Capítulo 5
—P... polícia? —gaguejou Bella.
—Senhor, por favor, espere! Eu não roubei a criança —explicou ela, com a voz trêmula.
Ele não olhou para ela enquanto continuava, a voz calma e precisa.
—Tem uma mulher aqui com a minha filha —disse ele.
O motorista, percebendo que o homem tinha chamado a polícia, pulou imediatamente para dentro do táxi e arrancou em disparada.
Bella pegou a criança, que chorava, do carrinho.
—Eu vim devolvê-la... Eu a encontrei no parque. Estava escuro, e eu não sabia o que fazer. Desculpa... por favor, não chame a polícia —disparou, atropelando as palavras.
Lucian baixou o celular e a examinou. Ela parecia exausta, inocente, marcada pela pobreza; os olhos cansados, o rosto pálido... mas havia uma beleza crua em seus traços.
Ela lhe estendeu o bebê, mas ele não estendeu a mão, mantendo o olhar fixo na criança.
—Eu sei que você não a roubou —disse, por fim. —Minha babá a deixou num parque. Eu só queria assustar aquele homem e fazê-lo ir embora. —Forçou um sorriso apertado, que não chegou aos olhos.
Bella deu uma risada nervosa e puxou o bebê de volta, acomodando-a no carrinho enquanto a criança balbuciava feliz na própria língua.
Ela ergueu os olhos para Lucian, esperando — esperando gratidão, dinheiro, qualquer coisa.
—Obrigado —disse ele, duro, como se as palavras fossem mais obrigação do que apreço.
Ela soltou o ar com força, cansada de fingir.
—Pelo menos me dê dinheiro por isso. Eu podia ter matado sua filha ou vendido ela... mas não fiz.
Ele arqueou uma sobrancelha devagar.
—Então fazer a coisa certa agora tem um preço?
Bella o fulminou por dentro. Se não estivesse tão desesperada por dinheiro, não estaria exigindo pagamento por uma boa ação — mas, naquele momento, não se importava. Ele ia dar dinheiro, gostasse ou não.
—Ué, eu cuidei dela —rebateu.
Os olhos de Lucian se estreitaram.
—E não é isso que um ser humano normal deveria fazer?
Aquele homem estava começando a irritá-la.
—Você é dono de uma empresa enorme. Um pouco de gratidão em forma de dinheiro não vai te matar —retrucou, ríspida. —Ou gente rica é sempre pão-dura assim? E como você consegue deixar sua filha num parque com uma babá? Isso... isso é irresponsabilidade do caralho.
Ele piscou, pego de surpresa. Ela não sabia quem ele era? Em toda Nova York, todo mundo conhecia Lucian Rodriguez. A ideia o chocou mais do que ele gostaria de admitir.
Ele enfiou as mãos nos bolsos e jogou para ela algumas notas de dólar.
—Tome. Agora suma daqui.
Bella encarou o dinheiro.
—Cinquenta dólares?
Era o bastante como agradecimento, ela ponderou, embora uma parte pequena e insistente da sua mente a empurrasse a tentar mais.
Ela suavizou a voz, buscando um equilíbrio cuidadoso entre ousadia e súplica.
—Pra ser sincera, senhor, eu... eu preciso de mais do que isso. Eu não consigo sobreviver com tão pouco. Eu sou órfã, moro na rua, não tenho pra onde ir. Eu... eu posso cuidar da sua filha, se a mãe dela não se importar.
Os olhos escuros de Lucian encontraram os dela.
—A mãe dela está morta —disse, seco.
Bella caiu de joelhos.
Os olhos de Lucian se arregalaram na hora. Qualquer um podia vê-los... alguém podia interpretar errado e espalhar boatos.
—Eu disse pra você sumir daqui —ordenou, frio.
—Por favor, senhor —ela soluçou. —Eu... eu faço qualquer coisa que o senhor quiser. Qualquer coisa, o que te agradar. Só me tira da pobreza pra sempre. Eu não quero continuar vivendo assim. Eu te imploro.
