Capítulo 7 O ÚLTIMO PEDIDO
Nesse mesmo instante, sinto um fluxo de líquido quente e abundante escorrer de forma descontrolada por entre as minhas pernas, ensopando o banco do carro, olho para baixo, horrorizada.
— A bolsa... Marla, a bolsa d'água estourou...
Minha irmã desvia os olhos da estrada por um milésimo de segundo, empalidecendo ao notar o meu estado.
— Calma, Marli! Respira comigo, puxa o ar! Nós já atravessamos, aqui ele não tem poder, aqui estamos seguras!
Outra contração lancinante me golpeia, arrancando-me outro grito. Levo a mão à boca de forma imediata. — Uma náusea violenta revira meu estômago. Viro o rosto para o lado oposto e começo a vomitar repetidamente, expelindo apenas bile e o suco gástrico do nervosismo.
Meu corpo inteiro entra em um processo de tremores convulsivos, como se eu estivesse congelando no meio do calor.
— Marla... olha isso... — sussurro, erguendo minhas mãos trêmulas.
Meus olhos se arregalam de puro pavor. Minhas pernas e minhas mãos estão manchadas por um vermelho vivo, tem sangue, muito sangue escorrendo por entre as minhas vestes, um fluxo contínuo que não para.
Marla olha para o meu colo e o choque em seu rosto é absoluto. Ela pisa fundo no acelerador, fazendo o carro cortar as ruas paraguaias em alta velocidade.
— Meu Deus... segura as pontas, minha irmã! Aguenta só mais um pouquinho, eu estou vendo a placa do hospital, está logo ali na frente!
As dores atingem o ápice, obliterando minha capacidade de pensar.
— Minha visão começa a oscilar, criando borrões escuros nas bordas do meu campo visual. Os sons externos — o barulho do motor, a voz desesperada da minha irmã — começam a soar distantes, como se eu estivesse submersa em uma piscina profunda.
Quando o carro finalmente para de chofre diante da entrada do hospital, Marla salta, abre a minha porta e praticamente me puxa para fora, sustentando meu corpo vacilante contra o dela. Ela invade o pronto-socorro gritando por socorro.
— Como domina o espanhol fluentemente, sua voz ecoa firme e desesperada pelo saguão, exigindo atendimento imediato, alertando que a irmã está em trabalho de parto crítico e perdendo sangue.
Em poucos segundos, uma equipe médica surge com uma maca. — Sou colocada sobre a superfície fria.
— Enquanto me empurram em velocidade pelos corredores de azulejos claros, continuo vomitando, a cabeça pendendo para o lado. — Sinto a vida esvair-se de mim a cada centímetro de sangue que deixo para trás.
