Capítulo 4
Há poder na paciência, em ver uma pessoa desabrochar sob os seus cuidados. Já vi esse poder na sabedoria dos lobos muitas vezes. Sei o quanto o amor pode ser feroz — como ele pode construir ou destruir. Eu escolheria construir.
Por enquanto, eu a observaria das sombras e respeitaria os limites traçados pelos anciãos. Enviaria meus guardas... para ficarem de olho nela à distância, não para aprisioná-la. Matt ajudaria, é claro. Ele é leal. Ele também percebe como essa delicada humana me mudou — como fico inquieto sem ela.
Quando penso no futuro, imagino trazê-la para a matilha nos meus próprios termos. Imagino nós dois sentados sob a lua cheia enquanto ela aprende nossos costumes e nossas regras. Não será fácil. As outras matilhas vão nos desafiar. Haverá deboches da velha guarda. Mas, quando fecho os olhos, vejo apenas o rosto dela, e minhas dúvidas desaparecem.
Então, vou para a cama naquela noite com a mente mais tranquila que já tive em anos. Meu lobo anda menos de um lado para o outro. A dor está diferente agora, chame isso de esperança, chame de promessa. Amanhã, vou visitar Buck e inventar desculpas, apenas desculpas bobas, para vê-la de novo. Não vou apressá-la. Vou fazer com que se sinta segura. Vou conquistar o coração dela, mesmo que a própria Deusa da Lua tenha precisado dobrar o destino para que eu a encontrasse.
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Ponto de vista de Allie
Acordei esta manhã com a estranha sensação de que alguém estava me observando. Quando abri os olhos, o quarto estava vazio. A janela ainda estava aberta desde a noite anterior, deixando entrar uma brisa fresca matinal. Disse a mim mesma que não era nada, mas o mesmo formigamento estranho percorreu meu corpo — o mesmo que senti quando Jack estava perto do lago.
Talvez minha mente estivesse me pregando peças. Ou talvez, no fundo, eu quisesse que ele estivesse lá, me observando.
O que há de errado com você, Allie?, repreendi a mim mesma. Você mal conhece o homem.
Ainda assim, pensar nele despertou algo profundo e desconhecido dentro de mim — algo que fez meu coração acelerar e me deu um frio na barriga que eu não conseguia explicar.
Tentando me distrair, levantei da cama e tropecei em uma pilha de presentes que meus amigos haviam me dado antes de eu sair de casa. Eu os tinha guardado no armário e me esquecido completamente deles.
“Ah! Não acredito que ainda não abri isso.”
Sentada de pernas cruzadas no chão, comecei a desembrulhá-los um por um.
O primeiro era um diário lindo. Sorri, passando os dedos pela capa. “Acho que não vou precisar comprar um novo, afinal.”
O segundo presente estava em uma sacola preta forrada com papel de seda. Dentro, havia a mochila de couro marrom que eu queria há séculos, mas nunca tive dinheiro para comprar. “Meu Deus”, sussurrei. “Não acredito que fizeram isso.”
No terceiro presente, eu já me sentia como uma garotinha na manhã de Natal. Dentro, havia um pequeno frasco de perfume rosa com o rótulo Pink Happiness. Borrifei um pouco no pulso e inspirei o aroma — doce, suave e leve. Eu amei na mesma hora.
O quarto presente estava em uma caixa fina e delicada. Era tão leve que achei que pudesse ser uma pegadinha. Mas, quando levantei a tampa, havia um bilhete dobrado em cima do papel de seda branco.
Aproveite bem na primeira vez. Um presentinho sexy.
Com amor, Cassy.
Ri e afastei o papel de seda — só para perder o fôlego. Dentro, havia uma camisola de renda branca transparente com uma calcinha fio-dental combinando. O tipo de lingerie que a gente só vê em comerciais de lua de mel. Coloquei a peça na frente do corpo diante do espelho, balançando a cabeça.
— Você só pode estar de brincadeira, Cassy.
Bem nessa hora, a porta do quarto se abriu e eu congelei.
O tio Buck estava parado na porta.
Minhas bochechas ficaram escarlates. Soltei a lingerie e me atrapalhei toda para cobri-la com o papel de seda.
— Tio! — eu disse, forçando um sorriso nervoso. — Bom dia! Não ouvi o senhor bater.
— Desculpe, querida — ele disse rapidamente, também ficando um pouco vermelho. — Eu bati, sim. Só queria ver se você estava bem. Você costuma acordar mais cedo.
— Estou bem — respondi, escondendo a caixa de presente. — Só me distraí com os presentes que ainda não tinha aberto.
Ele deu uma risadinha.
— Bom, o café da manhã está pronto. Venha comer quando terminar aí.
Assim que ele saiu, afundei o rosto no travesseiro e soltei um gemido de frustração.
— Ótimo, Allie. Simplesmente ótimo.
Lá embaixo, durante o café da manhã, avisei ao tio Buck que queria ir à cidade comprar algumas coisas.
— É uma boa ideia — ele disse. — Você tem ficado muito tempo na fazenda. Vá conhecer gente nova, respirar um pouco de ar puro.
Depois de me arrumar, vesti um vestidinho branco de verão, uma jaqueta jeans e minhas botas de couro marrom favoritas. Minha mochila nova completou o visual.
O trajeto até a cidade levou cerca de quarenta e cinco minutos. Quando cheguei, fui direto para a feira. A praça fervilhava de vida — feirantes anunciando os preços, crianças rindo, e o cheiro de pão fresco e frutas tomando conta do ar.
Um cheiro doce chamou minha atenção. Segui o aroma até uma pequena barraca de doces e pães, atendida por uma garota mais ou menos da minha idade. Ela tinha cabelos macios em um tom castanho-avermelhado e um sorriso simpático capaz de derreter gelo.
— Oi — eu disse. — Com licença, mas tem alguma coisa aqui com um cheiro maravilhoso.
Ela abriu um sorriso.
— Devem ser os meus cookies. Acabaram de sair do forno.
Ela me ofereceu uma bandeja, e eles ainda estavam fumegando.
Dei uma mordida e quase derreti.
— Nossa. São incríveis.
O sorriso dela se alargou.
— Você acha mesmo?
— Tenho certeza. São os melhores cookies que já comi. Vou querer duas caixas, por favor... e um cartão, para eu poder encomendar mais.
Ela riu e começou a embalá-los.
— É pra já.
— Você é a Sasha? — perguntei, lendo o nome no cartão de visitas.
— A própria — ela respondeu com uma piscadinha. — Você é nova por aqui? Nunca te vi antes.
— Sim e não. Acabei de me mudar para a casa do meu tio, mas eu costumava vir visitar nas férias.
