Capítulo 8
O sinal anunciando o fim da aula de orientação tocou. Antes de irmos para a primeira aula, porém, eles me levaram para conhecer nossa professora de orientação, para que ela soubesse quem eu era. Enquanto caminhávamos para a primeira aula, percebi que todos os olhares estavam voltados para nós — mais especificamente, para mim, a garota nova.
Logo ficou evidente que eu estava andando com o “grupo problema” que Brady tinha mencionado. Não foi difícil perceber; Cash estava ali com o enigmático “Six”, e isso confirmou tudo para mim. Fiquei sem entender como Sunny se encaixava nisso até ela explicar que seu relacionamento com Cash a tornava parte do grupo, e que ela era a única garota — até agora.
Percebi que aqueles quatro já tinham me adotado no círculo deles, independentemente de o “líder” aprovar ou não. Admito que essa constatação me deixou um pouco inquieta, especialmente considerando a história de Brady sobre o cara que tinha atirado de verdade na casa dele — seis vezes, nada menos.
Eu ainda não tinha conhecido Six, mas só de pensar nele já me dava arrepios. Pelo que eu sabia, eu podia até ter passado por ele sem perceber, embora alguma coisa me dissesse que eu o reconheceria se o visse.
“E aqui estamos, meu lugar favorito: o mini-inferno”, anunciou Cash quando chegamos ao refeitório. Já era hora do almoço, e a minha manhã tinha corrido surpreendentemente bem.
Entramos e fomos direto para uma mesa que devia ser deles, pelo rumo que todo mundo tomou. Fui atrás, me sentindo mais corajosa a cada passo. Eu estava começando a me acostumar com a atenção e já não me incomodava tanto. Até Brady parecia satisfeito, me mostrando um joinha do outro lado do salão.
“Parece que alguém está dando a aprovação dele”, comentou Wesley, claramente percebendo o joinha de Brady.
“É errado ele fazer isso?”, perguntei, curiosa.
“Totalmente errado”, confirmou Sunny com um aceno de cabeça.
“Por quê? Qual é o problema?”, perguntei, começando a entrar em pânico.
“Nós somos considerados os ‘vilões’ por bons motivos, Lillian. Seu irmão não te contou sobre todos os rumores que cercam a gente? Só que a maioria deles não é só rumor”, explicou Wesley, sério.
“E vocês não estão brincando?”, perguntei, querendo confirmação.
“Não”, todos balançaram a cabeça.
Fiquei em silêncio por um instante antes de responder: “Ok.”
“Ok?”, repetiram, confusos com a minha aceitação tão simples.
“Isso. Ok”, confirmei com a cabeça.
“Ou tem alguma coisa muito errada com você, ou... bem, com certeza tem alguma coisa errada com você”, Sunny soltou uma risadinha.
“Eu diria que as duas opções se aplicam”, concordei, rindo.
“O Six vai se divertir muito com isso”, Cash disse, entre risos.
“A propósito, onde ele está?”, perguntei.
“Você sabe quem ele é?”, Wesley questionou.
“Não faço a menor ideia! Mas já ouvi falar dele e daqueles tiros”, respondi.
“Ah, é, sobre isso. Ele está ocupado com outra coisa, mas deve aparecer mais tarde. Alguém viu a Bridgette?”, perguntou Cash.
“Ela ligou dizendo que estava doente hoje”, respondeu Sunny.
“Como você sabe disso?”, perguntei a ela.
“Temos uma reunião do grêmio estudantil hoje. Pelas regras, ela tem que me avisar se não puder ir, então me ligou para informar”, explicou Sunny.
“Ela provavelmente está se escondendo do Six”, Lillian riu.
“Depois do que ela fez no sábado, não seria surpresa se ele quisesse estrangulá-la”, suspirou Wesley.
“O que exatamente aconteceu?”, arrisquei perguntar.
“Os caras saíram na última terça por causa de uns negócios e só deviam voltar no domingo, mas voltaram antes. A Bridgette achou que podia dar uma festa na casa do Six sem ele descobrir”, explicou Sunny.
“Mas ela não acabaria sendo descoberta de qualquer jeito? As pessoas ainda estariam falando disso”, observei.
Wesley riu. “A Bridgette nunca pensa tão à frente.”
“Isso não foi muito legal”, falei, tentando não rir.
“Mas é verdade”, todos caíram na risada. Não consegui deixar de rir também.
O almoço passou rápido, e logo estávamos voltando para a aula. Percebi que tinha esquecido um livro no meu armário e corri para buscá-lo. Enquanto me apoiava no armário ao lado do meu, conferindo meu horário na porta, senti uma respiração quente perto do meu rosto.
“Saia.”
Assustada, dei um pulo e arremessei para trás o pesado livro de cálculo que eu segurava. Ouvi um grunhido e me virei para ver a pessoa atrás de mim agora curvada, segurando parte do rosto.
“Meu Deus! Me desculpa!” exclamei, em pânico.
Então ele ergueu o rosto.
A primeira coisa que notei foi o cabelo curto e escuro, liso e convidativo. Meu olhar desceu para o maxilar bem definido e os ombros largos. Sem perceber, eu mordia o lábio enquanto absorvia o Adônis diante de mim. O braço dele se retesou, atraindo minha atenção para o olho âmbar que agora cobria.
Era ele.
