Capítulo 3 “Me desculpe”
"Você vai deixar eles saírem impunes?" As narinas de Lisa se dilataram enquanto ela falava com sua mãe, já dentro do táxi.
Ela observou sua mãe virar o rosto para o outro lado, a cabeça apoiada na janela do táxi.
Ela não tinha dito uma palavra desde que saíram da mansão. Sua cabeça estava baixa.
"Sério, mãe!"
Lisa chamou, surpresa com o comportamento da mãe.
"Mãe!" Ela chamou novamente quando não obteve resposta.
Irritada, Lisa forçou sua mãe a encará-la.
Então, ela percebeu.
Rios de lágrimas escorriam pelo rosto de sua mãe. Uma após a outra, caíam em seu colo.
Então, soluços silenciosos escaparam de seus lábios, antes de se tornarem incontroláveis.
Naquele momento, Lisa se sentiu mal, e a culpa se instalou em seu estômago.
Como ela pôde questionar uma mulher que acabara de perder tudo em um dia?
Seus olhos arderam, e ela já podia sentir uma lágrima escorrendo pela bochecha esquerda.
"Desculpa." Ela engasgou enquanto se desculpava. Sua voz era quase inaudível devido ao esforço para não chorar alto.
Ela ouviu o leve fungar vindo de sua mãe.
"Está tudo bem, querida. Não é sua culpa que eu estou assim. Por favor, pare de chorar, ou você vai me deixar ainda mais triste."
O corpo de Lisa tremia, enquanto ela chorava cada vez mais, incapaz de parar as lágrimas.
"Você está me deixando péssima, Lisa." Mary engasgou, o rosto coberto de lágrimas e ranho.
"Desculpa, mas eu não consigo parar." Lisa chorou, abraçando sua mãe o mais forte que podia.
"Não é sua culpa, querida. Não é. Há explicações para minhas lágrimas, e elas não foram causadas por você." Sua mãe segurou o rosto dela com as mãos, enxugando suas lágrimas.
"Mas eu te fiz chorar, sem nem pensar no que você estava sofrendo. Eu estava tão brava e egoísta que não percebi como te machuquei."
O rosto de Lisa estava vermelho; seus olhos, inchados e puffy.
Mary deu beijos suaves nas pálpebras da filha. Ela a observava com carinho, os olhos cheios de amor.
"Você nunca pode me machucar, Lisa, e sabe por quê?" Ela perguntou, pausando brevemente.
Ela não esperou uma resposta de Lisa antes de continuar.
"Porque você é meu mundo, e eu daria tudo para te ver feliz." Ela disse, olhando para Lisa com ternura.
Ela encostou a cabeça gentilmente na de Lisa e uniu suas testas.
Ela olhou nos olhos da filha, e Lisa sentiu todo o amor que sua mãe tinha por ela.
Mais soluços escaparam de seus lábios, e pela primeira vez, ela chorou de felicidade.
"Eu te amo, mãe. Eu te amo muito."
Lisa chorou enquanto puxava sua mãe para um abraço apertado.
"Eu também te amo, querida, e nunca se esqueça disso. Eu sempre estarei aqui para você, não importa o que aconteça." Ela prometeu.
***Flashback termina
Naquele dia, depois de todo o episódio no táxi, elas encontraram um lugar para ficar, usando o dinheiro extra que sua mãe sempre guardava.
O resto dos cartões dela tinha sido bloqueado, deixando-as com apenas um punhado de dinheiro.
Quando sua mãe adoeceu, tiveram que gastar aquele dinheiro, que mal era suficiente para elas.
Por causa disso, tiveram que encontrar o apartamento mais barato em Nova York, e foi assim que acabaram nesse buraco de apartamento.
Ela teve que fazer vários trabalhos, apenas para garantir que tivessem comida.
O toque alto do seu celular a trouxe de volta à realidade.
Ela piscou várias vezes, enquanto gotas de lágrimas caíam no chão.
Ela pegou o celular, que estava no bolso da calça, e olhou para a tela antes de atender.
"Oi, Chloe!" Era sua amiga ligando do café.
"Onde você está, Lisa?" Chloe gritou ao telefone. "Estou tentando falar com você há um tempão."
"Desculpa, deixei meu celular na cozinha." Ela disse, enxugando as lágrimas do rosto com as costas da mão.
"Ah, por favor, Lisa. Nós duas sabemos o quão pequeno é seu apartamento. Você poderia ter ouvido o celular tocando até no banheiro, então não me venha com essa história furada."
Lisa imaginou Chloe revirando os olhos. Ela sabia que Chloe só dizia isso para o bem dela, e não por zombaria. Mesmo assim, ainda doía retratar seu apartamento como pequeno.
Toda a sua vida, ela tinha sido criada com influência e riqueza.
Ela sempre esteve cercada por pessoas que se gabavam de como suas casas eram grandes.
"Então, não tenho explicação para te dar, Chloe." Ela tentou soar alegre, mas sabia que falhou quando Chloe perguntou.
"Você estava chorando, Lisa?" Chloe parecia surpresa.
"N–não?" Ela respondeu incerta, enquanto seus pensamentos corriam a mil por hora.
"Não?!" Chloe rugiu. "O que aconteceu?" Ela latiu.
"Eu... não é nada, você não precisa se preocupar com isso."
"Para com isso, Lisa." Chloe estava furiosa. "Você não pode mentir para mim, e não pode dizer que não é nada quando claramente é algo que te incomoda."
Lisa olhou fixamente para a parede. Sua expressão era grave, seu rosto vermelho de tanto segurar as lágrimas.
"Sabe de uma coisa?" Chloe falou quando não ouviu nada de Lisa, exalando pela boca para acalmar sua raiva.
"Não podemos discutir isso pelo telefone. Venha até aqui, para que possamos conversar pessoalmente. Liguei para te avisar que o Sr. Marcus está aqui, vou fazer o possível para segurá-lo. Apenas se apresse."
Lisa esboçou um leve sorriso. "Eu vou."
"É bom mesmo." A voz firme de Chloe ecoou.
Lisa encerrou a chamada, antes de ir até a pia para lavar o rosto.
Ela não queria que ninguém soubesse que estava chorando. Especialmente sua mãe, já que iria visitá-la hoje.
Ela pegou o casaco do cabide e tirou as chaves da bolsa, trancando a porta.
Desceu as escadas rangentes o mais rápido que pôde, correndo assim que saiu, para chamar um táxi.
"Diner Martinez," ela disse ao motorista assim que entrou.
Ele acenou com a cabeça sem responder e partiu.
Sem nem perguntar, o motorista a levou ao local de trabalho dela, bem rápido.
"Aqui." Ela entregou um punhado de notas e saiu apressada, indo em direção ao restaurante.
Ela entrou pela entrada dos fundos, destinada apenas ao pessoal.
Assim que entrou correndo, avistou Chloe, que estava em um canto, com uma carranca no rosto.
"Estou aqui," Lisa disse, segurando os joelhos e respirando pela boca.
"Você está atrasada." Chloe disse sem rodeios.
"Eu cheguei, não cheguei? Isso é o que importa." Lisa retrucou.
"Nem tanto." Uma voz interveio, e um calafrio percorreu sua espinha.
A carranca no rosto de Chloe se aprofundou.
"S—Sr. Martinez." Lisa gaguejou enquanto olhava, de olhos arregalados, para o homem velho e barrigudo que se aproximava.
Algo em seu instinto lhe dizia para correr, pois o que aconteceria a seguir não terminaria bem.
