Capítulo 9

Cidade litorânea, quarto de hospital.

— Não me importa o que você diga, você tem que se casar com ela.

Alexander estava ao lado da cama, observando a expressão teimosa de Edward com o rosto calmo.

— Como eu já disse, não vou me casar com uma mulher estranha que apareceu do nada.

— Como assim “apareceu do nada”? Ela é bondosa e bonita, muito melhor do que aquelas socialites que vêm bajulando você há anos!

Ele suspirou, impotente, mais uma vez.

— Você não está ficando mais jovem; devia ter alguém ao seu lado. Estou fazendo isso pro seu próprio bem.

Alexander não comprou nada daquilo.

Mudou de assunto:

— O médico disse que o senhor já está bem. Arrume suas coisas, eu levo o senhor pra casa.

Edward pressentiu problema.

Assim não dava.

Ele precisava resolver esse casamento antes de sair dali, ou não teria mais chance.

Vendo que nem a lógica nem o apelo emocional estavam funcionando, Edward simplesmente virou o rosto, afastando-se de Alexander.

— Se você não concordar em se casar, eu não vou voltar.

O quarto ficou em silêncio.

Por um bom tempo, não se ouviu nada.

Edward não resistiu e lançou um olhar furtivo na direção dele.

Viu Alexander com o celular na mão, dizendo de repente duas palavras:

— Entrem.

Antes que ele entendesse o que aquilo significava, virou-se e viu a porta do quarto sendo empurrada para abrir.

Dois seguranças entraram e pararam aos pés da cama, um de cada lado.

— Sr. Radcliffe.

Alexander baixou os olhos para o avô, que o observava às escondidas, e deu o ultimato com calma:

— O senhor vai por conta própria ou quer que eu mande eles amarrarem o senhor e levarem de volta?

— Seu...! — Vendo que Alexander não cedia, Edward ficou furioso, encarando-o. — Muito bem! Você teria coragem de me amarrar!

Ele se esforçou para se levantar, querendo acertar Alexander.

Nesse instante, o telefone sobre a mesinha ao lado da cama tocou, com duas palavras piscando na tela — Isabella.

Os olhos de Edward se iluminaram. Esquecendo a raiva e preocupado que ela estivesse esperando havia tempo demais, ele atendeu depressa.

No momento em que colocou no viva-voz, uma voz clara veio do outro lado da linha:

— Vovô Edward, por aqui está tudo bem, tudo certo. Como o senhor está se sentindo?

Com medo de Edward ficar preocupado, Isabella foi direto ao ponto sobre a situação dela.

— Tudo bem, tudo bem. O médico disse que eu só preciso descansar. — Edward sorriu de orelha a orelha, com um tom gentil e afetuoso. — Graças a você.

Ao ouvir que ele estava bem, ela finalmente se sentiu aliviada.

— Que bom que o senhor está bem. Se tiver qualquer problema ou precisar de ajuda, é só me chamar. Não pense que está me incomodando.

Um senhor com mais de cinquenta anos, doente e sem ninguém para cuidar... só de pensar nisso o coração dela apertava.

Quanto mais pensava, mais preocupada ficava. Isabella tomou a iniciativa de perguntar:

— Tem alguém cuidando do senhor?

Ao ouvir isso, Edward ergueu os olhos para o neto desobediente à sua frente e disse, como se fosse de propósito para provocar:

— Meus filhos e netos não são tão doces e atenciosos quanto você. Eles só sabem me fazer passar raiva.

Maltratado pela própria família?

Isabella imaginou a cena por um instante e não aguentou.

Ela perguntou, hesitante:

— E se eu levar o senhor pra Cidade Imperial pra cuidar do senhor? Ultimamente eu não tenho muita coisa pra fazer mesmo.

Edward não esperava que ela dissesse aquilo. Ele hesitou.

— Isso... eu não estaria te incomodando? Isabella, eu sei que você é uma boa menina.

Enquanto falava, ele lançou um olhar para Alexander.

Alexander, ouvindo aquilo, não pôde evitar se sentir impotente. Justo quando ia se defender, o olhar de Edward o obrigou a engolir as palavras e ficar em silêncio.

