Capítulo 4
Bella olhou em volta à procura dos pais do bebê, mas não havia sinal deles em lugar nenhum.
O choro era implacável, e ela não podia simplesmente deixar a criança ali. Seu apartamento caindo aos pedaços não era lugar para um bebê, e a viagem de trem levaria mais de uma hora — mas ela não tinha escolha. Precisava levar a menina para casa.
Seus planos de dormir na rua foram adiados; a sobrevivência ganhara uma prioridade nova e urgente.
(APARTAMENTO DE BELLA)
Bella abriu a porta e empurrou o carrinho para dentro, depois pegou o bebê no colo. O choro era tão intenso que Bella teve medo de a criança ficar sem ar ou até desmaiar.
— Shh... shh, bebê, não chora. Vou encontrar seus pais — sussurrou, embalando-a com cuidado.
O bebê puxou a roupa dela, instintivamente procurando o peito.
Bella sentiu uma pontada de culpa; ela não conseguia dar à criança o que ela precisava. Não tinha nada — seu corpo estava seco.
Colocou o bebê sobre um travesseiro e arrastou os pés até o canto do apartamento que chamava de cozinha. O leite que tinha era para adultos, mas o bebê estava com fome. Bella não tinha escolha... era tudo o que podia oferecer.
Ela esquentou o leite e despejou um pouco num pratinho, depois pegou uma colherzinha do pote de açúcar para alimentar a criança.
Com o bebê aconchegado no colo, Bella se sentou e tentou oferecer uma pequena colherada à boquinha... mas a menina recusou, puxando com insistência o peito de Bella. O choro veio agudo e desesperado, com as veias saltando na testa enquanto ela berrava.
A frustração cresceu dentro dela. Amanhã, ela não teria onde morar, e o choro incessante do bebê só a fazia se sentir pior.
Bella pensou com força, mordendo o lábio, enquanto uma ideia selvagem e desesperada tomava forma. Parecia loucura, mas ela não podia deixar o bebê passar fome.
Mesmo que não a satisfizesse, pelo menos faria o choro parar.
Ela pôs a criança no travesseiro e correu para o chuveiro. Não tinha como fazer aquilo com o corpo sujo e suado.
Quando terminou, não vestiu nada na parte de cima. Com o bebê nos braços, sentou-se e, com cuidado, pegou um pouco de leite, deixando-o pingar sobre o próprio peito.
O bebê abocanhou na mesma hora. Um alívio inundou Bella quando o choro finalmente cessou. Ela continuou oferecendo o leite com cuidado até os movimentos da menina diminuírem, indicando que tinha adormecido.
Com delicadeza, Bella a colocou de volta no carrinho; assim ficava mais confortável.
Ela parou um instante para vasculhar o carrinho, esperando encontrar algo que ajudasse a localizar os pais do bebê.
Pegou um chocalho e viu um nome gravado nele.
— Rodriguez — murmurou.
A raiva subiu. — Então era o homem de óculos escuros... e eles realmente deixaram essa menina aqui como se fosse um lixo esquecido? — esbravejou. Mas parou, pensando.
Então um pensamento ardiloso lhe cruzou a mente. De certa forma... isso podia funcionar a meu favor.
Tudo o que ela conhecia era a riqueza, e aquela podia ser a sua chance. Aquele bebê podia ser uma bênção... uma saída da pobreza. Bella sorriu ao olhar para o rostinho macio da criança, dormindo, sentindo como se tivesse acabado de acertar na loteria.
(MANSÃO RODRIGUEZ)
A babá se ajoelhou no chão, tremendo.
— Onde está o bebê que eu deixei com você para cuidar? — perguntou ele, calmo e indiferente.
— Senhor... eu... me desculpe. Eu... eu esqueci... — ela gaguejou.
Ele estreitou os olhos; a calma dele só tornava tudo pior.
— Você esqueceu uma criança? Ficou louca? Você tem noção do que aconteceria se a imprensa descobrisse que eu perdi minha filha do jeito mais ridículo possível?
Ele se virou para os seguranças.
— Encontrem a criança e tragam-na de volta — disse, frio. Então apontou para a babá. — Garantam que ela seja silenciada. Não quero minha reputação manchada.
— Sim, senhor.
— N-não, por favor! — a babá soluçou, engatinhando em direção a ele. — Eu não vou dizer nada! Eu juro! Por favor! Eu vou encontrar sua filha. Por favor, não me machuque, eu imploro!
Ela se agarrou às pernas de Lucian. Irritado, ele a chutou para longe sem nem olhar.
Os guardas intervieram. Um deles pressionou um pano sobre a boca dela. A resistência enfraqueceu em segundos, e ela ficou mole. Eles a levantaram e a arrastaram para fora do cômodo.
Ele acendeu um cigarro e serviu uma bebida para si, tomando um gole lento enquanto soltava fumaça. Os olhos escuros fitavam o nada, a raiva se enroscando apertada dentro dele.
— Meus rivais podem ter levado a criança. Aquela idiota arruinou o meu trabalho duro.
Num movimento brusco, ele atirou o copo no chão. Ele se estilhaçou com um estrondo seco.
Uma empregada idosa, que servia a família havia décadas, observou-o com cautela e soltou um suspiro baixo.
— A comida está pronta, Lucian — disse ela, com um sorriso pequeno e cuidadoso.
Ele lançou um olhar para ela e assentiu, voltando a atenção para a fumaça que se enrolava no cigarro.
Bella saiu bem cedo, antes que o proprietário aparecesse. Não levou nada do lixo que chamava de apartamento; depositava todas as esperanças nos pais do bebê.
O táxi parou em frente a uma empresa enorme. O motorista puxou o carrinho do porta-malas.
Bella contemplou a fachada. Rodriguez estava escrito em destaque no topo.
— Uau... é enorme — murmurou.
Ela olhou para o bebê em seus braços.
— Seus pais são ricos... tenho certeza de que podem me dar um trocado.
Com cuidado, colocou o bebê no carrinho e começou a se dirigir à entrada.
— Ei, sua puta! Você esqueceu de pagar! — gritou o motorista.
O insulto era desnecessário, gratuito e irritante.
Bella cerrou o maxilar, mas se obrigou a manter a calma. Virou-se e jogou o dinheiro no chão, ignorando-o enquanto continuava andando.
O homem avançou, agarrando um punhado do cabelo dela e puxando-a para trás.
— Ai! Solta o meu cabelo! — ela gritou, dando uma cotovelada nele, mas ele não a soltou.
— Quem é você pra me desrespeitar? — ele rosnou, puxando com mais força. — Primeiro, você não pagou. Agora joga meu dinheiro no chão.
A rua estava vazia. Não havia ninguém à vista para ajudar. Lágrimas escorriam pelo rosto de Bella, e o couro cabeludo ardia sob o aperto dele.
— Eu só fiz com você o que você merecia, seu desgraçado! Solta meu cabelo! — ela resmungou entre dentes.
Bella se debateu, mas o choro do bebê rasgou o ar, ficando mais alto a cada segundo.
De repente, um carro se aproximou e freou com um guincho.
O homem finalmente a soltou e a empurrou para o lado.
Bella encarou o carro, esperando... rezando para que fosse dos pais do bebê, para poder acabar logo com aquilo.
A porta do carro se abriu. O homem saiu, o olhar prendendo-se imediatamente na criança que chorava no carrinho. O rosto dele endureceu.
Sem dizer uma palavra, ele tirou o celular e discou.
— Alô, polícia.
Os olhos de Bella se arregalaram.
