Capítulo 6 “Como você se atreve!”

Em algum lugar em uma cela subterrânea escura...

Passos altos e arrepiantes eram ouvidos ao bater no chão. Sapatos escuros e elegantes faziam um som de clique, que causava arrepios nas pessoas.

Por respeito e medo do dono dos sapatos, muitos dos homens que estavam de guarda curvavam-se ao máximo em total submissão.

Suor escorria pelas costas de alguns, enquanto outros tremiam visivelmente com a aura que emanava dessa pessoa.

Sons de correntes chacoalhando ao fundo eram ouvidos, junto com gritos de pânico, enquanto alguns dos prisioneiros nas celas tentavam se afastar dessa mesma pessoa.

Medo e horror estavam estampados nos rostos de muitos. Alguns haviam perdido a sanidade apenas ao olhar para essa pessoa misteriosa.

A visão dos corpos mortos dos companheiros de cela e dos dejetos preenchia o ar, fazendo essa pessoa franzir o rosto em desgosto.

Um movimento abrupto dessa pessoa fez com que todos parassem.

"Não poderiam ao menos tentar limpar isso?" Uma voz profunda e gelada ecoou, vinda da mesma pessoa, enquanto ela gesticulava para os corpos mortos espalhados no chão.

"Vocês gostam do cheiro horrível que vem deste lugar?" A voz rosnou exigente, os olhos brilhando em um vermelho perigoso.

Gemidos e todos os sons nas celas cessaram com sua voz, enviando calafrios pelas costas de todos.

Ninguém ousou fazer um som ou tentar se mover.

"Desculpe, senhor, vamos garantir que isso seja limpo." Um guarda balbuciou, com medo.

"Certifiquem-se de que isso seja feito logo. Não gosto de me repetir, e não gosto quando vocês imploram também." Ele ameaçou, seus olhos brilhando novamente.

"Sim, senhor!" O guarda respondeu instantaneamente, com todo respeito, enquanto abaixava a cabeça em submissão.

O clique dos sapatos dele mais uma vez indicou que ele havia se movido.

Ele parou bem em frente a uma cela, localizada na parte mais escura.

Guardas correram para abrir o portão para ele. Ele entrou na cela, com a cabeça erguida, sua enorme estrutura mal permitindo sua passagem.

Enquanto um homem sujo e espancado, acorrentado à parede, gritava, gritos agonizantes ecoavam por toda a cela.

Dispositivos de tortura estavam dispostos em uma mesa no canto e se erguiam altos e orgulhosos, lembrando ao homem que aquilo era apenas o começo.

Uma nova rodada de gritos veio dele, enquanto um de seus dedos do pé era arrancado com um alicate.

As roupas que antes eram brancas agora estavam de um vermelho sujo. Seu cabelo estava espetado de todos os lados da cabeça enquanto ele se debatia, puxando as correntes na tentativa de escapar.

O arrastar de uma cadeira no chão, sendo puxada, pôs fim à tortura em andamento.

Olhando para cima, um jovem se aproximou do homem sentado. Seus olhos brilharam de excitação.

"Chefe, você chegou bem na hora." Ele comentou.

"Hmm, parece que sim. Ele já está pronto para falar?" O chefe perguntou, brincando com um isqueiro nas mãos.

"Infelizmente, ainda não, mas muito em breve. Estou trabalhando nisso. Ele é um osso duro de roer, mas eu adoro isso." Ele disse, seus olhos brilhando com um brilho.

Uma risada seca veio do outro lado da sala. O homem acorrentado estava rindo como um maníaco, com um olhar enlouquecido no rosto.

"O que é tão engraçado?" O jovem perguntou ao homem rindo antes de se virar para seu chefe quando só recebeu outra risada do homem enlouquecido.

"Você acha que finalmente o quebrei? Ele foi o meu melhor até agora." O jovem respondeu, seus olhos caindo um pouco de tristeza.

"Não acho que sim, Luke." Seu chefe chamou, caminhando mais perto do homem ainda rindo.

Ele observou seu chefe se aproximar do homem antes de se agachar bem na frente dele.

"Você acha algo engraçado?" Seu chefe perguntou calmamente, sem emoção no rosto.

