Capítulo 5 Lições de sedução
Narrado por Caterina Harmon
Com os lábios de Edward acariciando os meus, perguntei-me se existiria no mundo um homem capaz de beijar tão divinamente. Eu nunca experimentara algo semelhante, mas aquilo era maravilhoso, tão intenso que, por alguns instantes, esqueci onde estávamos e todas as convenções que nos cercavam.
Quando ele se afastou, permaneci de olhos fechados, suspensa numa espécie de sonho. Só os abri lentamente ao sentir seus dedos roçarem meu rosto. A expressão dele havia mudado; o desejo dera lugar ao desconcerto.
— Perdoe-me, senhorita, por meu atrevimento — murmurou.
Cobri com a mão a que ainda repousava em minha face.
— Edward… não precisa…
Ele não me deixou concluir.
— Caterina, não podemos. Isto foi um… um descuido. Não se repetirá. Por favor, compreenda. Agora precisamos nos juntar à sua família. Devem estar se perguntando por que demoramos tanto.
As palavras dele caíram sobre mim como água fria. Ainda assim, conduzi-o até a sala, onde todos nos aguardavam. A dor que senti no peito misturava-se à vergonha por ter permitido que um beijo me abalasse daquela maneira. Ao entrarmos, Edward cumprimentou os presentes com sua habitual cortesia. Grace, porém, lançou-me um olhar tão revelador que tive certeza de que suspeitava de tudo.
Cada minuto ao lado dele se tornou um exercício de autocontrole.
Às sete e quinze em ponto, o jantar foi servido. Para meu absoluto constrangimento, mamãe indicou a Edward o lugar ao meu lado. Ele mal me dirigiu a palavra durante toda a refeição, empenhado em conversar com Sebastian e Nathan como se eu fosse apenas mais uma convidada. Sua indiferença feria mais do que eu gostaria de admitir.
Uma onda de raiva substituiu a tristeza. Se ele acreditava que podia me beijar e depois me ignorar, estava muito enganado. Eu provaria que também sabia conquistar um homem — e que não seria tão fácil me esquecer.
Durante toda a noite, fiz questão de demonstrar que o beijo inesperado e a rejeição repentina não haviam abalado meu ânimo. Ri quando os outros riram, participei das conversas e evitei olhar para Edward mais do que o necessário. Se ele percebeu meu esforço, não deu sinal disso.
Quando a reunião chegou ao fim, o duque despediu-se de todos e deixou-me por último. Nossos olhares se encontraram, e um arrepio percorreu minha espinha.
— Boa noite, senhorita — disse ele, tomando minha mão com cuidado.
Meu corpo estremeceu, antecipando o beijo que não veio. Edward limitou-se a inclinar a cabeça. Com a voz mais firme que consegui reunir, respondi:
— Igualmente, milorde.
Mamãe interveio:
— Caterina, por que não acompanha o duque até a porta? O mordomo não pôde vir hoje, e você poderá recebê-lo como merece.
Edward e eu trocamos um olhar constrangido. Tomei a iniciativa e caminhei até a entrada. Ao alcançar a maçaneta, não percebi que ele estendia a mão ao mesmo tempo. Nossos dedos se tocaram, e, quando ergui o rosto, encontrei seus olhos.
Ele se afastou primeiro.
— Peço desculpas mais uma vez, senhorita Harmon. Tenha uma boa noite.
Sem conseguir conter-me, respondi:
— Garanto-lhe que minha noite não terá nada de bom!
Edward parou quando já estava prestes a atravessar a porta.
— Se me permite perguntar, senhorita, o que lhe rouba a paz?
— Milorde… — comecei, mas as palavras desapareceram.
O silêncio se estendeu entre nós. Então ele se aproximou devagar, como se também lutasse contra uma decisão. Seus olhos permaneceram presos aos meus enquanto sua mão acariciava meu rosto.
— Aceite minhas sinceras desculpas, Caterina. Nunca foi minha intenção roubar-lhe a paz. Se pudesse, afastaria toda a melancolia de seu coração. Mas precisa compreender: não pode haver nada entre nós. Peço que me esqueça e esqueça o que aconteceu aqui hoje. Sei que deseja casar-se, ter filhos e construir uma família, mas asseguro que sou o homem menos indicado para lhe oferecer isso. É jovem e inocente. Alguém de sua idade talvez seja o par ideal para a senhorita. Adeus.
Antes que eu encontrasse uma resposta, ele se foi. Fiquei parada à porta, observando a noite fria e sentindo que, com ele, uma parte de mim também se afastava. Não sabia por que Edward se julgava incapaz de me amar, mas a certeza com que me rejeitara tornou ainda mais urgente descobrir o que escondia.
Narrado por Edward Liam
Ao regressar a casa, servi-me de uísque e voltei a pensar na impetuosa senhorita Harmon. Precisava fazê-la abandonar a ideia de que poderia existir algo entre nós. Era bela demais, e sua inocência se revelara na maneira como correspondera ao beijo.
Da janela, vi uma jovem rir enquanto seguia para a carruagem com o amante. Sorri, imaginando-me no lugar dele, ao lado de Caterina, longe das regras sociais.
Nunca desonraria Caterina. Também jamais desflorara uma virgem, e não começaria agora, por mais tentadora que fosse a ideia de tê-la perto de mim.
A bela senhorita parecia procurar um marido, mas sua falta de experiência talvez tornasse difícil reconhecer um pretendente adequado. Não era sua aparência que a prejudicava; qualquer homem teria sorte em recebê-la como esposa. O problema, pensei, era que ela ainda não conhecia as sutilezas da sedução nem sabia proteger o coração de homens como eu.
Então me ocorreu uma ideia absurda. Como amigo de Sebastian, poderia ensinar-lhe discretamente algumas lições de sedução para conquistar um cavalheiro digno dela. Se aceitasse, em menos de três semanas estaria encaminhada para um casamento. Depois, eu viajaria novamente e tudo voltaria ao lugar de antes.
A ideia pareceu brilhante por um instante. Logo percebi o perigo: para ensinar Caterina, teria de passar tempo com ela e talvez tocá-la. Eu mal controlava meus impulsos perto dela. Ainda assim, convenci-me de que seria um favor inocente, uma maneira de protegê-la e afastá-la de mim.
Ergui o copo e tomei um gole. O uísque queimou minha garganta, mas não apagou a imagem dos olhos verdes de Caterina. E, se três semanas fossem suficientes para ajudá-la a encontrar um marido, seriam também o prazo que eu teria para partir sem olhar para trás.
