Capítulo 8 “tão ousado”
Seus sapatos faziam um som de clique no chão enquanto ele caminhava pelo corredor brilhante e polido.
Quando se aproximava do escritório do pai, também podia ouvir os murmúrios abafados vindos de seus meio-irmãos no segundo corredor.
As empregadas o seguiam a cada passo que ele dava, com as cabeças baixas em submissão.
Seu paletó balançava sobre o ombro esquerdo, com a mão direita no bolso, um olhar frio em seu rosto bonito.
Ele empurrou a porta do escritório do pai com a perna direita, entrando com toda sua imponência.
"Você está tão ousado agora que nem se dá ao trabalho de bater." A voz do pai ecoou de trás da mesa, as paredes refletindo sua voz incomumente profunda.
"Por que se preocupar se você nunca vai responder mesmo?" Ele disse, ereto, sua carisma nunca vacilando.
"Além disso, é a única maneira de você saber que sou eu." Ele disse secamente, olhando para o pai sem emoção no rosto.
"Ah, entendi." O pai riu, o som reverberando nas paredes. "Você ainda é tão frio quanto eu me lembro."
"É o que você queria, não é?" Ele perguntou sarcasticamente, inclinando a cabeça para o lado.
Sua resposta sarcástica pegou o pai de surpresa, fazendo seus olhos se arregalarem um pouco e uma risada aguda escapar de seu peito.
"Vamos ao ponto, velho. Não tenho o dia todo. Tenho lugares para ir e pessoas para matar. O que você quer?"
Sua frase cortou o ar, interrompendo a risada do pai no meio, antes que uma expressão séria surgisse em seu rosto.
O pai ignorou a pergunta e caminhou ao redor da mesa até a porta.
"Venha, coma. Vamos conversar durante o almoço." O pai explicou, com as mãos atrás das costas.
Marcos sentiu seu corpo tremer de raiva enquanto olhava para a figura do pai se afastando. Seu olhar duro queimava um buraco na cabeça do pai.
Os lábios do pai se curvaram em um sorriso divertido, seus olhos zombando dele enquanto o observava.
"Vai ficar aí parado me matando com os olhos?"
Ele podia ouvir a zombaria na voz profunda do pai. Sabia que o pai gostava disso, mas nunca daria ao pai a satisfação de vê-lo perder o controle.
"Se funcionar, então eu continuaria com prazer." Ele respondeu com arrogância, sua voz vazia e fria, enquanto passava pelo pai.
Ele entrou no salão de jantar, onde uma grande mesa, suficiente para acomodar trinta pessoas, estava posta, cadeiras alinhadas sob a mesa.
Diversos tipos de refeições estavam sobre a mesa como se fosse um banquete.
Sem esperar pelo pai, ou por qualquer outra pessoa, ele caminhou até a ponta da mesa e sentou-se na cadeira.
Sentiu os olhares de seus meio-irmãos e madrastas, mas os ignorou todos.
Seu olhar percorreu o vasto salão de jantar antes de se fixar em um adolescente, encostado em uma coluna, com o rosto distante.
O jovem parecia querer estar em qualquer outro lugar, menos ali.
Seus olhos se encontraram, mas apenas por um breve momento, pois o jovem virou a cabeça rapidamente para o lado com um resmungo, não antes de lançar um olhar de desprezo em sua direção.
Uma risada suave escapou de seus lábios com o comportamento infantil de seu irmão mais novo, trazendo-o de volta aos dias em que seu irmão ainda era uma criança.
Uma voz o tirou de seu transe, arrancando-o de seus pensamentos.
"Acho que você está no lugar errado." A voz riu, aproximando-se dele.
Sua cabeça se virou para o som da voz, mas ele sabia de quem era.
"Eu nunca cometo erros." Ele retrucou, seus olhos caindo como de costume por tédio.
"Então acho que este é o seu primeiro." Ele ouviu o pai rir, "A propósito, obrigado por manter meu lugar aquecido."
