Capítulo 2 “Eu vou te matar”
A raiva fervia em suas veias enquanto ele descia as escadas, furioso. Ele tinha um olhar de ódio no rosto enquanto olhava para as quatro mulheres, que estavam prestes a se agredir.
A cada passo que dava, ele incutia medo em seus corações.
"O que você está fazendo aqui, Irene?" Ele exigiu, encarando a mulher com aparência de modelo, seu rosto frio e sem emoção.
"O que eu estou fazendo aqui?" Ela zombou. "Que tipo de pergunta doentia é essa? Você sabe exatamente por que estou aqui. Pare de fingir que não entende e pare de agir todo poderoso na minha frente. Você e eu sabemos que isso não funciona comigo. Pode funcionar com essas duas aqui, mas não comigo."
Seu rosto se contorceu enquanto observava a mulher à sua frente. Ele estava fervendo de raiva, e todos podiam perceber.
"O que está acontecendo, George? Você conhece essa mulher?" A mãe de Lisa falou.
Suas palavras estavam carregadas de raiva enquanto ela falava.
"Fique fora disso, Mary. Isso não te diz respeito." Sua voz era afiada, não deixando espaço para discussão.
A mãe dela ficou olhando para ele enquanto suas palavras registravam em seu cérebro.
"Como assim isso não me diz respeito? Esta também é minha casa, e eu vi uma vadia estúpida entrar na minha casa, dizendo besteiras, e você está dizendo que isso não me diz respeito?" Mary gritou enquanto olhava seu marido diretamente nos olhos.
"Não diz, agora fique fora disso, ou você não vai gostar do que vai acontecer a seguir."
Lisa olhou chocada, sua mandíbula caiu, e ela não podia acreditar no que seu pai acabara de dizer.
"Pare com esse drama, George. Tanya e eu estamos cansadas de ficar no escuro. Você tem o que quer. Não acha que é hora de nos reunirmos como uma família?" Ela (Irene) disse enquanto o agarrava pela gola, sacudindo-o.
Ele agarrou seus pulsos e os empurrou com força, endireitando suas roupas amassadas.
"E eu te disse que ainda não era hora. Que parte disso você não entende?" Seu pai estalou.
Sobre o que eles estavam falando, e o que ela queria dizer com família?
"Ei!"
Sua mãe gritou, caminhando até George e girando-o rudemente para encará-la.
"Que família ela está falando, e que besteira você está dizendo, George? Isso é algum tipo de piada que você está fazendo? Não é engraçado."
"Tire suas mãos de mim!"
Com isso, ele a empurrou para o lado, afastando-se alguns passos dela.
"Eu pareço estar brincando aqui para você? Você me vê rindo? Eu pensei que você fosse esperta o suficiente para descobrir quem ela é para mim."
Os joelhos de Lisa bateram no chão com força enquanto ela olhava sem palavras para seu pai.
"O–o quê? O que você quer dizer com quem ela é para você? Explique-se agora, George." Sua mãe insistiu.
"Você quer uma resposta?" Uma voz falou por trás. Lisa reconheceu a dona. Tanya. Esse era o nome que Irene a chamou, então ela supôs que era o dela.
"Eu ficaria feliz em contar a verdade. Este homem que está diante de você não é outro senão meu pai." Tanya apontou para George, que ficou ali calmamente sem proferir uma palavra de negação.
"Não é verdade." Ela murmurou para si mesma.
"Isso não é verdade. Diga a ela, George, talvez ela tenha confundido a pessoa." Ela balançou a cabeça repetidamente em negação.
"Ela está dizendo a verdade, Mary. Eu sou o pai dela, e não posso negar isso." Ele falou calmamente.
"Não, isso não é real." Ela murmurou enquanto dava um passo para trás.
"Isso não é real. Eu ainda estou na cama, e isso é tudo um pesadelo, que vai desaparecer." Ela riu, enquanto lágrimas desciam por suas bochechas.
"Infelizmente, isso é tudo real, Mary. Eu ia te contar mais cedo ou mais tarde, mas não pensei que ela invadiria aqui, pedindo desculpas por te dar a notícia assim." Ele abaixou um pouco a cabeça.
"Você não pode estar falando sério, George. Por favor, apenas por favor, diga que não é verdade. Eu apenas negaria, e as mandaria embora em pouco tempo." Ela ainda não conseguia entender o fato de que seu marido poderia fazer algo assim com ela.
"Que parte de 'isso é tudo verdade' você não entende, mulher?" Irene estalou, gritando com a mulher chorando na frente deles.
"Cale a boca!" Lisa gritou, falando pela primeira vez desde que seu pai entrou na sala.
"Cale a boca, você não sabe nada sobre meu pai. O que você está dizendo não é verdade. Meu pai nunca trairia minha mãe, não importa o quê, porque ele a ama. Vocês duas estão mentindo para ele e apenas o manipulando porque querem algo dele."
"Sim, por que eu não pensei nisso? O que você quer, e quanto devo pagar para parar de manipular meu marido? Diga seu preço e estou disposta a pagar o custo." Sua mãe falou, enquanto caminhava em direção a Irene.
"Saia de perto de mim, sua vadia louca."
Irene disse enquanto empurrava Mary para o chão, assim que ela se aproximou o suficiente.
"Eu não acredito que você foi casado com uma psicopata todos esses anos, George. Não é surpresa, quando você sempre vinha até mim, todas aquelas noites. Tch, patético." Ela disse enquanto olhava para Mary com desgosto nos olhos.
