Capítulo 7
A cozinha me deixou sem fôlego. Era clara e arejada, com armários brancos em estilo casa de fazenda e puxadores pretos foscos. Tudo parecia limpo e organizado.
— Você cozinha muito nesta cozinha linda? — perguntei, deslizando as pontas dos dedos pela bancada fria.
Ele riu baixinho, encostando-se na bancada com os braços cruzados. — Nem um pouco.
— Então por que ter uma cozinha tão grande se você não cozinha? — provoquei, erguendo uma sobrancelha.
Ele deu um sorriso de lado. — Quando mandei construir a casa, fiz questão de que a cozinha fosse grande o suficiente para a minha futura esposa. Queria que ela tivesse espaço para cozinhar com conforto. Até me certifiquei de que houvesse quartos suficientes para uma família.
Suas palavras fizeram meu coração errar uma batida. — E se a sua futura esposa não gostar de cozinhar? — perguntei, fingindo um tom casual.
— Então eu simplesmente contrato um cozinheiro — disse ele com um sorriso largo, afastando-se da bancada e se aproximando. Seus olhos brilhavam com malícia. — Problema resolvido.
Não consegui evitar um sorriso. — Então, me conta, quantas garotas você já trouxe aqui para impressionar com essa sua cozinha?
Seu sorriso diminuiu levemente. — Só uma.
Inclinei a cabeça, curiosa. — E ela gostou?
— Não tenho certeza — disse ele, se aproximando mais. — Ainda não perguntei a ela.
Levei um segundo para perceber que ele estava falando de mim.
— Quer dizer que você não trouxe mais ninguém aqui? — perguntei baixinho, com o coração acelerado.
Ele balançou a cabeça. — Não, não trouxe. Como eu disse, este lugar foi construído para mim e para a minha esposa, um dia.
Ele colocou as mãos gentilmente na minha cintura, me puxando para mais perto até que eu pudesse sentir sua respiração contra a minha pele.
— Então por que me trazer aqui, se este lugar é para a sua esposa? — sussurrei.
Ele se inclinou, os lábios perto do meu ouvido. — Ah, minha doce Allie — murmurou ele, sua respiração quente provocando arrepios na minha espinha. — Se você soubesse.
Suas palavras pairaram no ar, carregadas de um significado que eu ainda não entendia. Eu queria perguntar o que ele queria dizer, mas antes que pudesse, ele pegou a minha mão novamente e me guiou pelo resto da casa.
O interior seguia o mesmo estilo industrial rústico — madeira escura, detalhes em preto fosco e toques suaves de móveis de couro marrom. Alguns tapetes de couro de boi estavam perfeitamente dispostos pelo chão, e a decoração tinha o equilíbrio exato entre o masculino e o acolhedor.
Havia quatro quartos no total, embora três deles estivessem completamente vazios. — Por que você não mobiliou estes? — perguntei enquanto passávamos pelo último.
Ele deu de ombros. — Acho que não tive tempo.
No final do corredor, uma última porta permanecia fechada. Jack fez um gesto na direção dela. — Vá em frente — disse ele com um sorriso.
Eu a abri devagar, e a visão me deixou sem fôlego.
O quarto estava banhado por uma luz suave. Não se parecia com o resto da casa — era mais claro, mais delicado, com paredes de cimento bege em vez de tons escuros. Uma grande cama queen ficava de frente para uma parede de portas de vidro que se abriam para um pátio com vista para o lago. Era deslumbrante.
Os móveis eram de madeira clara, do tipo que brilhava suavemente à luz do sol. Um tapete de palha trançada se estendia das portas de vidro até debaixo da cama, e um delicado vaso com folhas de eucalipto repousava sobre a cômoda, ao lado de uma vela branca perfumada. Todo o espaço tinha um leve cheiro de ar fresco e algo floral.
— Tem certeza de que nunca trouxe mais ninguém aqui antes? — perguntei, sorrindo de forma brincalhona.
Ele riu. — Tenho certeza.
— Então por que você tem uma cômoda com um espelhinho e uma vela? É um pouco feminino para um homem, não acha?
— Isso é novo — ele admitiu. — Minha mãe redecorou o quarto depois que eu disse a ela que tinha conhecido alguém especial.
Meus olhos se arregalaram. — Você falou de mim para os seus pais? Antes mesmo de a gente...
— Sim — ele disse simplesmente, com uma expressão indecifrável.
Algo quente agitou-se dentro de mim. Voltei-me para a cama e para a vista além dela. — É lindo — sussurrei.
Ele me seguiu até o banheiro conjugado, que era enorme. Uma grande janela se estendia do chão ao teto ao lado de uma banheira de pedra com vista para o lago. Era de tirar o fôlego — pacífico, sereno.
— Dá para ver o lago enquanto você toma banho — eu disse baixinho, sorrindo.
Ele assentiu. — É a minha parte favorita da casa.
Quando me virei para encará-lo, peguei-o me observando de perto, seu olhar traçando cada expressão no meu rosto como se estivesse me memorizando.
— Você tem os olhos mais lindos — eu disse sem pensar. Minhas bochechas queimaram instantaneamente.
Jack sorriu lentamente. — Não seja tímida, minha doce Allie. Pelo menos agora eu sei que você gosta de algo em mim.
Algo? Eu gostava de tudo nele.
Antes que eu pudesse responder, ele se aproximou e me ergueu facilmente em seus braços. Dei um leve suspiro enquanto minhas pernas instintivamente se envolviam em sua cintura. Ele me carregou até a bancada e me colocou na beirada, com o rosto enterrado no meu peito enquanto respirava fundo.
— Jack, você está bem? — sussurrei, acariciando seu cabelo suavemente.
Ele exalou pesadamente antes de se afastar, com os olhos brilhando de emoção. — Estou bem. É que... Eu esperei por você por tanto tempo, e ainda parece irreal que você esteja aqui. Eu só quero absorver cada momento — seu cheiro, sua voz, tudo.
Suas palavras fizeram meu coração doer do melhor jeito possível. Segurei seu rosto com as mãos, forçando-o a encontrar meu olhar.
— Jack — eu disse baixinho. — Eu estou aqui. Eu sou real. Eu nunca soube o que era amar alguém — não até conhecer você. No dia em que te vi perto do lago, algo dentro de mim mudou. Eu não entendi no começo, mas quando você me beijou mais cedo... Eu soube. Estou apaixonada por você.
Seus olhos se arregalaram levemente antes que um sorriso brilhante se abrisse em seu rosto.
— Ah, minha doce Allie — ele sussurrou, puxando-me para seus braços. — Você não sabe o quanto eu queria ouvir isso.
Ele me beijou de novo, desta vez com ternura em vez de avidez. Seus lábios se moveram suavemente contra os meus, cheios de calor e promessa. Quando o beijo se aprofundou, senti-me derreter nele, mas ele se afastou gentilmente.
— É melhor pararmos — ele murmurou. — Antes que as coisas vão longe demais.
Eu assenti, tocada por seu autocontrole. Ele poderia facilmente ter se aproveitado do momento — mas não o fez. E isso só me fez me apaixonar ainda mais por ele.
