Capítulo 8

—Isabella, você está acordada?

Olivia estava à porta do quarto de Isabella, batendo de leve e tentando deixar a voz o mais suave possível.

Ao ouvir o som do lado de fora, Isabella se sentou na cama, ainda sonolenta.

Olhando ao redor para o ambiente familiar e, ao mesmo tempo, estranho, levou um instante para se lembrar de que já tinha se mudado para a Propriedade Fairfax.

A luz do sol entrava pela janela, deixando o quarto quente e iluminado.

Isabella endireitou a postura e, por instinto, pegou o celular no criado-mudo.

Oito e meia da manhã.

Parecia uma eternidade desde a última vez que ela tinha dormido tão bem.

Desde que se mudara para a Vila Smith, sua rotina basicamente seguia a dos empregados.

Ela era acordada antes do amanhecer todos os dias e só conseguia ir para a cama tarde da noite.

Aquela noite de sono a deixou revigorada e satisfeita.

Como ainda não havia nenhum som vindo de dentro do quarto, Henry falou, ansioso:

—Isabella, você está se sentindo mal? Ou quer dormir mais um pouco?

Vendo que a voz dele estava ficando alta, Olivia deu um tapa no braço dele e o repreendeu:

—Fala baixo, a gente nem sabe se a Isabella já acordou.

Ouvindo a conversa do lado de fora, Isabella voltou à realidade e respondeu depressa:

—Mãe, pai, eu estou acordada. Aconteceu alguma coisa?

Olivia soltou um suspiro de alívio e disse:

—Desça para o café da manhã quando estiver pronta. Vamos estar esperando na sala de jantar.

—Tá bom, entendido. —Isabella concordou prontamente e jogou as cobertas para o lado para se levantar.

Quando terminou de se arrumar e desceu, a família Fairfax já a aguardava.

Assim que ela se sentou, Michael, atento, serviu um copo de leite morno e o colocou ao alcance dela.

Para não ficar para trás, Matthew empurrou na direção dela a salada de frutas que estava à sua frente.

—Isabella, essa aqui também é bem boa.

Os dois se revezavam cuidando de Isabella, o que a deixou um pouco sobrecarregada com tanta atenção.

De repente, Olivia falou, hesitante:

—Isabella, agora que finalmente trouxemos você de volta para casa, eu queria fazer uma festa de boas-vindas para que todo mundo da alta sociedade saiba de você. O que você acha?

Afinal, Isabella tinha desaparecido por tantos anos, e o mundo de fora sempre achou que a família Fairfax só tinha dois filhos.

Aos olhos de Olivia e Henry, aquela festa era muito necessária.

Matthew parou o que estava fazendo e concordou com a sugestão de Olivia:

—Agora que você voltou, a gente devia contar para as pessoas do nosso círculo. Acho que a ideia da mãe é boa.

Mas, no segundo seguinte, Isabella recusou sem hesitar:

—Mãe, eu não quero, e não tem necessidade.

Para ela, estar reunida com a família já era suficiente. Quanto àquelas coisas feitas para os outros verem, ela achava desnecessárias.

Anunciar ou não não mudava o fato de que ela fazia parte da família Fairfax.

Ao ver a atitude de Isabella, Olivia não conseguiu evitar a decepção, mas ainda insistiu:

—Mas se a gente não fizer uma festa, as pessoas da alta sociedade não vão saber qual é o seu status, e pode ser inconveniente se alguma coisa acontecer depois.

Mesmo assim, a postura de Isabella não mudou nem um pouco.

—Mãe, eu não gosto de aparecer em público. Quero manter discrição.

Vendo que Isabella continuava firme, Olivia parou de tentar convencê-la e só pôde deixar que ela fizesse do jeito dela.

Depois do café da manhã.

Isabella acompanhou Olivia na estufa, cuidando das plantas.

Nesse momento, o mordomo da família, Peter Green, veio dar um recado:

—Sra. Fairfax, a Srta. White veio visitar novamente.

