Capítulo 3 O perigo de um abraço

Narrado por Edward Liam

A bela irmã de Sebastian caminhava em nossa direção a passos decididos. Era atraente, e agora eu compreendia por que o homem com quem dançara não conseguia tirar os olhos dela. Ao chegar perto de nós, porém, havia aborrecimento em sua expressão.

— Está tudo bem, minha irmã? Há algo incomodando você? — perguntou Sebastian.

— Estou bem. Foi apenas um inconveniente — respondeu ela, suspirando.

Meu amigo voltou-se para mim.

— Gostaria de apresentar-lhe alguém que não vejo há anos. Edward Liam Hughes, duque de Beldon, esta é minha irmã, lady Caterina Harmon.

Ela me observou com olhos verdes penetrantes e fez uma pequena reverência. Tomei-lhe a mão e depositei um beijo delicado sobre seus dedos. Ao me afastar, senti o olhar da jovem acompanhando meus passos.

Eu pretendia permanecer em Londres por poucos dias. Voltar àquela casa sempre reabria feridas que o tempo jamais conseguira fechar. Minha mãe, apesar de tudo, continuava sorrindo. O homem responsável por tanto sofrimento já não estava entre nós, mas o monstro que eu conhecera na infância ainda vivia em minhas lembranças.

Recordava-me de minha mãe tentando esconder os hematomas sob vestidos de mangas compridas. Meu pai dizia que ela era uma mulher inútil, incapaz até de lhe dar um filho suficientemente homem para andar. Minhas pernas, fracas e sem força, pareciam pertencer a uma boneca de pano.

Envergonhado por ter um filho que considerava defeituoso, meu pai me enviou para a casa de campo. Minha mãe fazia o possível para me ensinar a ler e, acima de tudo, a andar. Foi um processo longo, doloroso e humilhante, mas ela nunca desistiu de mim. Quando finalmente consegui caminhar, meu maior sonho foi provar ao homem que me desprezava que ele estava errado.

Aos dezoito anos, voltei para encará-lo. Recebi apenas crueldade.

— Não importa o que você faça — disse ele, com deboche. — Nasceu aleijado e, mesmo que agora consiga andar, para mim sempre será o aleijadinho preso a uma cadeira. Acha que isso muda o que você é? Um inútil. E sempre será.

Aquelas palavras foram seu golpe final. Saí de lá decidido a nunca mais voltar. Ainda assim, bastava atravessar os corredores daquela casa para sentir o passado se fechar ao meu redor.

Enfadado com as apresentações, resolvi me retirar. Segui por um corredor comprido, pensando em encontrar um aposento tranquilo, quando ouvi um ruído vindo do antigo escritório. Antes que pudesse descobrir a origem, uma figura surgiu às pressas.

Era Caterina. Seus passos ecoavam pelo piso, e ela corria como se a própria vida dependesse disso. Não conseguiu desviar a tempo e chocou-se contra mim. Segurei-a pela cintura para impedir que caísse; ela agarrou meu casaco, trêmula e assustada.

Afastei-a com cuidado, tentando tranquilizá-la. Sua respiração estava acelerada, e o rosto claro adquirira um rubor intenso.

— Quem fez isso? Por que está tão transtornada? — perguntei, procurando seu olhar.

Ela respirou fundo, como se precisasse reunir forças para falar.

— Foi... lorde Benjamin. Ele me atacou quando eu ia para o jardim.

A raiva tomou conta de mim.

— Onde ele está agora?

— Acho que ainda está no escritório — respondeu, com a voz insegura.

— Volte para o baile. Não tenha medo. Vou resolver essa questão com aquele bastardo.

Deixei-a ali e marchei até o escritório. Encontrei Benjamin com a expressão satisfeita de quem acreditava que nada lhe aconteceria. Não perdi tempo com perguntas. Atravessei a distância em três passadas e acertei-lhe um soco no nariz. Ele caiu, atordoado. Segurei-o pelo colarinho e o obriguei a olhar para mim.

— Saia daqui imediatamente! Nunca mais toque em um fio de cabelo de lady Caterina Harmon. Se houver uma próxima vez, este soco parecerá uma carícia. Não volte a aparecer nesta casa!

Soltei-o com desprezo. Benjamin cambaleou e acabou fugindo pela janela. Respirei fundo, tentando conter a fúria, e então percebi alguém à porta.

Caterina estava parada na penumbra. O vestido prateado ondulava suavemente enquanto ela se aproximava. Antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, lançou os braços ao redor do meu pescoço e me abraçou.

— Obrigada! Muito obrigada! Não sei o que teria acontecido comigo se você não estivesse aqui — murmurou.

Por um instante, esqueci todas as minhas resoluções. Seu perfume envolveu-me, delicado e inebriante, e fechei os olhos, lutando contra a vontade de estreitá-la ainda mais contra mim. O calor de seu corpo parecia despertar algo que eu mantivera adormecido por anos.

Afastei-a com relutância.

— Não precisa agradecer. Devem estar procurando você. Volte ao baile... e perdoe minha ousadia.

Ela percebeu, enfim, a proximidade entre nós. As faces se tingiram de vermelho, e, sem dizer mais nada, saiu depressa. Fiquei imóvel, respirando o perfume que permanecia no ar.

Se Caterina não fosse uma dama da aristocracia, talvez eu desejasse conhecê-la melhor. Poderíamos, quem sabe, tornar-nos amantes, sem promessas nem futuro. Mas ela era irmã de Sebastian, meu melhor amigo, e eu jamais desonraria uma mulher de sua posição. Além disso, uma esposa teria direito a sonhar com filhos, e eu não podia oferecer-lhe essa possibilidade. Não permitiria que alguém pagasse o preço das feridas que eu carregava.

Decidido a não alimentar pensamentos perigosos, retornei ao salão. Sebastian veio ao meu encontro.

— Edward, venha jantar em minha casa amanhã! Como nos velhos tempos. E não aceito um não como resposta.

Olhei para ele e, ao lado de meu amigo, vi Caterina esconder um pequeno sorriso. Não consegui recusar o convite.

— Muito bem. Estarei lá.

O sorriso dela se abriu por completo, e senti meu autocontrole vacilar. A jovem de olhos verdes magníficos era um perigo que eu não previra — talvez o maior que enfrentaria em muitos anos.

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