Capítulo 3

(HOTEL)

  Na luz azul do quarto de hotel, o corpo nu de Lucian se agigantava, o rosto oculto atrás de uma máscara preta enquanto ele metia sem piedade na buceta de uma stripper.

  Ele a mantinha prensada contra a parede, socando dentro dela com força implacável. As tentativas fracas dela de acompanhá-lo falhavam; ela não rebolava como ele exigia.

  — Aguenta esse pau como a vadia que você é. Rebola nesse pau — rosnou Lucian, dando um tapa forte na bunda dela. O impacto seco arrancou um grito de dor de seus lábios.

  — Ahh... porra, caralho, ahhh...

  Ele tragou devagar o cigarro pendurado entre os dedos e então soltou uma nuvem de fumaça direto no rosto dela. Ela se engasgou, tossindo com violência enquanto o fumo áspero queimava seus pulmões.

  — J-já chega, senhor — ela gaguejou, a voz tremendo. O medo apagava qualquer vestígio de prazer... ela estava genuinamente aterrorizada.

  Mas Lucian não ligava. Para ele, ela não passava de um objeto para o prazer dele, um trapo a ser usado conforme sua vontade. Ela não tinha o direito de ditar quando ele terminava.

  Ele deixou o cigarro cair no chão, esmagou-o sob o salto e então a ergueu sem esforço, carregando-a até a cama.

  Jogando-a sobre o colchão, retomou o ritmo brutal, arrebentando-a sem dó. As mãos dele se fecharam em torno do pescoço dela, apertando o suficiente para fazê-la revirar os olhos numa mistura de medo e prazer relutante.

  — Vadia patética — ele escarneceu, a voz impregnada de desprezo. — Disseram que você era a melhor nisso. Por que você é tão sem graça assim?

  Ele não diminuiu, enfiando sem piedade até lágrimas escorrerem pelas bochechas dela.

  Quando o gozo foi crescendo, ele tirou abruptamente — não repetiria erros do passado. Com um gemido baixo, derramou sua carga grossa e leitosa sobre a barriga dela e nos mamilos rosados, esfregando a ponta do pau para suportar os espasmos finais.

  Satisfeito, saiu da cama, acendeu outro cigarro e deu uma longa tragada, satisfeito, antes de soltar a fumaça devagar. Abrindo o armário, pegou maços grossos de dinheiro e os jogou sobre o corpo machucado dela.

  Ela se ergueu com dificuldade, indo em direção ao banheiro.

  — Aonde diabos você acha que vai? — A voz dele cortou o ar, fria e perigosa, envolta na névoa de fumaça.

  — Eu... eu preciso me limpar — ela sussurrou.

  — No meu quarto, vadias não podem tomar banho. — Ele disse isso com naturalidade, como se fosse a regra mais comum do mundo. — Se veste e vai embora. Deixa meu gozo secar na sua pele. Deixa todo mundo saber que você foi comida por um bilionário.

  O nojo passou pelo rosto dela, mas a aura ameaçadora dele não deixava espaço para desafio. Ela obedeceu, vestindo-se com as mãos trêmulas e mancando para fora do quarto.

  Lucian pegou o telefone e ligou para o serviço de quarto para limparem a sujeira, depois foi para o chuveiro.

  Era de manhã, e Bella já estava vestida, pronta para sair, quando ouviu uma batida na porta.

  A batida virou pancadas altas e agressivas.

  — Bella, abre essa porta agora!

  O coração dela disparou. Era o senhorio idiota.

  — Porra. O dinheiro... Como é que eu explico?

  — Eu disse para abrir a porta, Bella. Você vai embora. Já chega das suas porcarias. — ele bateu ainda mais forte na porta.

  Antes que ela pudesse reagir, a fechadura cedeu, e o senhorio entrou. Ele fez uma careta de raiva, a barriga grande aparecendo, o rosto tão astuto quanto ele.

  — Bom dia, senhor Andrew — ela cumprimentou, engolindo em seco.