"Sim," respondeu o homem, com um sorriso no rosto. "Você." Ele zombou antes de cair em uma nova rodada de risadas, que resultou em uma crise de tosse.

Ainda assim, um olhar calmo permaneceu no rosto de seu chefe.

"Isso era para me irritar?" Seu chefe perguntou, inclinando a cabeça para o lado.

"Marcos, quando você vai aprender que as coisas não são feitas só para você, e o mundo não gira ao seu redor?" O homem disse.

Um sorriso apareceu em seu rosto quando ele notou o tique na sobrancelha de Marcos.

"Como você ousa!" Luke uivou, dando um chute no estômago do homem.

"Você não tem o direito de chamar o chefe pelo nome!" Ele gritou, chutando o corpo do homem.

"Chega!"

Quando a voz de Marcos soou, o corpo de Luke estremeceu, enviando um choque pelo corpo de Luke enquanto ele congelava.

Com uma carranca no rosto, Luke se moveu para o outro lado da cela, emburrado.

"Você finalmente afastou seu brinquedinho. Tch, patético." O homem cuspiu em desgosto.

Algo brilhou nos olhos de Marcos, enquanto ele lançava um olhar mortal para o homem. Ele sentiu seu sangue ferver e sua raiva aumentar.

Ele estava a momentos de quebrar o pescoço do homem, mas isso seria uma morte fácil. Ele queria que esse homem sofresse por tudo o que havia feito.

Ele espiou pelo canto dos olhos e viu como Luke havia cerrado os punhos, sua mandíbula travada.

"Peter, deixe-me fazer uma pergunta," Marcos disse calmamente, sua voz mais baixa que o normal, mas ele sabia que todos podiam ouvi-lo, devido às habilidades de lobisomem.

"Desgraçado! Como se eu quisesse responder a você. Você e eu sabemos que você forçaria a resposta de mim." Peter sibilou enquanto olhava para Marcos com ódio.

Dessa vez, foi Marcos quem riu. "Que pena, porque eu sei que a resposta vai sair voando da sua boca."

O corpo de Peter tremia de raiva com o tom de Marcos. "O que você fez?"

"Awn. Isso é adorável, e eu nem fiz a pergunta, mas já consegui uma resposta." Um brilho apareceu em seus olhos enquanto ele provocava.

"O que diabos você fez? Responda-me." Peter puxou as correntes com raiva.

"Acho que você entendeu errado aqui, Peter. Você tem que me responder, não o contrário."

"Apenas pergunte o que você quer perguntar, desgraçado. A sua visão me dá nojo." Peter disse, virando a cabeça para o lado.

"Diga essa palavra desgraçado de novo, e você perderá a língua."

Quando sentiu a hostilidade na voz dele, Peter sentiu como se água fria tivesse sido jogada nele.

"Agora de volta à minha pergunta." Marcos continuou quando viu o medo no rosto de Peter.

"O que você faria com alguém que mata alguém que você realmente ama?" Marcos perguntou, brincando com a barra da camisa de Peter antes de soltá-la.

Confusão dançava nos olhos de Peter, e seu rosto se franziu.

"Mataria ou vingaria?" Ele respondeu incerto.

"Então você me mataria por matar sua esposa?" Marcos perguntou com um sorriso diabólico.

"O—o quê?" Peter ficou atônito. Ele sentiu toda a cor de seu rosto desaparecer.

"Você quer que eu repita?" Seus olhos brilharam de alegria com a expressão sombria no rosto de Peter.

"Você está brincando. N—não é verdade. Por favor, diga que não é. Não minha esposa." Peter gritou enquanto se debatia, lágrimas escorrendo por suas bochechas enquanto começava a soluçar.

Vendo o estado em que colocou Peter, Marcos se levantou e começou a sair da cela, com Luke logo atrás dele.

"Não! Não vá, diga-me o que você fez." Peter gritou ao ver Marcos saindo. "Diga-me onde está minha esposa," ele gritou atrás deles.

"Uau, chefe. Você matou a esposa dele?" Luke perguntou, seus olhos brilhando de admiração.

"Isso é apenas o começo do que vou fazer com ele. Quando eu terminar, ele vai se arrepender de ter cruzado meu caminho e vai implorar pela morte, mas nunca a terá." Ele disse isso com um sorriso dançando em seus lábios.

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