CAPÍTULO 3. PRESO

Em um pequeno quarto feito de tábuas de madeira dispostas de forma desordenada, Diego viveu sozinho por séculos. Como o segundo príncipe da nação dos lobisomens, era um quarto privado cheio de mistério. No centro do quarto, um monte de panos espalhados servia como sua cama. Sandra estava deitada entre os tecidos, vestindo um vestido molhado que grudava em seu corpo.

"Acorde! Eu sei que você está viva," a voz rouca de Diego quebrou o silêncio, agachando-se ao lado de Sandra. Uma de suas mãos gentilmente acariciou a bochecha arranhada da mulher.

Depois de um tempo, os esforços de Diego deram resultado. As pálpebras de Sandra se moveram lentamente e se abriram. A visão embaçada envolveu seus olhos enquanto ela acordava em um lugar estranho. Presa em uma atmosfera que sua mente não conseguia explicar.

Seu corpo se sentia fraco mesmo quando ela tentava se mover. Suas mãos e pés estavam rígidos e congelados. Sandra decidiu superar seu medo e confusão enquanto observava o ambiente ao seu redor. Ela tentou descobrir onde estava.

Sandra desviou o olhar do estranho de cabelos encaracolados com um olhar frio. Na luz fraca, havia algo estranho e misterioso naqueles olhos prateados, algo que não podia ser descrito em palavras.

"Finalmente, você acordou," a voz de Diego soou afiada e inesperada. Era como se viesse de uma dimensão diferente. "Felizmente, atualmente sou vegetariano. Então, você não será comida."

Sandra reuniu coragem, sua voz tremendo enquanto perguntava, "Quem é você? E onde estamos?"

Diego respondeu com um sorriso, que para Sandra parecia mais um esgar. "Eu sou Diego. O segundo príncipe da nação dos lobisomens, e este lugar é o mundo chamado Lugar da Proibição."

Sandra sentiu seu coração acelerar. Era como estar presa em um conto de fadas fantástico. "Lobisomens? Lugar da Proibição? Eu não faço ideia do que você está falando!"

No entanto, Diego não respondeu imediatamente à pergunta de Sandra. Em vez disso, os olhos do homem permaneceram fixos enquanto ele farejava o cheiro que emanava da mulher ao seu lado. Essa situação fez Sandra se sentir desconfortável.

"O que você está fazendo?" perguntou Sandra, mudando sua posição sentada para longe.

"O cheiro do seu corpo, de que tipo de criatura? Muito fragrante," Diego inconscientemente farejou muito perto de beijar a pele do pescoço de Sandra. Sandra espontaneamente empurrou o rosto de Diego e gritou de medo.

"Saia de perto de mim! Minha carne é ruim, e não tem o suficiente," disse Sandra freneticamente. "Mas se você quiser, posso te dar muita carne deliciosa."

Diego estava prestes a ficar com raiva, preparando-se para mudar sua verdadeira forma na frente da mulher que tinha sido rude com ele. No entanto, sua intenção foi interrompida por uma oferta sedutora de Sandra. O rosto de Diego de repente suavizou.

"Mesmo? Você pode fornecer carne deliciosa?"

"Claro. Sou filha de um empresário famoso neste país. O negócio da minha família está espalhado por todo o mundo," Sandra explicou orgulhosamente. "Não é difícil para mim te dar muita carne."

Diego sorriu enquanto imaginava a enorme quantidade de carne deliciosa que poderia obter. Sandra podia ver a saliva quase pingando da boca do homem. No entanto, Diego logo voltou à realidade, seu rosto ficando frio e parecendo irritado.

"Você está mentindo!"

"Claro que não! Eu posso, sim. Contanto que você não me mate." O suor frio começou a escorrer da testa de Sandra. Ela estava com medo de que Diego a atacasse como a criatura monstruosa de antes. Sandra estava atenta à ameaça.

"Mas aqui, você não pode fazer nada. Este lugar é como uma prisão de punição para pecadores," disse Diego roucamente.

