Capítulo 10 “Damien”
"Marcos, por favor, espera!"
Uma voz alta e firme chamou apressadamente, seguida por passos rápidos que batiam nos degraus com um ritmo constante.
"Você está indo embora?" A voz perguntou, parando hesitante bem atrás dele.
Marcos suspirou, as palavras se recusando a se formar em sua cabeça enquanto ele lutava para encontrar uma desculpa perfeita para dar ao seu irmão.
Ele se virou lentamente, seus gestos cuidadosos como se estivesse se aproximando de um animal assustado, quando na verdade era apenas seu irmão.
Ele ficou cara a cara com o adolescente, notando a curva que se formava em sua testa.
"Damien, não é o que parece." Ele disse, soltando outro suspiro.
Ele observou enquanto os lábios de Damien se transformavam em uma carranca antes de falar.
"Como assim? E o que isso parece para você?" Seu irmão perguntou, olhando para Marcos com irritação.
"Olha," Marcos começou, respirando fundo enquanto passava as mãos pelo cabelo. "Eu só queria clarear a cabeça."
"E você clareia a cabeça dentro de um carro?" Damien perguntou, inclinando a cabeça um pouco para o lado. "Você acha que eu ainda sou uma criança?"
A raiva emanando de Damien saía em ondas, atingindo todos presentes enquanto eles tremiam levemente.
Marcos sentiu um surto da raiva de seu irmão atingir levemente seu estômago, fazendo-o se sentir um pouco culpado.
"Desculpa, Damien. Eu estava tão perdido em meus pensamentos que por um minuto esqueci algumas coisas, e a única coisa que importava era sair daqui." Ele bufou, enquanto se desculpava.
"Você acha que desculpas resolvem isso? E o que você estava pensando que te fez esquecer completamente de mim?" Ele gritou, sua voz falhando.
Suspiros silenciosos foram ouvidos enquanto as empregadas observavam o mestre mais jovem falar rudemente com o alfa.
"O que diabos você quer que eu faça, Damien? Que eu saia implorando para você me perdoar, ou que eu me ajoelhe?" Marcos exclamou, sua voz aumentando.
A bomba em sua cabeça finalmente explodiu enquanto ele olhava para seu irmão mais novo com raiva reprimida.
"Você acha que é fácil viver aqui? Eu não consigo mais te ver como costumava." Sua voz tremia, saindo quase inaudível.
"Ninguém neste maldito lugar gosta de mim, nem mesmo meu pai."
Um rosnado de Marcos o interrompeu em seu desabafo.
"Linguagem! Você é muito jovem para estar xingando." Marcos rosnou, seus olhos cintilando.
"Então se acostume, porque é assim que eu falo agora, e eu adoro isso porque ninguém percebe. Você nem está aqui para me corrigir, então o que importa se eu xingo? Todo mundo faz isso, por que eu não posso?"
"Isso é porque você é muito jovem para estar xingando," Marcos repetiu, um rosnado baixo escapando de seu peito.
"Besteira! Não é como se alguém se importasse com o que eu faço. Eu posso fazer o que quiser, e não aceito ordens idiotas de você, não mais." Damien fervia de raiva, encarando seu irmão mais velho, desafiando-o a ir até o limite.
"Cuidado, Damien." Marcos latiu, seu peito arfando enquanto falava.
"Ou o quê?" Damien gritou, jogando as mãos para o ar. "Você vai me bater? Ou melhor ainda, arrancar minha cabeça?"
Um rosnado animalesco alto irrompeu de Marcos, forçando o jovem adolescente a ficar em silêncio.
Em um movimento rápido, seu beta ficou no meio, fazendo Marcos parar em seus passos furiosos.
Seus olhos cintilavam de uma cor para outra, sua aura alfa vindo à tona, puxando todos para seus joelhos.
Ele fixou seu olhar cintilante e encarou seu irmão mais novo.
Damien tremeu levemente com a intensidade do olhar furioso de seu irmão, mas manteve sua posição, encarando Marcos de frente.
Marcos deu três passos para trás e socou o carro, deixando um grande amassado na lateral da porta.
"E isso é para me assustar ou me dizer para recuar porque é isso que você faria comigo se eu não recuasse?" A voz ligeiramente trêmula de Damien cortou o silêncio no ar.
Marcos notou suas palavras, congelando no meio de suas ações.
