Capítulo 5

Alexander Radcliffe entrou no elevador, com seu assistente logo atrás.

Só depois que saíram do hospital é que seu assistente, Max Hall, se manifestou. “Chefe, agora que encontramos o Sr. Edward Radcliffe, o que fazemos em seguida?”

Ao ouvir Max, Alexander tirou um cigarro e o acendeu.

Deu uma tragada funda, soltou um anel de fumaça e disse em voz baixa: “O que mais dá pra fazer? Por enquanto, é só ir na dele.”

Max parecia preocupado e continuou, hesitante:

“Você não vai mesmo se casar com alguém como ele está dizendo, vai? Você nem conheceu essa pessoa do encontro às cegas de que ele fala.”

Alexander ficou ainda mais irritado. Jogou o cigarro no chão, esmagou-o com o pé e disse friamente:

“Ele perdeu o juízo. É capaz de qualquer coisa. Casamento? De jeito nenhum. Mande alguém ficar de olho nele em segredo e não deixe ele sumir de novo.”

Max assentiu, mas falou com certa apreensão:

“E se a gente irritar ele e ele fugir de novo? Aí vai dar problema. Talvez o senhor devesse só entrar no jogo… convencer ele a voltar pra casa primeiro.”

Seis meses antes, Edward Radcliffe tinha saído de casa bufando, porque Alexander se recusou a se casar.

Os homens de Alexander levaram quase meio ano para encontrá-lo.

Foi então que descobriram que Edward vinha ficando no Primeiro Hospital de Harmony City por causa de uma doença.

Só o acharam quando Edward, inquieto como sempre, saiu para dar uma volta e foi visto pelos homens de Alexander.

Mas, mesmo depois de ser encontrado, Edward parecia emburrado e se recusava a voltar para casa, acontecesse o que acontecesse.

Alexander não teve escolha senão deixá-lo como estava, embora ainda o visitasse sempre que tinha tempo.

Ao pensar no comportamento teimoso de Edward, Alexander esfregou as têmporas, frustrado.

“Se eu for na dele, ele vai querer que eu me case com essa salvadora perfeita de que vive falando. A cabeça do vovô dá cada salto… quem sabe o que ele vai inventar depois.”

Alexander falou com irritação, o tom carregado de impotência.

Essa salvadora era a pessoa que tinha levado Edward ao hospital quando ele adoeceu depois de fugir de casa e que cuidara dele por meio ano.

Segundo Edward, essa salvadora era bonita, delicada e bondosa.

Alexander ainda se lembrava do olhar satisfeito no rosto de Edward quando mencionava essa mulher.

Alexander tinha planejado, originalmente, dar a ela uma grande quantia em dinheiro como compensação quando a conhecesse e fazer com que ela mesma recusasse o pedido de Edward.

Mas quem diria que, depois de tantos dias, ele nem sequer tinha conseguido vê-la.

Quanto mais falar de compensação.

Se Edward não estivesse tão irredutível, Alexander realmente suspeitaria que ele tinha inventado essa pessoa só para pressioná-lo a se casar.

Ao mesmo tempo, na enfermaria de cuidados especiais.

Tendo acabado de expulsar Alexander, Edward resmungava, furioso, para si mesmo:

“Arranjei pra você um partido tão bom e você não quer. Vai acabar solteirão a vida inteira, sem ninguém te querendo.”

“Na sua idade e sem casar, eu nem consigo dormir à noite só de pensar nisso. É preocupante demais.”

Edward ainda resmungava quando alguém bateu à porta.

Ao ouvir o som, Edward achou que Alexander tinha voltado e, de propósito, ignorou.

Sem ver movimento lá dentro, Isabella empurrou a porta e a abriu só uma fresta.

Ela viu imediatamente Edward de costas, com uma expressão extremamente aborrecida.

“Vovô Edward.”

Isabella chamou baixinho e caminhou devagar até a beira da cama.