Sandra estava confusa, sentindo-se inocente de qualquer coisa. 'Mas eu não fiz nada de errado. Os culpados são Alex e Sarah. Eles deveriam estar aqui. Isso não é justo!'

Enquanto Sandra contemplava sua situação, o odor desagradável do monte de panos perturbava seu olfato. "Que fedor é esse?" Sandra cobriu o nariz com a mão, tentando evitar o cheiro desagradável. Ela procurou a origem do mau cheiro e descobriu que vinha do monte de panos ao seu redor.

Essa situação era particularmente agonizante para Sandra, que adora limpeza. "Seu demônio sujo!"

"Você está dizendo que sou um porco?" perguntou Diego, descontente.

"Eu posso ver claramente. Parece que você nunca limpa nada," disse Sandra com uma expressão zombeteira.

"Você é anti-higiênico!"

Diego puxou o canto dos lábios enquanto puxava o braço de Sandra para mais perto. "Só para você saber, eu sou o lobo mais limpo, organizado e bonito entre os meus."

'Uau! Totalmente fora da realidade.' Sandra pensou, enquanto lançava um olhar duvidoso. Diego estreitou os olhos, tentando descobrir o que a mulher à sua frente estava pensando.

"Tá bom, vamos dizer que eu acredito em você. Mas você pode me ajudar a voltar para casa? Assim eu posso cumprir minha promessa para você," disse Sandra esperançosa.

A risada de Diego ecoou pelo quarto. Sandra se sentiu cada vez mais irritada com a atitude do homem. "Você não sabe? Se eu pudesse sair daqui, já teria fugido há muito tempo. Infelizmente, isso é impossível!"

"Talvez seja diferente desta vez," disse Sandra hesitante.

"Ah, é mesmo? Diga-me que criaturas não têm nomes! O que faz ser diferente desta vez?" Diego sentiu a necessidade de despertar a criatura de rosto bonito.

"Sandra, meu nome é. Eu não sou uma pecadora, então posso sair deste lugar."

Diego riu suavemente. "Excesso de confiança não é bom. Mas você pode tentar por si mesma," ele disse. "Vá em direção ao Norte! Se tiver sorte, encontrará a saída."

Sandra se sentiu desafiada. Ela saiu imediatamente, sem querer perder mais tempo. A mulher seguiu a pé por uma floresta desconhecida.

Cinco horas depois.

Sandra sentou-se exausta, encostada em uma grande árvore no meio da floresta. Ela parecia cansada, com suor escorrendo pela testa e por todo o corpo.

"Será que ele me enganou?" ela murmurou enquanto afastava os cachos do rosto. "Eu não deveria ter confiado tanto naquele homem estranho." Sandra continuou a resmungar, enquanto procurava uma posição confortável para se sentar.

"Vá em direção ao Norte! Se tiver sorte, encontrará a saída."

As palavras de Diego continuavam girando em sua mente como uma fita cassete amassada. Isso a deixava ainda mais ansiosa, e ela começou a duvidar de si mesma. Será que ela também era uma pecadora? Se sim, que pecados ela havia cometido para estar presa em um lugar tão assustador? Ela até encontrou uma criatura de outro mundo. Em retrospectiva, ela era apenas uma vítima de pessoas más que queriam sua morte.

Enquanto Sandra ponderava a situação, ela ficava cada vez mais sonolenta. A brisa fazia seus olhos pesarem, trazendo uma sensação de conforto junto com sua confusão.

Em outro lugar, Diego estava agachado em uma pedra à beira do rio. Seus olhos fixavam repetidamente na trajetória que ele esperava que Sandra tomasse.

"Por que aquela mulher ainda não apareceu?" ele murmurou irritado.

A luz do sol lentamente se pondo no horizonte transformava sua cor em um vermelho dourado, criando sombras mais longas na floresta. De repente, no entanto, um flash incomum chamou sua atenção. Sua pele se arrepiou quando percebeu que algo estranho estava acontecendo.

"A criatura acordou do seu sono? Isso significa que a mulher está em perigo."

Num instante, o tédio de Diego se transformou em profunda ansiedade. Ele rapidamente se levantou, deixando seu lugar com passos rápidos.

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