Capítulo 9

Forcei um sorriso. “Você devia ficar com esse dinheiro, pai. Eu vou dar um jeito. Eu tenho faculdade de Administração, afinal. Consigo montar outro plano.”

A gente conversou mais um pouco antes de chegar a hora de se despedir. Assim que a ligação terminou, o peso da realidade caiu sobre os meus ombros.

Como é que eu ia arrumar tanto dinheiro?

Eu só tinha guardado uma quantia pequena dos bicos de babá que eu fazia na época da faculdade. Eu tinha esperado usar isso pra abastecer a loja, não pra comprar a loja. Meu plano tinha desmoronado antes mesmo de começar.

“Talvez eu só tenha me empolgado demais”, murmurei pra mim mesma. “Vou ter que pensar em arrumar um trabalho e juntar dinheiro.”

Mas, lá no fundo, eu sabia que, quando eu juntasse o suficiente, a loja já teria sido vendida.

Aff. Eu não queria mais pensar nisso.

Em vez disso, pensei no Jack. Eu disse ao tio Buck que queria fazer uma surpresa pra ele com um jantar romântico hoje à noite e que ele não precisava ficar me esperando acordado.

O tio Buck abriu um sorriso torto. “Alguém tá apaixonada”, ele provocou.

Eu não neguei, porque era verdade.

Lá em cima, tomei um banho rápido e me vesti. Hoje à noite, eu queria manter tudo simples. Vesti um vestido longo preto, de malha macia tipo camiseta... básico, mas bonito. As alcinhas finas cruzavam nas costas, e ele marcava meu corpo na medida certa.

Como podia esfriar, joguei minha jaqueta jeans por cima e combinei com sandálias pretas. Prendi o cabelo num coque frouxo, meio bagunçado, e passei um pouco de sombra — um esfumado clarinho, que fez meus olhos castanho-escuros se destacarem. Por fim, borrifei meu perfume novo e coloquei minhas argolas grandes de prata.

Depois de me despedir do tio Buck, peguei minhas chaves e fui até a casa do Jack. Eu só esperava que os seguranças me deixassem entrar, ou que ele estivesse em casa hoje à noite, e não viajando a trabalho.

Quando cheguei ao portão grande da casa do Jack, não tinha nenhum segurança ali, e o portão estava aberto. Resolvi entrar devagar com o carro, só por precaução, caso alguém tentasse me pegar de surpresa ou coisa assim.

Quando me aproximei da porta da frente, vi o carro do Jack parado na entrada, mas não tinha ninguém à vista. A porta do carro estava aberta, mas não tinha ninguém dentro. Pensei que ele pudesse ter entrado correndo em casa e deixado a porta aberta.

Estacionei meu carro na lateral da casa, onde ficava a vaga coberta, e fui em direção à porta. Bati na porta da frente, mas ninguém respondeu. Era estranho. No outro dia este lugar estava cheio de seguranças e, agora, não tinha uma pessoa sequer.

Puxei a maçaneta pra ver se estava destrancada e, pra minha surpresa, estava. Entrei na casa e fechei a porta atrás de mim.

Chamei o Jack, mas não tive resposta. Fui até o quarto dele pra ver se ele estava lá, talvez. A porta do quarto do Jack estava aberta, então eu só entrei e chamei por ele, mas, de novo, nada.

“Ah, tá”, suspirei. “Acho que vou começar o jantar, então. Talvez o Jack volte daqui a pouco. Ele deve estar dando uma volta ou algo assim. Só de pensar na cara de surpresa dele quando voltar e encontrar uma comida feita em casa...”

Olhei na despensa enorme para ver o que o Jack tinha guardado ali. Estava abarrotada de comida, o sonho de toda garota… ou, pelo menos, o meu sonho.

Peguei um pacote de macarrão na despensa e comecei a procurar uma panela grande e uma frigideira. Coloquei água na panela e pus no fogão grande. Quando a água começasse a ferver, eu ia jogar o macarrão.

Em seguida, comecei a picar cebolas. Mal tinha começado e meus olhos já começaram a lacrimejar. Fui pegar um pano de prato para enxugar as lágrimas. Eu não queria borrar a maquiagem e ficar toda acabada quando o Jack me visse.

Enquanto eu secava os olhos, ouvi a porta abrir — e lá estava o Jack, parado na entrada da cozinha.

— Meu Deus, me desculpa, Jack! — fechei os olhos depressa. — Jack, me desculpa mesmo. Eu queria te fazer uma surpresa, mas…

Eu mal terminei a frase quando senti o dedo dele pressionar de leve nos meus lábios.

Fiquei paralisada, corando, porque eu sabia que ele estava bem na minha frente… nu, e eu tive que lutar contra aquela vontade forte, dentro de mim, de não abrir os olhos.

Jack pegou minha mão devagar e a colocou no peito dele. Nos poucos segundos em que eu o tinha visto antes de fechar os olhos, reparei como ele era musculoso e forte — pelos escuros e ásperos no peito, destacando a pele bronzeada. Ele parecia tão másculo.

Só de sentir minha mão no peito dele, o calor subiu pro meu rosto, e uma sensação desconhecida pulsou entre minhas coxas. Minha respiração ficou pesada.

— Abre os olhos, Allie — ouvi ele sussurrar.

Em vez disso, apertei as pálpebras com mais força e, no instante seguinte, ele pegou minha mão e começou a guiá-la devagar para baixo, passando pelo abdômen dele, me fazendo puxar a mão do controle dele e esquecendo de manter os olhos fechados.

Meu olhar encontrou o dele e havia uma fome incontestável ali, a mesma fome que eu sentia; e, no momento seguinte, eu já estava nos braços dele, com as pernas enroladas na cintura dele.

Ele me desceu até me sentar na bancada da cozinha e começou a me beijar com intensidade. Minhas unhas cravaram nos ombros dele, puxando-o ainda mais pra perto, até o corpo duro dele se pressionar contra o meu de novo. Eu amava a sensação. Eu nunca tinha sentido um desejo tão intenso assim. Tudo o que eu queria era arrancar minhas roupas e sentir o corpo dele colado ao meu.

De repente, ele se afastou, dando um passo pra trás.

— Meu Deus… você é tão linda. Se eu não parar agora, eu não vou conseguir me segurar e vou querer fazer mais do que só beijar.

Ouvir aquilo foi como levar um choque de volta à realidade. Mas ele tinha razão.

— Você tem razão — concordei. Eu sabia que, naquele momento, eu estava dominada pela adrenalina e pelo desejo, e que isso ia passar em um minuto.

— As coisas esquentaram um pouco por um momento. É melhor a gente se conhecer melhor. — Desci da bancada e ajeitei minhas roupas.

— É melhor você se vestir antes que as coisas esquentem de novo.

Ele deu um meio sorriso com o meu comentário e sumiu pelo corredor. A cozinha parecia ainda mais abafada, e não era por causa da comida no fogão.

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