Olivia pousou o regador que tinha na mão e respondeu com cordialidade:

— Mande ela esperar na sala de estar. Já vamos.

Depois que Peter saiu, Olivia conduziu Isabella em direção ao prédio principal, apresentando-a no caminho.

— Vou levar você para conhecer a Bailey. Ela tem mais ou menos a sua idade, é gentil e inocente, uma boa menina. Normalmente, quando estou em casa sem nada para fazer, ela vem aqui. Você pode conhecê-la hoje.

Pelo tom de Olivia, dava para perceber que ela estava bem satisfeita com Bailey White.

Isabella não respondeu; apenas assentiu de leve e seguiu atrás de Olivia.

Quando chegaram à sala de estar, Bailey já estava sentada ali, comportadinha.

Assim que viu Olivia aparecer, levantou-se depressa e se atirou nela com carinho.

— Tia Olivia, vim incomodar você de novo. Faz tanto tempo que não te vejo.

Enquanto falava, abraçou Olivia, agindo como se fosse uma filha de sangue.

Isabella observou em silêncio, atrás delas.

Bailey usava um vestido laranja que a deixava com um ar jovem e cheio de vida. Seus olhos de corça estavam levemente vermelhos, a boca era pequena, e o rosto ainda guardava uma inocência infantil.

Ela não era deslumbrantemente bonita, mas era fofa, passando uma sensação de frescor e conforto.

Bailey agiu como se só então tivesse notado Isabella e perguntou, surpresa:

— Esta é a sua filha?

Ao ouvir Bailey se referir a ela, Isabella sorriu em resposta.

— Olá, eu sou a Isabella.

Ao ouvir isso, Bailey pegou uma caixa de presente em cima da mesa e a entregou a Isabella, com uma expressão um tanto bajuladora.

— Esse primeiro encontro foi meio repentino, não preparei nada especial. Aqui dentro tem uma pulseira de jade, só uma lembrancinha minha.

Sem dar a Isabella a chance de recusar, Bailey enfiou a caixa de presente nas mãos dela.

O jeito de Bailey fazia parecer que ela era a filha da casa, e Isabella, a visita.

Vendo isso, Olivia pegou a caixa com naturalidade das mãos de Isabella.

— Bailey, uma coisa é você vir me visitar, mas você está sendo educada demais. Por acaso eu tenho um conjunto novo de joias — leve para casa e experimente depois.

No instante seguinte, Bailey fingiu recusar:

— Você já me deu tantas joias antes. Devia guardar esse conjunto novo para a Isabella. Ela sofreu bastante lá fora todos esses anos.

Isabella instintivamente não gostou da atitude de Bailey.

Porque aquela sensação era familiar demais — era como ver uma cópia da Victoria diante dela.

Sem dar a Isabella a chance de falar, Bailey continuou:

— Isabella, eu ouvi dizer que a família Smith não é exatamente uma família respeitável em Seaside City. Eu pensei que você...

— Bailey, o que você está querendo dizer?

Uma repreensão cortante ecoou quando Michael interrompeu na hora, com o rosto claramente contrariado.

— Você está dizendo que, porque a Isabella passou um tempo com a família Smith, ela não é respeitável?

Embora Bailey não tivesse dito isso explicitamente, suas palavras insinuavam exatamente isso. Agora que tinham exposto, a expressão dela ficou constrangida.

Isabella, porém, permaneceu impassível e perguntou com calma:

— Senhorita White, você julga as pessoas pela origem da família? Então eu gostaria de perguntar: qual é a sua origem? Você é, por acaso, superior aos outros?

Por um momento, o desconforto no rosto de Bailey aumentou ainda mais, e ela gaguejou, sem conseguir responder.

Bailey era filha do antigo mordomo da família Radcliffe. Como o pai dela tinha sido leal e dedicado aos Radcliffe, eles cuidavam dela.

Ao mesmo tempo, diante dessa filha biológica recém-reconhecida da família Fairfax, ela sentia ondas de crise se erguerem dentro do peito.

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