
— Eu sou Trent, e esses são Chuck, Freddy e Shane — apresentou-se um garoto de cabelo escuro e olhos cinzentos. Então, "Milton" na verdade era Chuck.
— Prazer em conhecer todos vocês. Eu sou Lillian — sorri.
— Prazer em te conhecer também! — disse Freddy.
— Izzy, eu não sabia que você tinha uma irmã. Vocês dois não se parecem muito — observou Chuck.
— É porque somos meio-irmãos por parte dos pais. Meu pai morreu quando eu tinha doze anos, e minha mãe se casou de novo. Ela se casou com o pai da Lillian — explicou Brady. A compreensão logo surgiu no grupo.
— Então onde você esteve esse tempo todo? — perguntou Trent.
— Eu morava com a minha mãe — respondi, deixando os detalhes vagos. Nesse momento, um grupo de garotas risonhas entrou no cômodo, me poupando de mais perguntas.
— Quer alguma coisa para beber? — Shane me perguntou. Olhei para Brady, que me respondeu com um aceno de aprovação.
Voltei-me para Shane.
— Quero.
Ele me ofereceu a mão, que eu aceitei, e me conduziu para fora do cômodo. Enquanto atravessávamos a multidão agitada, senti um toque indesejado de mãos atrevidas de alguém, sem que Shane percebesse.
— Essas coisas acontecem com frequência? — perguntei quando chegamos à cozinha.
Shane deu uma risadinha.
— O quê? Festas?
— É — assenti.
“Na verdade, não! Aliás, é estranho o anfitrião estar dando essa festa. Ele não costuma fazer festas, principalmente não desse tipo”, ele respondeu.
“O que você quer dizer com ‘desse tipo’?”, insisti.
“O que você quer beber?”, ele desconversou.
“Ah… refrigerante”, respondi. Ele assentiu e foi buscar uma lata para mim.
“O que eu quero dizer é que as festas dele costumam ser mais exclusivas, só com convite. Esse estilo de ‘todo mundo está convidado’ é incomum. Talvez ele esteja comemorando alguma coisa importante… ou talvez ele nem esteja aqui”, ele esclareceu.
Meus olhos se arregalaram. “Não está aqui? Então quem está dando a festa?”
Antes que Shane pudesse responder, o volume da música baixou, seguido por um guincho estridente. Apesar do som irritante, todo mundo pareceu entender o que estava acontecendo e foi em direção ao salão de jantar. Shane me conduziu junto, e logo estávamos espremidos para ver uma ruiva no palco, limpando a garganta.
“Bem-vindos, pessoal! Obrigada por terem vindo. Como vocês sabem, o Baile de Boas-Vindas está chegando, e a gente achou que seria legal fazer uma festa de pré-Boas-Vindas. Espero que aproveitem!”
A multidão explodiu em gritos e aplausos, fazendo o chão tremer com o entusiasmo. A empolgação era palpável. Me sentindo sobrecarregada, eu precisava de ar fresco e, felizmente, Shane entendeu. Ele me levou para fora, onde soltei um suspiro de alívio.
“Você não vai a muitas festas, vai?”, Shane comentou, perspicaz.
Corei. “Tão óbvio assim?”
“Um pouco”, ele riu.
“Eu costumava ir a festas de vez em quando, mas as coisas mudaram no último ano desde que perdi minha mãe”, expliquei.
“Entendo… mas então por que você está aqui?”, ele perguntou.
“Tenta dizer não pro Brady”, resmunguei.
Ele revirou os olhos. “Eu sei bem como é!”
Apertei os olhos para ele. “Você tem uma quedinha pelo Brady!”
Os olhos dele se arregalaram. “O quê? Não, não tenho!”
“Ah, é mesmo?”, cruzei os braços, tentando manter o contato visual apesar da diferença de altura.
“Por favor, não conta pra ele!”, ele pediu.
“Eu não vou, mas por que você mesmo não contou?”, perguntei, curiosa.
“Eu… ah, bem… é complicado”, ele gaguejou.
“Ah, qual é, Shane! Fala logo!”, insisti.
“Eu não sei se sou gay ou não!”, ele disparou.
“Como assim?”, perguntei, franzindo as sobrancelhas.
“Só recentemente eu comecei a ter esses sentimentos pelo Brady, mas não tenho certeza se são de verdade. Tudo o que eu sei é que eu me sinto estranho perto dele… mas eu ainda me sinto atraído por garotas”, ele explicou.
“Então talvez você seja bissexual?”, sugeri.
“Eu não sei. Só me promete que não vai contar pra ninguém, principalmente pro meu primo, se você algum dia conhecer ele”, ele pediu.