"Não é isso que significa, Damien, e você sabe disso," Marcos disse, soltando o ar pela boca.
"Estou tendo dificuldade em controlar meu lobo no momento, e aumentar minha raiva não está ajudando."
"Eu me expressar está aumentando sua raiva?" Uma lágrima solitária escapou do olho de Damien enquanto ele olhava boquiaberto para Marcos.
"Por que você não me entende?" Marcos implorou, atônito e sem palavras.
"Está bem. Eu entendo o quanto você ama seu trabalho e quanto tempo você precisa estar lá em vez de valorizar seu irmão de sangue." Damien disse, fungando.
"Vá em frente, eu não vou tentar te impedir desta vez." Ele disse isso enquanto enxugava uma única lágrima de sua bochecha direita.
"Damien," Marcos chamou suavemente seu irmão, estendendo a mão para tocá-lo.
"Não," Damien chamou, notando a proximidade entre eles e dando vários passos para trás para criar uma distância suficiente entre eles.
"Não se aproxime mais, apenas vá, já que sou um fardo para você e continuo aumentando sua raiva." Damien resmungou sombriamente, seu rosto escurecendo.
"Pare com isso. Não era sobre você, e você nunca foi um fardo para mim. Você é tudo o que eu tenho e a deusa sabe o quanto eu te amo, mas eu não consigo me expressar." Marcos gritou, sua expressão suavizando.
"Então me diga, droga. Diga o quanto você se importa comigo porque agora eu não sei mais. Tudo o que eu quero agora é meu irmão mais velho porque sinto falta dele, e ninguém me ama mais do que meu próprio irmão mais velho." Ele disse, passando as mãos pelo cabelo, sons de sufocamento escapando de seus lábios na tentativa de abafar seus choros.
Marcos franziu a testa, seus lábios se comprimindo em uma linha fina enquanto olhava para seu irmão.
Sua cabeça girava em contemplação enquanto ele ficava em conflito. Ele queria abraçar Damien e garantir que tudo o que estava fazendo era por ele, mas isso significaria colocar Damien em perigo.
Isso era o que ele estava disposto a evitar em primeiro lugar.
"Desculpe se eu não estava prestando atenção suficiente em você no começo, mas estou fazendo tudo isso pela sua segurança," ele falou, seus olhos carregando uma mensagem secreta. "Por favor, entenda que quando chegar a hora certa, nada jamais nos separará," Marcos respondeu calmamente, escolhendo suas palavras.
Pelo canto dos olhos, ele podia ver Fredrick e seus meio-irmãos, junto com suas madrastas.
Ele sabia que eles estavam observando desde o início, procurando uma fraqueza, mas ele não ia mostrar.
Se isso significasse que Damien o odiaria pelo resto da vida, então ele faria isso, contanto que Damien estivesse seguro, isso era tudo o que importava.
"Eu te odeio." Damien cuspiu antes de sair correndo. Seus olhos estavam cheios de raiva.
Ele sentiu uma pontada no peito. Seus ombros caíram antes de ele levantá-los.
Uma sensação opressiva encheu o ar, fazendo as empregadas ao redor caírem de joelhos uma após a outra devido à intensidade do ar deprimente de Marcos.
Um puxão em suas calças o fez olhar para baixo, e ver seu beta de joelhos e em dor o fez sentir remorso.
O ar se dispersou instantaneamente, e respirações profundas de alívio foram ouvidas de todos ao redor.
Um novo carro parou na frente deles, e seu beta se preparou para abrir a porta mais uma vez.
Ao colocar o pé no carro, ele parou para olhar para o palácio semelhante a uma mansão.
"Dobrem a segurança ao redor do meu irmão." foi a palavra que saiu de sua boca antes de ele se sentar no carro.
Uma resposta fraca de seu beta foi toda a confirmação que ele precisava.
"Para onde, senhor?" Seu beta perguntou do banco do motorista.
"Para tomar um copo de algo forte." Ele resmungou em resposta.
"Eu conheço o lugar certo." Seu beta respondeu, pisando no acelerador.
Quanto mais se aproximavam do bar, mais seu estômago revirava de excitação.
Ele sentia seu lobo ronronando e seus olhos cintilando. Seu coração disparava com diferentes pensamentos, enquanto a adrenalina corria por suas veias.
Ele estava no limite, mas por quê?
