Capítulo 7
Ponto de vista do Dontello
Marco puxou a arma, e o estalo ao engatilhar me fez virar.
Ele deu a ordem, e meus homens apontaram as armas para a família LaRosa. A multidão ofegou, sussurrando entre si. Eu entendia o choque deles, mas o que eu estava vivendo era muito pior. Quem era esse homem na minha frente?
Marco apontou a arma para a minha suposta “noiva”, e as mãos do sujeito voaram para o alto, tremendo.
Os olhos dele estavam arregalados, o corpo inteiro tremia como se estivesse no meio de uma tempestade. E então eu vi — a semelhança. Ele e os LaRosa. Os mesmos traços afiados, os mesmos olhos azuis. Meu estômago revirou.
Marco estava agindo pelo meu interesse, mas eu precisava ter o controle. Tomei a arma dele, meus dedos apertando firme a empunhadura. Meus olhos foram direto para o velho LaRosa. O olhar dele ia de mim para a família, como se estivesse tentando achar uma saída.
Eu não sabia que jogo eles estavam jogando, mas eu ia entender.
— Que porra é essa? — eu perguntei ao velho LaRosa, franzindo a testa enquanto encarava os olhos dele.
Ele não piscou. Apenas endureceu o olhar, tentando bancar o durão. — A gente tinha um acordo pra você se casar com o meu primogênito. Não foi especificado gênero — ele me disse, sem desviar os olhos dos meus. — Esse é meu filho… Liam.
Os murmúrios aumentaram e, pelo canto do olho, eu vi os homens da LaRosa observando com cuidado. Não é como se eles pudessem tentar alguma coisa contra mim, mas a lealdade deles era admirável.
Voltei o olhar para o velho à minha frente, completamente divertido. O jeito como ele tentava agir como se nada o abalasse, como se ainda tivesse o controle, era quase impressionante. Quase.
Então eu ri. Uma risada grave, cheia, que ecoou pelo salão.
Veio o silêncio.
Todo mundo ficou parado, confuso, me olhando. Esperando a minha reação.
Se esse homem achava que eu ia deixar isso passar — ainda mais na frente das outras famílias, me humilhando — então ele tinha que ser o maior palhaço de todos os tempos.
Sem hesitar, eu ergui a arma e atirei. O disparo acertou o ombro da esposa do velho LaRosa, e ela desabou no chão com um grito agudo. O som da dor dela ecoou pela igreja, e as pessoas ofegaram.
Gritos tomaram a igreja e o padre disparou em direção à porta, desesperado, mas meus homens foram mais rápidos. Eles bloquearam todas as saídas, atirando para o alto. O barulho estourou pelo lugar, engolindo os choros apavorados.
— Silêncio! — eu disse ao microfone que acabara de pegar, e a multidão emudeceu. — Ninguém sai daqui até eu mandar — eu acrescentei.
“Ma!” Liam gritou, tentando correr até a mãe, mas Marco o prendeu no chão.
Pa LaRosa não se mexeu. Os olhos dele continuaram grudados nos meus, firmes, indecifráveis. Era quase como se ele tivesse esquecido quem eu era. Eu ia adorar lembrá-lo.
Engatilhei a arma e apontei bem no meio da testa da mulher dele, pronto para arrancar a cabeça dela com um tiro.
Então, do nada, Liam se soltou de Marco. Antes que eu pudesse reagir, ele veio rápido, lutando para arrancar a arma das minhas mãos.
Eu congelei por um segundo, sem acreditar.
Esse filho da puta… ele fez isso mesmo?
A raiva explodiu dentro de mim. Sem pensar, eu girei o braço com força e acertei um soco bem na boca dele. Liam foi ao chão, esparramado, com sangue escorrendo do lábio.
Marco sacou a arma, pronto para acabar com Liam, mas eu levantei a mão, mandando ele parar.
Marco obedeceu, embora não tirasse os olhos de Liam, encarando-o com um aviso duro.
Liam se apoiou e se levantou, o sangue pingando da boca. “Por que você impediu ele?”, ele gritou, a voz rouca.
As mãos dele se fecharam em punhos. O corpo inteiro tremia de ódio. “Por que você não acaba logo com a minha família toda? Vai! Faz! Tenho certeza de que isso ia te deixar feliz.”
Então a voz dele falhou, quebrando sob o peso das próprias palavras. “Por sua causa… minha irmã… Ela não aguentou ser sua noiva, então tirou a própria vida.”
A sala parou.
Liam tremia, com os olhos cheios de ódio puro. Ele apontou um dedo trêmulo para mim. “Por sua causa… seu demônio!”
O silêncio pesou no ar.
Todo mundo estava olhando. Esperando.
Eu não sabia o que pensar do que ele tinha acabado de dizer. Mas a ousadia dele me interessou. Falar comigo daquele jeito. Apontar o dedo na minha cara.
Eu devia ter moído os ossos dele até virar pó.
Mas não. Eu não ia fazer isso.
Uma lição. Era disso que ele precisava. Uma que ele nunca ia esquecer.
Quando eu terminasse com ele, só de ouvir o meu nome, ele ia sair correndo para achar um armário onde se esconder.
“Padre”, eu chamei, depois de um tempo.
O homem enrijeceu. “S-sim, senhor”, ele gaguejou, com medo escorrendo na voz.
“Deixe a cerimônia continuar”, eu disse, sem tirar os olhos de Liam.
O rosto dele se contorceu de choque. Os olhos se arregalaram, como se ele não acreditasse no que tinha acabado de ouvir.
“Que porra…”, Liam resmungou, quase sem voz. Ao redor, cochichos se espalharam pela multidão. Ninguém esperava por isso.
Eu deixei um sorriso lento surgir no meu rosto.
“Você ainda não sabe com quem está mexendo”, eu pensei.