Em circunstâncias normais, Lucian teria se virado e ido embora. Mas não foi o que aconteceu. Ele ficou, ouvindo os apelos quebrados dela.
A mente dele trabalhou rápido. A babá tinha ido embora. A velha não conseguia acalmar o bebê. Ele olhou para a filha — quieta, estranhamente calma na presença de Bella. Ele não dava conta da criança sozinho, e não havia como encontrar uma nova babá com tão pouca antecedência.
— Hm — ele disse por fim. — E aí?
Bella assentiu com tanta força, tão depressa, que parecia que a cabeça ia cair.
Lucian caminhou a passos largos até o carro, e ela interpretou o movimento como uma ordem silenciosa para segui-lo.
Ela se levantou, embalando o bebê com cuidado, enquanto ele levantava o carrinho e o colocava no porta-malas.
Assim que entraram, ele gesticulou para o banco do passageiro.
Sem hesitar, ela entrou.
Os portões enormes da empresa se abriram automaticamente quando Lucian passou com o carro, que parou com suavidade.
Bella o seguiu depressa, empurrando o carrinho, enquanto a menininha dava risadinhas, feliz, completamente alheia ao mundo ao redor.
— Bom dia, senhor — cumprimentaram alguns funcionários, curvando-se levemente por hábito.
— Quem é aquela garota? — alguém murmurou.
— Provavelmente uma babá nova — respondeu outro, com desdém. — Também não vai durar.
Bella baixou a cabeça, recusando-se a encarar os olhares deles, sentindo a ardência do julgamento.
Lucian a conduziu até o escritório dele. As portas se fecharam atrás dos dois, isolando-os do mundo.
Ele se afundou na cadeira, com os olhos fixos nela.
— Senhor, eu prometo que o senhor não vai se arrepender de me escolher — Bella disse depressa, a voz trêmula, mas firme. — O senhor não vai ter motivo nenhum para reclamar. Eu juro pela minha vida.
O desespero dela o divertia, o intrigava. Uma curiosidade sombria brilhou em seus olhos. Ele queria saber até onde ela iria.
Ele pegou o telefone.
— Traga o contrato.
Momentos depois, um homem entrou. Bella o observou rapidamente... alto, loiro, marcante. Ainda assim, até ele parecia comum comparado ao homem à sua frente. Havia algo quase irreal em Lucian: o cabelo escuro, os olhos cortantes, o porte musculoso e a pele bronzeada faziam o recém-chegado parecer pálido em comparação.
Bella desviou o olhar. Ela não podia se dar ao luxo de se distrair, não agora. Precisava se concentrar em garantir a vida que queria, não em admirar ninguém, por mais bonito que fosse.
Lucian manteve a atenção nela.
— Qual é o seu nome?
— Bella — ela disse.
— Nome completo — ele exigiu.
— Rosabella Hale — ela respondeu.
— Assine o contrato — disse ele, deslizando os papéis na direção dela. — Nele consta que você fará o que eu pedir, sem objeção. Mesmo que eu mande você agir como um macaco, você vai agir. Sem perguntas, sem hesitação. Eu espero silêncio da criança o tempo todo. E a cláusula de confidencialidade é absoluta — você nunca poderá falar desse acordo com ninguém, não importa quem seja para você.
— Eu não tenho ninguém, senhor — Bella disse depressa. — Estou sozinha neste mundo. O senhor não precisa se preocupar. Eu vou assinar.
Ela pegou a caneta e assinou sem hesitar, deixando-a cair sobre a mesa.
— Mas, senhor — ela disse —, o senhor tem a sua parte a cumprir. O senhor vai garantir que eu nunca mais volte a ficar pobre. Eu quero oportunidades... para viver como os ricos vivem.
Ele a olhou por um instante e então assinou o contrato com um golpe seco da caneta.
— Fechado.
