Capítulo 5
— Ah, que legal — ela disse calorosamente. — Você devia ficar de vez. Talvez a gente possa tomar um café qualquer dia.
— Eu adoraria.
Acabamos conversando por quase uma hora — sobre trabalho, família e a vida em cidade pequena. Antes de eu ir embora, trocamos números. Eu não tinha percebido o quanto sentia falta de ter uma amiga.
Com o resto das minhas tarefas concluídas, voltei para o meu carro. Uma placa de "Vende-se" na vitrine de uma loja chamou minha atenção. Espiei lá dentro e vi um espaço pequeno, mas aconchegante, com janelas amplas e piso de madeira. Instantaneamente, imaginei o lugar como uma loja de presentes cheia de itens artesanais, café passando no canto e o cheiro de doces frescos.
Meu coração disparou com o pensamento. Talvez... isso fosse algo que eu pudesse fazer.
Durante todo o caminho de volta, não consegui parar de pensar nisso. Assim que cheguei à fazenda, descarreguei o carro e fui para os estábulos, onde o tio Buck estava escovando os cavalos.
— Oi, tio — eu disse, pegando outra escova para ajudá-lo.
— Olá, querida. Você parece animada. Aconteceu alguma coisa na cidade?
Eu contei tudo a ele — sobre Sasha, os biscoitos e, principalmente, a loja à venda. Minhas palavras se atropelavam enquanto eu explicava meu sonho de abrir uma pequena cafeteria e loja de presentes que vendesse produtos artesanais.
O tio Buck sorriu, com um olhar suave.
— Isso parece maravilhoso, Allie. Se é o que você quer, eu te ajudo a falar com seus pais sobre um empréstimo.
— Sério?
— Claro. Você é da família. E eu acho que você seria ótima nisso.
A alegria borbulhando dentro de mim era impossível de esconder.
— Obrigada, tio Buck!
Ele riu.
— Que tal darmos uma volta a cavalo antes do jantar? Eu sei como você adora os cavalos.
— Sim, por favor!
Selamos os cavalos e cavalgamos pelos campos, conversando sobre tudo e sobre nada. O vento batia no meu cabelo, o sol poente banhava a terra de dourado e, por um tempo, tudo pareceu perfeito.
Até que aquela sensação voltou, aquela sensação estranha de estar sendo observada.
Olhei ao redor, mas vi apenas árvores e o céu aberto. Ainda assim, a nuca formigou, e eu não conseguia afastar o pensamento de que algo — ou alguém — estava nos seguindo.
— Tudo bem? — o tio Buck perguntou.
— Sim — eu disse rapidamente, forçando um sorriso. — Só achei ter visto alguma coisa.
Cavalgamos mais rápido, rindo e apostando corrida durante todo o caminho de volta. O tio Buck ganhou, claro, mas eu não me importei.
As luzes da fazenda surgiram à vista enquanto o céu ficava roxo com o anoitecer. Me senti segura de novo. Quase.
----
POV da Allie
Hoje está um dia bem quente... ou talvez seja apenas a sensação porque estou trabalhando sob o sol. Estou ocupada no jardim, plantando flores enquanto o suor escorre da minha testa para o chão. Estou prestes a plantar a última flor quando de repente sinto faíscas percorrendo todo o meu corpo — exatamente como no outro dia.
Então, ouço vozes vindo da cozinha. Levanto-me do chão para ver quem é. Talvez eu possa oferecer algo para beberem. Talvez seja um dos amigos do tio Buck.
Ao abrir a porta dos fundos, meus olhos se encontram com os de Jack — e parece que um vulcão entra em erupção dentro de mim, enviando ondas de calor por todo o meu corpo. O olhar dele é tão intenso que consigo sentir meu coração saltando descontroladamente no peito, me fazendo respirar com dificuldade. Está batendo tão alto que consigo ouvir nos meus ouvidos.
O que está acontecendo comigo?
Por que eu me sinto assim quando estou perto dele? Aqueles olhos cor de mel — parece que conseguem enxergar a minha alma e descobrir meus desejos mais profundos e sombrios. Os lábios dele parecem tão tentadores que eu quero senti-los nos meus, prová-los. Seu maxilar marcado e a barba bem aparada o deixam com um ar sério, poderoso... perigosamente sexy.
Ele veste uma camisa preta de botão cuidadosamente colocada por dentro de uma calça cáqui marrom. Droga, percebo que estou encarando há muito tempo porque Jack começa a sorrir. Balanço a cabeça como se isso pudesse me ajudar a recuperar o controle e desacelerar meu coração.
— Olá, Jack — digo com um sorriso educado.
— Olá, Allie.
Ouvir meu nome deslizar pelos lábios dele faz meu coração errar uma batida. Esse homem está me deixando louca. Só o som da voz dele faz meu coração acelerar e desacelerar ao mesmo tempo. Como isso é sequer possível?
Eu me recomponho e tento agir normalmente.
— Vocês dois se conhecem? — o tio Buck pergunta, olhando de um para o outro.
— Tive o privilégio de conhecer sua sobrinha alguns dias atrás perto do lago — Jack responde antes que eu consiga.
— Bem, isso não é maravilhoso! Fico feliz que tenham se conhecido — agora não preciso apresentar vocês — o tio Buck brinca.
— Alguém aceita um café? Comprei os biscoitos mais deliciosos na feira outro dia, de uma garota muito simpática chamada Sasha.
A expressão de Jack muda completamente quando menciono o nome da Sasha.
— Você conhece bem a Sasha? — ele pergunta, com a voz de repente cheia de empolgação.
— Não muito — admito. — Só a conheci quando comprei os biscoitos. Nós conversamos um pouco e trocamos números.
— Então, você fez uma nova amiga — ou devo dizer dois? — o tio Buck provoca, piscando para mim.
— Algo assim — digo, sorrindo antes de voltar meu olhar para Jack. — Você conhece a Sasha, por acaso?
— Conheço — Jack responde. — Nós crescemos juntos. Somos bons amigos.
Ouvir ele dizer isso desperta uma pontada aguda de ciúmes em mim. Como eu queria ter crescido com alguém como ele.
Preparo o café, e todos nós nos sentamos à mesa para aproveitá-lo com os biscoitos. Jack e o tio Buck começam a falar de negócios — algo sobre cavalos —, mas eu não consigo me conter. Fico encarando Jack como uma cachorrinha apaixonada.
Ele me pega olhando e, quando nossos olhos se encontram, ele pisca. Minha alma praticamente sai do corpo, e eu coro como uma garotinha.
Jack acabou de me convidar para ir com ele ver sua casa no lago, e eu disse que sim.
— Você se importa se eu tomar um banho rápido primeiro? Estive trabalhando no jardim e provavelmente estou cheirando a suor — digo, envergonhada.
Ele dá um sorriso suave. — Não, de jeito nenhum. Leve o tempo que precisar. Vou ficar aqui conversando com seu tio.
Corro para o andar de cima e pulo no chuveiro, me lavando o mais rápido que consigo. Mesmo que Jack tenha dito que eu poderia levar o tempo que precisasse, não quero que ele espere muito. Escolho uma calça jeans comprida e uma camiseta verde-oliva, dando um pequeno nó na frente para que não fique muito solta. Depois, calço minhas sandálias gladiadoras de couro marrom com placas circulares douradas que combinam perfeitamente.
Na penteadeira, coloco brincos de argola dourados de tamanho médio para combinar com as sandálias e borrifo um pouco do meu perfume novo, Pink Happiness, no pescoço e nos pulsos. Até passo um pouco de rímel e um protetor labial para que meus lábios não pareçam ressecados.
