Capítulo 6
Quando finalmente estou pronta, pego minha mochila de couro marrom e desço até onde Jack e o tio Buck ainda estão esperando.
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PDV do Jack
Allie não demora muito. Com minha audição de lobo, consigo ouvi-la andando lá em cima — se vestindo. No instante em que desce as escadas, ela me deixa sem fôlego.
Mesmo de calça jeans e camiseta simples, ela está deslumbrante. A calça abraça suas curvas perfeitamente, e o aroma suave de seu perfume se mistura à sua doçura natural, me enlouquecendo.
“Você está linda”, eu digo, sendo sincero em cada palavra, embora deslumbrante fosse mais exato.
“Obrigada”, ela diz, tímida. “Espero não ter feito você esperar demais.”
“De forma alguma. Você foi rápida”, respondo, sorrindo. “Pronta para ir?”
Ela assente, retribuindo meu sorriso, e posso sentir meu lobo se agitando, inquieto, dentro de mim. Cada momento com ela torna mais difícil manter meus instintos sob controle.
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PDV da Allie
Jack e eu saímos até onde um carro elegante nos espera. Um homem está de pé junto à porta, segurando-a aberta para nós. É uma sensação estranha — como uma cena de filme. Quem é o Jack, de verdade?
Ele deve ser importante, talvez algum tipo de empresário. No dia em que nos conhecemos no lago, ele parecia tão normal — apenas um homem de olhos gentis e sorriso calmo. Mas espero que tudo isso não seja uma grande encenação para me impressionar. Não ligo para coisas luxuosas.
Mas, pensando bem, como ele poderia saber que eu aceitaria sair com ele hoje?
Durante o trajeto, decido perguntar um pouco sobre ele. “Então, que tipo de trabalho você faz?”
Jack me lança um olhar rápido antes de voltar os olhos para a estrada. “Minha família é dona de algumas empresas — na nossa cidade e em outros lugares pelo mundo.”
Sua resposta soa natural, quase natural até demais, mas não insisto.
Quando chegamos, dois guardas abrem um grande portão de metal. Outros dois montam guarda perto da entrada. Não consigo evitar me perguntar se ele faz parte de algo poderoso… ou perigoso. Por um breve momento, temo ter cometido um erro ao vir aqui sozinha.
Mas então me lembro de que o tio Buck o conhece — isso é motivo suficiente para confiar nele.
À medida que o carro avança pela entrada de cascalho, meu queixo cai. A casa do lago é imensa.
“Esta é a casa dos seus pais?”, pergunto.
Jack balança a cabeça. “Não, é minha.”
Eu pisco. “Sua?”
Ele dá um leve sorriso, claramente achando graça da minha surpresa.
O carro para em frente à casa, e outro homem se apressa em abrir a minha porta. Ele estende a mão para me ajudar a sair, mas Jack solta um som baixo e contido — quase como um rosnado — e o homem recua imediatamente. O próprio Jack pega a minha mão, seu toque quente e autoritário.
Agora que estou do lado de fora, consigo observar tudo. A casa do lago é de tirar o fôlego — moderna e ao mesmo tempo rústica, com telhado preto fosco, paredes de tijolos e grandes janelas de vidro com esquadrias de aço preto. A entrada é coberta por um cascalho cinza-claro, e oliveiras perfeitamente podadas margeiam o caminho. Parece algo saído de um sonho de arquitetura.
Eu poderia me imaginar morando aqui.
Jack chama um dos homens — Matt, se ouvi bem — e, sem dizer uma única palavra, Matt assente e faz um sinal para que todos se retirem. Em poucos instantes, o lugar inteiro fica em silêncio.
Meu coração acelera. “Para onde todo mundo foi?”
— Mandei todos embora — diz Jack baixinho, se aproximando. — Achei que seria bom termos um pouco de privacidade. Não é muito romântico com todo mundo por perto, não acha?
Ele sorri e estende a mão para mim. Apesar do nervosismo, eu a seguro. O calor da sua palma se espalha pelo meu corpo, deixando uma trilha de arrepios.
Ele abre a porta da frente e faz um gesto para que eu entre primeiro.
Assim que entro, ele fecha a porta — e, de repente, minhas costas batem contra a parede. Meu coração erra uma batida quando ele prende minhas mãos acima da minha cabeça com apenas uma das dele, prensando seu corpo contra o meu. Seus olhos buscam os meus com uma intensidade que me rouba o fôlego.
Meu olhar desce para os lábios dele. Estão tão perto. Quase consigo senti-los.
E então, ele me beija.
Seus lábios tomam os meus com uma fome que me deixa com as pernas bambas. É tudo o que imaginei — não, é ainda mais. A sensação é de fogos de artifício explodindo sob a minha pele.
Tento recuperar o fôlego, mas ele não me deixa recuar. Sua língua encontra a minha, e não consigo evitar corresponder, tremendo sob o seu toque.
Quando ele finalmente me pega no colo, me carregando até o sofá, meu coração está batendo tão forte que é a única coisa que consigo ouvir.
Ele olha para mim, com os olhos cheios de uma mistura de paixão e preocupação. — Diz que você também sente isso.
— Sim — sussurro. — Eu também sinto — algo que não consigo explicar. Nunca senti isso antes.
O alívio toma conta de sua expressão, e ele acaricia minha bochecha com o polegar. — Eu esperava que você dissesse isso.
Ele se aproxima de novo, mas quando sua mão escorrega por baixo da minha blusa, meu corpo fica tenso. Eu congelo.
Ele para imediatamente, com o olhar cheio de preocupação. — Fiz alguma coisa errada?
Balanço a cabeça rapidamente. — Não, não é você. Sou eu. É que eu... nunca estive com ninguém antes.
Ele fica me olhando, como se tentasse processar o que acabei de dizer.
— Espera — quer dizer que... você nunca...?
Sinto meu rosto queimar de vergonha. Não consigo encarar os olhos dele.
— Você ainda é virgem — diz ele baixinho, com um tom cheio de admiração em vez de julgamento.
Assinto em silêncio, esperando ver decepção — mas, em vez disso, sua expressão se suaviza. Ele levanta meu queixo com delicadeza, para que eu olhe para ele.
— Minha doce Allie — diz ele em voz baixa. — Você não tem do que se desculpar. Você é muito mais do que eu poderia ter sonhado — pura, gentil e linda. Eu vou esperar por você. Não importa quanto tempo leve.
Suas palavras derretem até o último resquício de medo dentro de mim.
Jack e eu ficamos sentados juntos no sofá por um tempo, apenas conversando. Foi bom — natural — finalmente poder conhecê-lo melhor. Conversamos sobre o trabalho dele, sua família e como um dia ele assumiria os negócios da família. Assim como eu, Jack era filho único, e descobrimos que tínhamos muito em comum — nosso amor pela natureza, pelos animais e por lugares tranquilos.
Quando contei sobre a minha ideia de abrir uma lojinha de presentes na cidade, o rosto dele se iluminou como o de uma criança que acabou de ganhar um doce.
Ficamos sentados mais um pouco, com a mão dele repousando sobre a minha, quente e firme. Então, ele perguntou baixinho:
— Você gostaria de ver o resto da casa?
— Eu adoraria — respondi, sorrindo.
Ele se levantou e pegou a minha mão, me guiando em direção à cozinha. A casa tinha um conceito aberto — a cozinha, a sala de jantar e a sala de estar se integravam em um único e espaçoso ambiente. O piso era de cimento queimado, dando à casa um toque rústico, porém elegante.
