Capítulo 4
Roger ouviu de repente que Isabella ia ao hospital e, na mesma hora, ficou extremamente nervoso.
“Isabella parece tão frágil e delicada. Será que a família Smith abusou dela e a deixou doente?
Preciso contar isso direito ao Sr. Fairfax. Vamos ter que providenciar mais nutricionistas para ajudá-la a se recuperar.”
Pensando nisso, a voz de Roger veio carregada de preocupação.
— Você está se sentindo mal em algum lugar? Vou dar meia-volta agora mesmo.
Ao ouvir o tom de Roger, Isabella percebeu imediatamente que ele tinha entendido errado. Ela explicou com um sorriso.
— Estou bem. Tem alguém que eu conheço no hospital, e quero vê-lo antes de ir embora.
Ao ouvir isso, Roger finalmente soltou um suspiro de alívio. Ótimo, ela só ia visitar um velho conhecido.
Ao mesmo tempo, Roger viu que Isabella era alguém que valorizava os laços, e a impressão que tinha dela ficou ainda melhor.
Embora Isabella tivesse permanecido naquele ambiente tóxico da família Smith, felizmente seu caráter não tinha sido afetado.
Aquilo era, de fato, a postura digna de alguém da família Fairfax.
Roger virou o volante na hora e pisou no acelerador, seguindo em direção ao Primeiro Hospital de Harmony City.
A pedido de Isabella, Roger ficou esperando no estacionamento, enquanto ela subia sozinha.
Primeiro Hospital de Harmony City.
Isabella foi direto ao gabinete do diretor, no último andar.
Ao chegar, bateu de leve algumas vezes, e uma voz vigorosa veio de dentro.
— Entre.
Isabella empurrou a porta.
A pessoa sentada lá dentro viu que era Isabella e se levantou imediatamente, recebendo-a com entusiasmo.
— Mentora, por que não me avisou que vinha?
Gavin Thomas, diretor do Primeiro Hospital de Harmony City, tinha mais de quarenta anos, usava óculos de armação dourada e tinha alguns fios brancos nas têmporas.
Naquele momento, ele tratava Isabella com o máximo respeito.
O contraste da cena era bastante marcante.
No começo, Gavin também não tinha levado aquele jovem a sério.
Mas, depois de uma cirurgia muitos anos atrás, Isabella mudou completamente a percepção dele.
Naquela época, Isabella ainda não tinha nem vinte anos.
Por acaso, os dois se conheceram quando ele ainda não era diretor do Primeiro Hospital de Harmony City, mas apenas um médico.
E foi justamente nesse encontro que Isabella, casualmente, apontou um problema patológico com o qual ele vinha se debatendo.
Em poucas frases, ela abriu o raciocínio dele.
Naquele momento, ele passou a enxergar aquele jovem de outra forma.
Afinal, alguém daquela idade com um talento superior ao dele só podia ser um supergênio ou um especialista oculto.
Só mais tarde, numa conferência de intercâmbio médico, os dois se encontraram de novo.
Gavin descobriu que o jovem que mal tinha vinte anos era, na verdade, a misteriosa especialista médica Salus.
Depois de muita insistência, ele mal conseguiu se tornar aluno dela.
E vinha chamando-a de Mentora todos esses anos.
Isabella nunca gostou desse tipo de formalidade.
Depois de se sentar no sofá, ela disse diretamente:
— Não faça isso. Não vai ficar bem se os outros virem.
Gavin assentiu e se curvou, respondendo repetidas vezes:
— Como a senhora quiser.
Gavin se sentou em frente a Isabella e, de propósito, mudou a forma de se dirigir a ela, perguntando com curiosidade:
— Srta. Fairfax, há algo importante hoje? Ou houve algum novo progresso na pesquisa anterior?
Isabella respondeu com sinceridade:
— Os sintomas de Victoria já não precisam de transfusões de sangue para serem controlados. A pesquisa de todos esses anos finalmente está dando resultado. A condição dela não é complicada, mas é bem especial, por isso levou tantos anos. Mas agora está quase pronto.
