Capítulo 2 CONTINUAÇÃO

As lágrimas quentes escorrem livremente pelo meu rosto sem que eu consiga exercer qualquer controle sobre elas. Aquele homem... o homem que eu amo com todas as minhas forças, o parceiro com quem idealizei e planejei construir uma família feliz, nunca nutriu um sentimento real por mim. Nunca. Ele apenas me selecionou meticulosamente, como quem escolhe um objeto de luxo em uma vitrine, como quem adquire uma mercadoria valiosa para o seu estoque.

É então quisericórdia que estraçalhae escuto a frase final, o golpe de m o pouco de dignidade e sanidade que ainda restava dentro do meu ser.

— Wenn sie das Baby sehen will, finde ich irgendein totes Neugeborenes. Sie wird glauben, dass es ihre Tochter ist.

(Quando ela quiser ver a nossa filha, vou arranjar qualquer recém-nascido morto. Ela vai acreditar que aquela criança é a filha dela.)

Minha mão desce automaticamente para cobrir a minha barriga em um gesto de puro instinto de proteção. Nesse exato momento, Melinda se mexe de forma brusca no meu ventre, como se de alguma maneira também tivesse escutado a sentença de crueldade proferida pelo próprio pai. Meu corpo inteiro treme de forma incontrolável e as lágrimas caem sem cessar, molhando minha blusa.

Meu Deus... ele está planejando isso contra a nossa própria filha... ele vendeu a nossa menininha antes mesmo dela respirar pela primeira vez.

Minha respiração fica curta e fragmentada, transformando-se em um fôlego doloroso. Meu peito dói fisicamente, uma opressão que me sufoca enquanto o mundo inteiro parece girar ao meu redor em um turbilhão de desespero. Tudo o que vivi ao longo dos últimos tempos ao lado dele passa diante dos meus olhos em flashes rápidos e cruéis: os presentes caros, as viagens românticas, os beijos apaixonados, as promessas de um futuro juntos, o nosso casamento, as juras eternas de amor. Tudo. Cada detalhe não passou de uma encenação barata, uma mentira friamente calculada. Sou apenas mais uma mulher usada no esquema dele, mais uma barriga de aluguel involuntária, mais uma peça descartável para os seus negócios lucrativos.

Fecho os olhos com força por um instante, respirando fundo e lutando com todas as minhas forças para impedir que o pânico e o desespero tomem o controle absoluto dos meus atos. Eu não posso fazer nenhum barulho. Não posso de forma alguma permitir que ele descubra que estive aqui e ouvi cada palavra dessa conversa macabra. Se ele desconfiar por um único segundo... ele jamais permitirá que eu saia viva pelos portões daquela mansão.

Abro lentamente os olhos, focando no que preciso fazer para sobreviver. Enxugo as lágrimas remanescentes com as costas da mão, engolindo o choro que insiste em subir pela garganta. Dou um passo cauteloso para trás, depois outro, e mais outro, garantindo que as minhas pantufas continuem deslizando sem produzir o menor ruído no chão. Agora, afastando-me daquela porta maldita, só consigo concentrar meus pensamentos em uma única e urgente certeza.

Meu Deus... eu preciso salvar a minha filha dele.

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