Capítulo 3

POV do Liam

Minha cabeça esvaziou quando vi a Miranda estirada de um jeito estranho no chão. O instinto falou mais alto, e eu corri até ela, tentando erguê-la nos braços.

—Miranda? Mira… —parei quando meu olhar caiu numa cartela vazia de comprimidos ao lado dela.

Minhas mãos tremiam quando peguei aquilo, e um pavor foi tomando conta de mim, devagar.

Ela tomou tudo isso?

Entrei em desespero ao encarar o corpo inconsciente dela e gritei por socorro na mesma hora.

—Alguém, ajuda! —Mas as palavras não pareciam altas o bastante. Encostei um dedo trêmulo nas narinas dela e comecei a balançar a cabeça quando percebi que mal conseguia sentir a respiração.

—Não. Não. Não. Não —murmurei. —Socorro!

Deitei ela com cuidado de volta no chão e me afastei para pedir ajuda. Corri até a janela e gritei, chamando a atenção dos homens lá embaixo.

Eles pareciam longe demais, então me virei e fui até a porta. Graças a Deus, vi três homens entrando correndo. Devem ter ouvido meus gritos e vieram direto para o quarto.

Notei que um deles era o homem com quem eu tinha pegado a Miranda poucos instantes antes, e ele caiu de joelhos ao lado dela na mesma hora, começando a fazer reanimação.

—O que aconteceu? —um dos homens mais velhos me perguntou, enquanto o terceiro tirava o celular e começava a fazer ligações.

Em poucos minutos, o quarto ficou cheio, mas a Miranda ainda não tinha voltado.

—Parem de ficar em cima dela! Ela precisa de ar! —eu berrei com toda a força, e os homens recuaram. —E por que a gente não leva ela pro hospital? —gritei para o homem mais velho, que disse que tinham chamado um médico.

—O que está acontecendo aqui? —ouvi a voz da minha mãe, e arregalei os olhos ao erguer a cabeça e vê-la abrindo caminho até a frente.

Quando finalmente viu a Miranda, ela parou, imóvel, olhando para baixo com uma expressão confusa.

—Mãe… —soltei, sem saber como explicar.

Os olhos azuis, marejados, encontraram os meus, e os lábios dela se abriram. —O que está acontecendo, Liam? —ela perguntou, num fio de voz. —O que houve com a sua irmã?

—O médico chegou! —alguém gritou lá de trás, e eu me abaixei para pegar minha irmã nos braços, colocando-a na cama.

—Liam! —a voz da minha mãe tremeu enquanto ela esperava uma explicação, e uma lágrima escorreu.

—Eu não sei, mãe —passei a mão pelo cabelo, tentando segurar minhas próprias emoções. —Eu fui ver o pai… e quando voltei, encontrei ela assim.

Minha mãe correu até a Miranda, sentou na beirada da cama e começou a chorar, soluçando.

Desviei o olhar delas, tentando me manter firme enquanto as palavras que meu pai sempre me dizia ecoavam na minha cabeça: “Homem não chora, Liam. Isso é coisa de mulher. E de homem fraco.”

—O que está acontecendo? —A voz dele atravessou meus pensamentos de repente. Os homens no quarto se afastaram na hora, abrindo passagem para o meu pai.

Minhas mãos caíram ao lado do corpo quando vi a expressão derrotada que apareceu no rosto dele assim que os olhos pousaram na Miranda.

—Vá em frente e veja o que ela tem —ele disse ao homem atrás dele, e, vendo o estetoscópio no pescoço do sujeito, entendi que era o médico.

O quarto ficou em silêncio enquanto o médico foi para o outro lado da cama e começou a examiná-la.

—Isso estava do lado dela —disse o amante da Miranda, entregando a cartela ao médico, que a analisou com cuidado.

Meu coração disparava enquanto todos esperávamos o médico, e foi então que meus olhos caíram num bilhete em cima da mesinha de cabeceira.

Olhei em volta, me perguntando por que eu não tinha reparado naquilo antes.

Peguei o papel devagar e reconheci na mesma hora a letra da Miranda.

Dizia: “Eu não aguento mais. Eu não posso me casar com um monstro como Donatello. Já que meu próprio pai não quis me ouvir nem pôr um fim nessa união insana, eu decidi tirar a minha própria vida! Espero que vocês consigam se perdoar.”

Minhas mãos tremiam enquanto eu lia cada palavra, e as lágrimas embaçaram minha visão.

—Você empurrou ela pra isso —sussurrei, soltando um soluço preso na garganta.

—Que porra é essa com você? —meu pai perguntou, claramente irritado com as minhas lágrimas.

—Você fez ela fazer isso! —gritei para ele.

—Abaixa. Essa. Voz. —Ele berrou de volta, me fuzilando com os olhos. —O que deu em você?

Minha mãe se levantou e arrancou o bilhete da minha mão. Quando ela leu, as lágrimas caíram e encharcaram o papel.

—Você fez isso! —apontei um dedo acusador para meu pai, sentindo um amargor enorme no peito. —Se alguma coisa acontecer com a Miranda…

—Engole essas palavras, ou eu faço delas as suas últimas —ele ameaçou, arrancando o papel da mão da minha mãe.

—Eu te avisei —minha mãe chorou. —Eu te avisei que ela não queria se casar com o Donatello…

—Cala a boca, mulher! —meu pai gritou com ela. —Você fala como se não soubesse o que está em jogo!

O médico se levantou naquele momento e, pelo jeito como ele baixou a cabeça, eu soube que era notícia ruim.

—Ela morreu.

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