Vendo que Edward ainda estava chateado, Isabella acompanhou o tom dele e riu. “Tudo bem. De agora em diante, pense em mim como sua neta de verdade. Vou cuidar do senhor no futuro.”

As palavras de Isabella deixaram Edward incrivelmente feliz, e ele ainda xingou Alexander mais algumas vezes.

“Ótimo, de agora em diante você é minha neta de verdade. Aquele moleque não se importa se eu vivo ou morro. Criei ele à toa.”

Alexander ficou ali, ouvindo os dois falarem mal dele em perfeita sintonia, com o canto da boca tremendo.

Era evidente que tinha sido Edward quem saiu correndo por conta própria, mas agora, na boca de outra pessoa, ele tinha virado o descendente ingrato.

Se isso se espalhasse, ele seria a pessoa mais injustiçada do mundo.

A voz feminina, clara, do outro lado do telefone continuou. O falatório dela ecoava as reclamações de Edward, rompendo a atmosfera sufocante do quarto.

Embora nunca tivesse conhecido Isabella, ele não pôde evitar ficar curioso sobre a pessoa do outro lado da ligação.

Afinal, não eram muitas as pessoas capazes de deixar Edward tão feliz com apenas algumas palavras.

Pelo menos, toda vez que Edward olhava para ele, era com a testa franzida e olhos fulminantes, nunca com boa vontade.

“Isabella, quer dar uma volta com a gente?”

Nesse instante, a voz de Olivia veio pelo telefone.

Vendo que já estava na hora, Edward tomou a iniciativa de encerrar a conversa.

“Tudo bem, Isabella, não vou te prender. Passe mais tempo se aproximando dos seus pais biológicos. Eu vou te procurar na Cidade Imperial.”

Isabella não recusou; respondeu com suavidade: “Combinado. Eu ligo de novo quando estiver livre.”

Com isso, Isabella desligou.

Assim que a ligação terminou, a expressão de Edward também esfriou, e ele apressou Alexander com impaciência.

“Olha como a Isabella é filial. Só de te ver eu já fico com dor de cabeça. Se já terminou aqui, se apressa e me leva de volta pra Cidade Imperial. Não quero mais ficar nesse lugar. Quero ir encontrar a Isabella.”

Alexander só se sentiu impotente e explicou com paciência:

“Vovô, eu levo o senhor de volta em alguns dias. Preciso cuidar do projeto de Seaside City nesses próximos dias.”

Ao ouvir isso, Edward acenou com a mão e o dispensou friamente.

“Tá bom, cai fora. Já que você não vai se casar com a Isabella, para de ficar rondando na minha frente. Você tá me irritando.”

Dito isso, Edward virou de lado, sem dar mais atenção a Alexander.

Alexander simplesmente saiu do quarto do hospital.

Desde que Edward quisesse voltar para a Cidade Imperial, as coisas ficariam mais fáceis.

Primeiro, levá-lo de volta; e, quanto ao casamento, usar essa Isabella para mantê-lo estável.

Enquanto isso.

Isabella passeava pela Propriedade Fairfax com Olivia e Henry.

Olivia falava sem parar, apresentando a ela as flores do jardim, capaz de contar a história por trás de cada uma.

Normalmente era só Olivia em casa, então ela tinha desenvolvido esse hobby de cultivar flores.

Henry vinha logo atrás, sorrindo enquanto assistia à explicação de Olivia.

Embora Isabella não tivesse grande interesse nessas coisas, ela gostava bastante desses momentos com a família.

Afinal, era um calor humano que ela nunca tinha experimentado antes.

Percebendo que Henry não tinha alcançado as duas, Isabella olhou para trás por instinto e o viu apertando o peito, com dor.

Isabella correu até ele, nervosa, e só então notou que as unhas e os lábios dele estavam ficando azulados.

“Tá tudo bem, isso é um problema antigo meu, não precisa se preocupar.” Henry acenou com a mão, tentando tranquilizá-la.

Mas Isabella sentiu que havia algo errado. Pela experiência dela, o estado de Henry parecia envenenamento.

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