Capítulo 6 PEDIDO DE AJUDA
Assim que a última palavra sobre o plano macabro de Orion escapa dos meus lábios, o ambiente parece perder o oxigênio. Marla não vacila por um único segundo.
— O choque inicial em seu rosto dá lugar a uma determinação feroz, daquelas que só os verdadeiros protetores possuem.
Ela avança em minha direção, segura minhas duas mãos com uma firmeza que ancora minha alma trêmula e, engolindo as próprias lágrimas, fixa seus olhos nos meus com uma serenidade cortante.
— Nós vamos embora daqui. Agora — ela decreta, a voz baixa, mas carregada de uma autoridade inquestionável.
Balanço a cabeça de um lado para o outro, sentindo o pânico nublar minha capacidade de raciocínio. Meu corpo inteiro reage ao terror de ser caçada.
— Ele vai me procurar aqui, Marla... Se ele me encontrar, ele vai levar a Melinda. Ele vai cumprir o que prometeu naquela ligação, eu vi a frieza nos olhos dele.
Minha irmã aproxima o rosto do meu, forçando-me a encará-la.
— Ele não vai encontrar você, eu prometo. Ele não sabe da minha existência, não sabe onde a titia mora. Para ele, você é uma folha em branco fora daquela mansão. Confia em mim.
Marla se levanta em um salto e começa a agir com uma rapidez cirúrgica. Ela abre o armário, puxa uma mala prática e joga suas coisas para dentro, misturando-as com a sacola de roupas que eu trouxe para a Melinda.
— Enquanto observo seus movimentos rápidos, sinto uma onda de calor hostil subir pelo meu ventre. Uma contração brutal, muito mais intensa do que as anteriores, aperta meu útero com a força de uma morsa.
Levo as duas mãos à barriga de forma abrupta, dobro o tronco para a frente e fecho os olhos, emitindo um gemido abafado entre os dentes.
Ainda não... por favor, minha filha, espera só mais um pouco. Só mais algumas horas, até estarmos seguras.
Marla percebe meu sofrimento, fecha o zíper da mala e desce as escadas comigo, amparando meu peso. Na sala, ela conversa rapidamente com a tia Elga.
— Minha irmã é direta, assertiva: diz apenas que surgiu uma emergência inadiável e que precisou antecipar sua viagem de intercâmbio para hoje mesmo, levando-me junto.
Ela não deixa qualquer margem ou espaço para perguntas ou questionamentos.
Antes de cruzar a porta, seguro o braço da titia com a força do desespero e suplico com o olhar para que, se Orion aparecer, ela não mencione uma única palavra sobre mim. Tia Elga, assustada com a minha fisionomia, apenas assente em silêncio.
Entramos no carro de Marla. O motor ruge e deixamos a casa para trás, ganhando as ruas em direção à fronteira.
— Durante todo o percurso de Foz do Iguaçu, meu coração bate descompassado, uma escola de samba desgovernada dentro do meu peito. Olho repetidas vezes pelo vidro traseiro, a paranoia distorcendo cada farol alto atrás de nós.
Tenho a terrível impressão de que qualquer veículo escuro pode ser Orion ou seus capangas nos perseguindo. — A dor nas minhas costas não dá trégua; ela irradia pela minha espinha, transformando cada solavanco do asfalto em uma tortura particular.
Finalmente, alcançamos a barreira. O processo de travessia da fronteira parece durar uma eternidade torturante, mas os guardas nos liberam.
Assim que cruzamos a linha divisória e entramos oficialmente no território do Paraguai, sinto como se um elástico esticasse e arrebentasse dentro do meu próprio corpo.
—Uma dor de intensidade indescritível me consome, fazendo-me soltar um grito agudo que ecoa pelo veículo.