"Eu vou te matar!"
Sua mãe soltou um grito de batalha, enquanto se lançava sobre Irene.
"Mãe!"
Lisa chamou, enquanto corria para impedir sua mãe de atacar Irene.
Ela conseguiu agarrar sua mãe a tempo, quando estava a poucos centímetros de se aproximar de Irene, que ficou congelada de choque.
"Você está fora de si, Mary?" George gritou enquanto se colocava na frente de Irene, protegendo-a dos ataques de Mary.
"É assim que se comporta? Eu pensei que você fosse adulta. Você deveria lidar com isso calmamente. Eu nunca imaginei que você recorreria à violência, eu esperava mais de você." Ele a olhou com raiva.
"E eu esperava mais de você, George, mas isso foi o que eu recebi por te amar, e você quer que eu me comporte como uma adulta? Que se dane! Eu não quero isso."
Lisa segurava sua mãe o mais firme que podia, restringindo-a.
Essa foi a primeira vez que ela ouviu sua mãe xingar mais de uma vez em um dia.
"Eu nunca pedi que você quisesse isso, porque o fato já estava consumado. Eu esperava que você aceitasse."
"Aceitar? Você quer dizer, aceitar a realidade de que você tem uma amante e uma filha fora do nosso casamento, e também, quer que elas se mudem para nossa casa. Você quer fazer disso uma família feliz, é isso?"
"O quê?" Lisa olhou para seu pai, perplexa com as palavras de sua mãe.
"Por cima do meu cadáver, George!"
Irene falou, sua voz mais alta do que o normal, enquanto dava um passo à frente, para que ele visse seu rosto.
"Nunca, eu deixaria esse animal, e aquela... aquela filha dela, ficarem na mesma casa que eu. Eu me recuso a permitir que isso aconteça." Ela disse enquanto apontava para Mary e Lisa.
"E você acha que eu dormiria sob o mesmo teto que você?" Ela riu secamente. "Fico feliz que tenhamos algo em que concordamos, e você está me chamando de animal? Você se olhou ultimamente? Parece que muitas pessoas têm te enganado."
"Como você ousa!"
Enquanto caminhava com raiva, Irene cerrava os punhos.
Ela parou, uma vez em frente a Mary. Ela levantou a mão direita e a balançou.
Sua palma conectou-se ao rosto de Mary, e pela primeira vez, a sala ficou em silêncio.
O rosto de Mary virou para o lado, devido à força e ao impacto. Ela sentiu a ardência no rosto.
Ela esperava por isso, mas não foi rápida o suficiente para reagir.
Ela olhou para o chão de mármore abaixo dela, seu rosto imóvel.
Seus olhos ardiam, e seu coração estava partido.
George ficou parado, com os olhos arregalados, mas não conseguiu dizer uma palavra em sua defesa.
"Mãe!"
Lisa chamou sua mãe, uma vez que superou o choque.
Ela se virou para Irene, seu rosto duro e vermelho de ressentimento.
"O que te deu a liberdade de bater na minha mãe, sua bruxa!"
"Não fale assim com seus mais velhos, Lisa!"
Seu pai gritou de onde estava.
"Como você espera que eu a respeite quando ela acabou de dar um tapa na minha mãe? Você viu isso, e é isso que você tem a dizer?" Ela exigiu.
"Isso porque sua mãe estava tentando atacá-la primeiro. Foi autodefesa, e você sabe disso."
Lisa olhou para seu pai, sem palavras saindo de sua boca, enquanto ela o fitava.
Pensar que aquele era o mesmo homem que ela chamava de pai.
"Você chama isso de autodefesa? De quê exatamente? Eu estou segurando a mamãe desde o início, e ela não tentou bater em ninguém. Ela é sua esposa, não essa bruxa ao seu lado." Vapor parecia sair de seus ouvidos, enquanto lágrimas de raiva rolavam por seus olhos.
"Deixe-os. Não adianta tentar falar com eles. Vamos embora." Sua mãe falou, pela primeira vez em muito tempo.
"Sério?"
"Você não vai dizer ou fazer nada, e apenas deixá-los vencer?" Lisa rosnou enquanto olhava para os rostos ao seu redor.
O rosto de Irene tinha um sorriso sombrio, e o de Tanya parecia eufórico.
"Deixe pra lá, não adianta tentar argumentar com eles. Um de nós tem que sair, e certamente não serão eles. Não consegue ver isso?"
Sua mãe parecia arrasada.
"Fico feliz que você tomou sua decisão, eu mandarei os guardas arrumarem suas malas e um agente meu arranjará um apartamento para vocês."
Mary riu secamente, enquanto mais lágrimas corriam por suas bochechas, seu coração se partindo em pedaços.
"Você não vai tentar me impedir de sair?"
Ela observou enquanto ele virava a cabeça para o outro lado, seu coração quebrado além do reparo.
"Estamos casados há vinte anos, George, e é assim que você vai terminar isso?" Ela riu. "Eu deveria ter sabido desde o início, mas escolhi ignorar."
"Não se preocupe, não vamos precisar de nada de você, tenho certeza de que nos sairemos bem sozinhas." Ela fungou enquanto se levantava.
"Vamos, Lisa, é hora de ir," Mary disse, enquanto estendia a mão para puxar Lisa da cama, uma vez que terminaram de arrumar as malas.
Elas saíram da mansão, sem olhar para trás uma única vez.
