Capítulo 6
No momento em que eu estava prestes a perguntar sobre o primo dele, seis estampidos altos ecoaram. As garotas gritaram, e a música parou de repente. O pânico se instalou, e não demorou para eu entender a causa: uma voz furiosa trovejou por cima do barulho.
"O QUE VOCÊS ESTÃO FAZENDO NA MINHA CASA?", a voz exigiu, atraindo a atenção de todos. Ao ouvi-la, senti algo se agitar dentro de mim, mas, seguindo a multidão, Shane e eu fomos na direção da voz.
Da minha posição, eu não conseguia ver muita coisa, mas podia ouvir a discussão.
"Querido, você voltou mais cedo do que o esperado", disse a ruiva de antes.
"A gente sai por só três dias, e você dá uma festa aqui? O que estava passando pela sua cabeça, Bridgette?", repreendeu outra voz masculina, identificada como Cash.
"Não é o que você está pensando, Cash! É a festa pré-Homecoming de que eu falei com ele na semana passada", Bridgette se defendeu.
"TODOS PARA FORA!", gritou Cash.
As pessoas se dispersaram mais rápido do que eu já tinha visto, e aparentemente a ordem incluía todo mundo, até eu. Shane me guiou para fora, onde nos juntamos a Brady. Pouco depois, já estávamos a caminho de casa.
"Isso foi decepcionante", comentou Brady.
"O que causou aqueles barulhos?", perguntei.
"Tiros. O Six provavelmente disparou", ele respondeu.
"Six?", perguntei, confusa.
"O dono da casa", ele explicou.
"O anfitrião desaparecido", falei, finalmente entendendo.
"E o aluno mais popular da escola", Brady assentiu.
"O nome dele é Six?", perguntei, perplexa.
"Ninguém sabe ao certo. Ele entrou na escola há dois anos, e todo mundo, inclusive os professores e o diretor, começou a chamá-lo de Six. Nós todos pegamos o apelido, mas acho que ninguém além dos amigos próximos dele sabe o nome verdadeiro", ele explicou.
Não perguntei mais nada até chegarmos em casa. Meu pai ficou surpreso ao nos ver voltar tão cedo, mas Brady explicou a situação rapidamente enquanto eu subia para trocar de roupa e vestir meu pijama. Mais tarde, desci e encontrei Bella na cozinha.
"Você voltou mais cedo do que o esperado", ela comentou.
"Parece que a festa aconteceu sem a permissão do dono da casa", respondi.
"Ah, entendi! Então, quais são seus planos para amanhã?", ela perguntou.
"Sem compras", provoquei.
"Sem compras", ela riu.
"O que mais você tinha em mente?", perguntei, sabendo que fazer compras não era uma opção.
"Que tal sairmos para passar um tempo juntas? Podemos nos mimar no spa e depois marcar cabelo e unhas?", ela sugeriu. A ideia pareceu tentadora.
"Eu gostaria disso", sorri.
"Fantástico! Vamos sair por volta das nove para dar tempo de voltarmos e você relaxar antes da escola na segunda-feira", ela respondeu.
"Combinado!", concordei.
Ao meio-dia do dia seguinte, estávamos completamente à vontade. Tínhamos aproveitado uma massagem tailandesa, recomendada por uma das amigas da Bella, e ela era incrivelmente eficaz para aliviar o estresse.
— Eu nem quero me mexer — ela gemeu.
Eu ri baixinho. — Eu sei exatamente como você se sente.
— Por que a gente não almoça primeiro antes de ir ao salão? — ela sugeriu.
— Boa ideia — concordei.
Levou um certo esforço até finalmente conseguirmos nos levantar. Os funcionários do spa trocaram olhares divertidos quando, enfim, ficamos de pé. Bella agradeceu a eles enquanto saíamos em direção a um restaurante chique ali na mesma região.
Fomos acomodadas pouco depois de chegar, e um garçom veio prontamente anotar nossos pedidos de bebida. Bella me provocou, brincando que o garçom estava dando em cima de mim, o que eu neguei com veemência, embora minhas bochechas tivessem corado — para a alegria dela.
— Então, o que você está achando daqui? — ela perguntou.
— Eu sinceramente amo. É bem melhor do que onde eu morava antes — confessei.
— Você acha que algum dia vai se sentir próxima o suficiente de mim para falar com mais liberdade? Eu sei que não sou sua mãe, mas eu queria que a gente tivesse esse tipo de vínculo. Eu já te amo tanto quanto amo o Brady — ela disse, os olhos cheios de lágrimas.
— Para ser sincera, eu já confio em você o bastante para me abrir, mas preciso que você prometa não contar para o papai o que eu vou te dizer — pedi.
A verdade é que eu confio na Bella tanto quanto confio no Brady. Os dois têm sido incríveis e deixaram o papai e eu muito felizes. Eles não fizeram nada além de me apoiar e me tratar com carinho desde que eu cheguei, e eu poderia confiar neles com a história da minha vida.
No entanto, eu não posso confiar no papai — não por existir alguma distância no nosso relacionamento, mas pelo medo da reação dele se soubesse de tudo. Até agora, eu consegui manter todo mundo em segurança, e quero continuar assim. Claro que isso depende do Brady cumprir a palavra e não agir por impulso.
Bella prometeu guardar segredo entre nós, então eu contei tudo a ela. Provavelmente parecíamos bem emocionadas no restaurante, com as lágrimas correndo soltas. Percebendo que não era o lugar certo, decidimos pedir para levar. No carro, eu continuei contando a minha história.
Quando terminei, os olhos dela estavam inchados e molhados de chorar. Ela concordou em me deixar dirigir, já que eu tenho carteira de motorista. Eu nos levei de volta para casa, esquecendo completamente do salão e, felizmente, os meninos não estavam por perto.
Continuamos criando laços no meu quarto, e ela também se abriu sobre o passado dela e sobre como conheceu o Brady, além de tudo o que aconteceu depois. Quando Brady voltou para casa, nós já estávamos emocionalmente esgotadas.
— Parece que eu entrei no meio do rio Nilo — ele comentou.
— Cala a boca, Brady! — rebati, com a voz rouca de tanto chorar.