"Sente-se em outro lugar." Ele ordenou, com o rosto calmo e frio, mas a voz firme e alta o suficiente para todos ouvirem.
"Que grosseria!"
Um punho bateu na mesa e uma voz áspera ecoou.
"Como ousa dar ordens ao meu pai e tentar dizer onde ele deve se sentar!"
Marcos levantou uma sobrancelha, uma pequena risada seca escapando dele, enquanto uma luz sombria cintilava em seus olhos.
Fazia tanto tempo desde que ele tinha tido uma briga com qualquer um de seus familiares, porque ele nunca estava por perto. Ele havia chegado, e não tinha nem dez minutos, mas um drama estava prestes a acontecer.
Isso ia ser muito interessante se eles achavam que ele ainda era o mesmo.
"Se ele é seu pai, então o que ele é para nós e o que somos para ele?"
Os lábios de Marcos se contraíram, ameaçando se transformar em um sorriso enquanto ele olhava para o rosto avermelhado de seu meio-irmão.
"O gato comeu sua língua?" Ele zombou do meio-irmão quando não obteve resposta.
"Não. Eu só estava procurando as palavras certas para dizer, mas acho que não preciso delas já que você quer minha resposta crua," ele respondeu com um sorriso presunçoso.
"O grande e poderoso Frederick, diga-nos o que somos para o seu querido pai." Marcos zombou dele com um grande sorriso no rosto.
Frederick apertou os punhos ao lado do corpo, cerrando os dentes.
"Vocês não são nada além de bastardos. Meu pai decidiu ter pena de vocês para que não acabassem nas ruas, mas agora estão indo longe demais."
Os rostos de seus outros meio-irmãos e madrastas se transformaram em caretas enquanto rosnavam para ele.
Uma risada forte irrompeu de Marcos enquanto ele jogava a cabeça para trás, lágrimas escorrendo dos cantos de seus olhos devido ao quanto ele ria.
"Desculpe, eu não quis, simplesmente saiu," ele disse entre risadas, limpando as lágrimas dos cantos dos olhos.
"Sempre soube que você era estúpido, Frederick, e nunca esperei que você se tornasse um tolo, não importa quantos anos passassem." Ele refletiu, olhando para a expressão furiosa no rosto de Frederick.
"Como ousa me insultar assim?! O que te deu coragem?" Frederick exigiu furiosamente, batendo os punhos com mais força na mesa, seus olhos brilhando em um amarelo intenso.
"Cale a boca. Mesmo agora, eu ainda estou certo, e você acha que piscar os olhos deveria provocar uma reação em mim?" Ele suspirou, balançando a cabeça.
"Frederick, Frederick, Frederick. Você ainda tem muito a aprender com meu pai sobre mim."
"Seu bas—"
"Chega!"
A voz do pai ecoou, cortando o que quer que Frederick quisesse dizer.
"Chamei todos vocês aqui para um almoço em família e para anunciar algo importante, não essa bobagem."
Ele rugiu, sua raiva subindo ao máximo, fazendo todos na sala congelarem de medo.
"Agora você decide falar?" Marcos resmungou, sua voz indiferente, e sua posição inalterada.
"Mais uma palavra de você, Marcos, e essa será a gota d'água." Ele latiu, furioso, seu rosto vermelho de raiva.
"Você não pode fazer nada comigo, velho." Ele zombou.
"Silêncio! Nem uma palavra de nenhum de vocês. Todos sentem-se e comam em silêncio." Seu pai gritou, sua voz autoritária, enquanto todos se sentavam.
Marcos zombou em sua mente, mas um sorriso surgiu em seu rosto quando seu irmãozinho se sentou ao lado dele.
Ele observou seu pai se sentar na outra ponta da mesa e lançou um sorriso malicioso para Frederick.
Um sorriso astuto apareceu em seus lábios enquanto ele observava Frederick entortar uma colher de raiva, sua mãe tentando acalmá-lo.
O almoço pode tomar um rumo interessante, ele pensou com um sorriso.