Isabella tinha suportado ficar com a família Smith todos esses anos simplesmente para observar de perto os sintomas de Victoria.
Isso porque, no começo, o quadro de Victoria era grave, e não havia casos semelhantes em Seaside City, nem mesmo no país inteiro.
A doença de Victoria só podia ser tratada de forma conservadora, com medicamentos e transfusões de sangue.
Naquela época, para desenvolver pesquisas sobre essa doença rara e sem precedentes, Isabella deliberadamente escondeu sua identidade e permaneceu com a família Smith.
Gavin assentiu, bastante comovido. “O fato de a doença dela estar sob controle a esse ponto não pode ignorar suas contribuições nos bastidores. Quando chegar a hora, vou divulgar seu método de tratamento para essa condição e, com sorte, mais pacientes poderão se recuperar com o seu método.”
Depois da conversa, Isabella finalmente revelou o verdadeiro motivo de ter vindo.
“Gavin, vou deixar Seaside City. Vim hoje pedir que você me ajude a cuidar do idoso na ala de cuidados especiais.”
Gavin se surpreendeu. “Você vai embora? Por que tão de repente?”
A única coisa com a qual Isabella não conseguia ficar tranquila ao partir era aquele idoso.
Ela só sabia que o velho se chamava Edward.
Ela o tinha encontrado à beira da estrada meio ano antes, no inverno.
Naquela época, o velho tinha desabado na beira da estrada e perdido a consciência. Quando foi levado ao hospital, diagnosticaram coágulos de sangue no cérebro pressionando nervos.
Quando a situação ficou crítica, foi Isabella quem realizou pessoalmente o atendimento de emergência nele.
Inclusive os custos do tratamento posterior e da internação — tudo foi pago por Isabella.
Isabella sorriu de leve e continuou com suas instruções.
“Vou transferir as despesas dele em dia para a conta. Se houver qualquer problema com o estado dele, entre em contato comigo imediatamente.”
Em Seaside City, Gavin era a única pessoa em quem ela podia confiar, e só podia confiar Edward a ele.
A expressão de Gavin ficou mais séria quando ele perguntou, com sinceridade:
“Você já fez mais do que o suficiente por ele nesses últimos seis meses. Você pretende ajudá-lo pelo resto da vida?”
Para Gavin, ajudar a cuidar dele era algo simples, mas o que ele realmente queria saber era o que Isabella pensava.
Ela ainda era jovem e não deveria ficar presa para sempre a alguém sem laço de sangue.
Ao pensar no rosto do Vovô Feng no quarto, Isabella suspirou baixinho. “Vou ajudar o máximo que eu puder, enquanto eu tiver condições.”
Edward era idoso, um velho pobre e solitário — de onde ele tiraria dinheiro para uma cirurgia?
Ela não tinha coragem de apenas vê-lo sofrer. Além disso, não era tanto dinheiro, e ela podia pagar.
“Você continua tão bondosa. Só que a família Smith...”
Gavin deixou escapar, mas, percebendo que era inadequado, mudou de assunto depressa.
“Esquece. Eu vou ajudar você a cuidar bem do Edward, então não se preocupe.”
Isabella agradeceu em voz baixa. “Vou ter que incomodar você daqui pra frente. Vou vê-lo primeiro.”
Depois de ir embora desta vez, ela não sabia quando se encontrariam de novo.
Gavin a acompanhou pessoalmente até a porta do gabinete da diretoria.
Isabella pegou o elevador para descer.
O elevador parou no andar da ala de cuidados especiais.
Isabella tinha acabado de sair do elevador e virar a esquina quando esbarrou em um homem.
O homem tinha um ar comum, mas uma expressão fria e austera. Ainda assim, seu rosto bonito chamava atenção.
Sem falar na aura de líder nato que emanava dele.
Isabella, por instinto, olhou uma segunda vez, não deu muita importância e passou por ele, indo direto para o quarto.