Ao ouvir aquela voz familiar, Edward se virou, radiante. Ao ver que era Isabella, tratou de falar depressa:

— Ah, Isabella, senti tanta saudade. Vem, senta aqui e deixa eu te olhar.

Isabella se sentou na cadeira ao lado da cama. Lembrando-se do mau humor de Edward mais cedo, perguntou, preocupada:

— O que houve hoje? Quem te deixou com raiva?

Edward bufou friamente e resmungou, indignado:

— Um moleque qualquer me tirou do sério.

Ao entender a situação, Isabella sorriu e tentou acalmá-lo:

— Ah, qual é… pra que se estressar com criança? Não fica bravo.

Embora Edward fosse velho, sua cabeça era bem jovem. Ele adorava jogar videogame no hospital quando não tinha nada para fazer.

Ao ouvir aquilo, Isabella não deu muita importância, achando que ele tinha levado uma surra feia de crianças do ensino fundamental enquanto jogava.

Afinal, esse tipo de coisa já tinha acontecido antes.

Depois que Isabella o consolou por um tempo, o humor de Edward finalmente melhorou.

Vendo que Edward já não estava mais irritado, Isabella tomou a iniciativa de chamar um médico para fazer um check-up de rotina.

A condição física de Edward estava boa, sem grandes problemas nos indicadores, o que deixou Isabella mais tranquila.

Depois que o médico saiu, Isabella falou com mais seriedade:

— Daqui pra frente, você precisa se cuidar. Eu não vou conseguir vir te ver com tanta frequência.

Enquanto falava, Isabella segurou a mão de Edward, com emoções confusas.

Edward ficou paralisado, o rosto cheio de surpresa. Demorou um bom tempo até perguntar:

— Isabella, o que você vai fazer?

Isabella respirou fundo, sem conseguir encarar os olhos decepcionados de Edward.

— Eu encontrei meus pais biológicos. Vou morar com eles, então não vou ter muitas chances de te ver no futuro.

Isabella não sabia que tipo de pessoas seus pais biológicos eram, muito menos o quão longe o lugar para onde estava indo ficava de Seaside City.

Ao saber disso, Edward suspirou baixinho e lhe deu instruções carinhosas:

— Isabella, você precisa manter contato comigo quando for pra lá. Mesmo que a gente não se veja, não pode perder o contato.

Enquanto dizia isso, Edward tirou um cartão do bolso interno e o enfiou direto na mão dela antes que ela pudesse reagir.

— Isso aqui é um presentinho meu. Fica com ele. Quando você chegar lá, faz questão de me dizer seu novo endereço. Quando eu sair do hospital e tiver tempo, vou te visitar.

Olhando para o cartão na mão, Isabella recusou por instinto:

— Esse dinheiro é seu. Eu não posso aceitar.

Mas Edward foi muito firme e insistiu:

— É meu presente pra você. Aceita, ou eu vou ficar bravo. E se seus pais biológicos não te tratarem bem, não esquece de vir me procurar.

Então Edward escreveu um número de telefone num pedaço de papel e também entregou a Isabella.

Olhando para Edward na cama do hospital, Isabella se sentiu péssima.

Ela não sabia quanto dinheiro havia naquele cartão, mas, pelo que entendia, Edward estava com dificuldades financeiras, e o que ele estava lhe dando agora podia ser o que ele contava para o resto da vida.

Mas ela não queria decepcionar Edward nem deixá-lo triste, então acabou aceitando o cartão.

No pior dos casos, encontraria uma oportunidade de devolvê-lo mais tarde.

— Eu entro em contato assim que chegar na minha nova casa. Você também se cuida nesse meio-tempo.

Vendo que já estava ficando tarde, Isabella remexeu na bolsa e colocou o dinheiro em espécie e o cartão do banco que havia preparado debaixo do travesseiro de Edward.

Depois disso, Isabella se levantou e se despediu de Edward:

— Está ficando tarde. Eu venho te visitar de novo quando tiver tempo.

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