“Guarda suas saudações, sua vadia”, ele rosnou. “Paga. Já te dei chance demais.”

“O preço é alto demais pra esse lugar”, Bella retrucou, furiosa, o que só piorou as coisas. “É injusto cobrar tanto por isso... por esse lixo.”

“E era pra ser o quê, então? Um resort cinco estrelas?”, ele debochou. “Ah, entendi. Você não tem dinheiro. Então paga com o corpo. Já ouvi histórias do quanto você é puta, rodando por aí, chupando pau por dinheiro. Me dá mais do que isso e você nunca mais vai se preocupar com aluguel.”

O nojo embrulhou o estômago de Bella. Era verdade: ela fazia o que precisava para sobreviver... mas, desta vez, perder aquele buraco parecia melhor do que dar aquilo a ele.

“Eu nunca vou te dar esse prazer”, ela disse, fria. “Tá ouvindo? Eu vou embora daqui. Pode ficar com isso. Eu posso ser um caso perdido, uma puta qualquer, mas eu não vou fazer o que eu não quero fazer. Você não vai ter essa satisfação comigo. Só me dá até amanhã, e eu vou embora.”

O homem riu. “Então me dá algum dinheiro, se quer ficar hoje e sair amanhã, ou perde essa porra desse orgulho.”

Bella encarou o homem e então puxou o pouco dinheiro que ainda restava na bolsa, entregando a ele. “Eu prometo. Amanhã de manhã eu vou embora.”

O proprietário sorriu de lado ao pegar o dinheiro, a mão roçando na dela. Bella recolheu a mão na hora.

“É melhor você não estar aqui amanhã até as dez”, ele avisou, passeando os olhos pelo corpo dela. “Ou eu faço pior.”

Ele bateu a porta atrás de si.

Bella saiu logo em seguida, decidida a conseguir qualquer coisa — ou qualquer pessoa — que pudesse ajudá-la a sobreviver.

Era de tarde. Bella estava exausta. Todo lugar que ela tentou a dispensou... até para trabalhar de garçonete, disseram que já tinham funcionários suficientes. Ela olhou para um parque ali perto e reparou em crianças rindo e brincando, obviamente com pais ricos.

Ela entrou no parque e se sentou num banco, largando ao lado o cartaz “Me ajude, preciso de um emprego”. Observou as crianças, deixando que a risada delas, a inocência, a completa ignorância sobre o mundo, lhe trouxessem um pequeno alívio. Fechou os olhos, tentando respirar, tentando esquecer os próprios problemas, mas o sono a puxou para baixo antes que ela conseguisse lutar.

Num canto mais afastado, a babá de Lucian empurrava um carrinho. Pensou que, talvez, se o bebê visse outras crianças, se acalmaria. E funcionou: o bebê ficou quieto enquanto as outras crianças brincavam de esconde-esconde com ela.

De repente, o telefone da babá tocou.

“Sério?... Tá bom, eu tô indo!”, ela exclamou.

Sem olhar para trás, saiu correndo, chamou um táxi e foi embora, deixando a criança para trás.

Quando Bella abriu os olhos de novo, estava escurecendo. Um choro alto a tinha acordado e, apesar de tudo, ela se sentiu grata... caso contrário, talvez tivesse dormido até de noite. Percebeu que não tinha conseguido nada e, mesmo assim, tinha dormido como uma idiota.

“Mas espera... se todas as outras crianças foram embora, de quem é esse bebê que tá chorando?”, ela sussurrou, com o medo se insinuando.

Ela se levantou, um pouco inquieta.

Será que é um fantasma?, pensou. Impossível, disse a si mesma, tentando ser racional. Olhando para o céu, calculou que eram por volta das seis; que fantasma apareceria a essa hora?

O choro ficou mais alto, insistente. O coração de Bella disparou quando ela avistou um carrinho.

Ela se aproximou, e seus olhos se arregalaram. Reconheceu o bebê na mesma hora.

“É o bebê que eu vi no restaurante...”

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