Escuridão sem fim

Omega Bound

Ayla

Estou confusa. Minha cabeça lateja, e mal consigo mover os olhos sob as pálpebras porque dói demais. O cheiro de mofo e mijo rapidamente me lembra de que ainda sou prisioneira na minha jaula subterrânea de 1,5 por 1,5 metro. Meu balde de mijo provavelmente foi derrubado de novo. Gemendo, viro de lado e começo a abrir os olhos.

A escuridão me recebe.

Ficar sem luz esta noite significa que estou sendo punida. A surra que levei me faz sentir como se tivesse sido atropelada por um caminhão e arrastada montanha abaixo. Ele apaga as luzes se eu não chorar para ele. A única coisa que traz grande prazer ao carcereiro é ver minhas lágrimas enquanto ele tira o que quer de mim, quando quer. Aparentemente, minha dor é a única coisa que lhe traz alegria.

A escuridão nunca me incomodou como uma loba metamorfa, mas quando minha loba, Aramana, me abandonou, perdi minha visão noturna. Agora, a escuridão que antes não me afetava guarda todos os meus medos, sem nenhum aviso de sua aproximação.

Não consigo me esticar, a menos que esteja sendo amarrada, e não posso usar todas as minhas habilidades de cura de metamorfa sem a minha loba. Se não estou sendo estuprada, abusada e torturada, estou sonhando acordada com todas as belas maneiras de acabar com meu sofrimento. Alguns chamariam meu anseio pela morte de ideação suicida. Eu chamo de liberdade. Salvação. O fim de toda a minha dor constante.

Sequestrada anos atrás, aos quatorze anos, fui mantida em cativeiro por tempo suficiente para amadurecer como mulher e como uma metamorfa ômega. Não sei há quanto tempo estou trancada, mas sei que cada dia aqui já é um dia longo demais.

"Hora de acordar", sussurra o carcereiro de algum lugar no escuro.

Há quanto tempo ele está aqui, escondido, observando?

Imediatamente salto para trás, encolhendo-me no canto da jaula, quando sinto uma respiração fraca na minha nuca.

"É uma pena que você não consiga ver os monstros que espreitam na noite, Neve." Aterrorizada, eu me encolho como uma bola no meio da minha cela. O hálito dele fede a cigarro e bebida.

"Você não chorou para mim. Você parou de gritar, e agora me tira as suas lágrimas? Você está realmente tão quebrada assim, pequena Neve?" Sua risada zombeteira ecoa pelas instalações subterrâneas onde sou mantida. "Eu disse que faria você recuperar a voz. Agora, vamos adicionar suas lágrimas à lista", ele rosna, e ouço o destrancar da porta da minha jaula.

Ele imediatamente estica o braço e me agarra pelo cabelo, puxando-me nua para fora da jaula e arrastando meus joelhos esfolados pelo chão de concreto, reabrindo as feridas e fazendo-as sangrar. Eu não luto. Eu desisti há muitas vidas. Ranjo os dentes, recusando-me a fazer qualquer som. Não consigo me lembrar da última vez que falei.

Minhas últimas palavras foram: por favor, não me coloque aí dentro.

Ele me colocou nua na câmara frigorífica mesmo assim.

Sou erguida do chão e imediatamente empurrada contra a parede. Fria e quebrada, como eu. Talvez ele me enforque desta vez e vá longe demais, acabando com meu sofrimento. Talvez ele mije na minha ração mais tarde e me obrigue a comer. Ele é bem criativo quando lhe negam prazer.

"Chore para mim, sua vadiazinha", ele rosna, e tenho certeza de que está mostrando as presas enquanto coloca a mão ao redor do meu pescoço, espremendo o ar de mim e me fazendo urinar pela perna, o que o faz rir.

"Implore por ar, e eu pego leve com você. Dê-me suas lágrimas, e lhe darei uma refeição quente esta noite. Segure-as, e você passa fome", ele me lembra.

Não consigo me lembrar da última vez que comi algo quente. Minha comida está sempre fria e batizada, quando me permitem comer, de qualquer forma. Batizada com o quê... não tenho certeza, mas acho que pode ser um dos motivos de eu ter perdido Aramana. Talvez desta vez eles tenham colocado demais? Eu adoraria descobrir, mas me recuso a dar a qualquer um desses babacas as minhas lágrimas ou palavras.

É tudo o que me resta.

Sou muda por escolha e continuarei assim. Se não posso falar com minha loba, não quero falar nada. Tiraram tudo de mim. Isso é tudo que conheço. Minha capacidade de produzir lágrimas se foi, e não vai voltar. Estou quebrada, sozinha, indefesa — um vegetal apodrecendo em uma jaula.

Não há mais nada.

Estou dormente.

Buscando ar como um peixe, desfalecida contra a parede, minha visão começa a escurecer. Vejo estrelas na escuridão, e isso é estranhamente reconfortante. Não consigo me lembrar da última vez que vi estrelas de verdade. Sou jogada no chão como uma boneca de pano e imediatamente levo um chute no lado direito das costelas. O ar me falta, e uma dor excruciante se instala.

É. Estão quebradas de novo.

A dor constante ao respirar é uma de suas formas favoritas de tortura — e a mais fácil de infligir.

Caio sobre o meu lado esquerdo no concreto frio e implacável. Não ouso me arrastar para longe. Isso sempre resulta em mais surras. Uma vez perdi minhas unhas quando fui agarrada e puxada pelos tornozelos enquanto tentava me arrastar para longe, arranhando o chão. Espero que, se eu me transformar de novo um dia, eu tenha garras, porque minhas unhas ainda estão voltando a crescer.

Ele lambe a lateral do meu rosto, e a vontade de vomitar ácido estomacal é imediata.

"Ah, você tem um gosto tão doce, pequena ômega. Tem gosto de medo, e é delicioso," ele sibila no meu ouvido, me fazendo estremecer. "Sua desobediência me deixa duro, mas o seu medo me dá vontade de cruzar com você. Você não tem nenhum outro lugar para estar esta noite. Você é toda minha, e tenho permissão para usá-la a noite toda, desde que esteja pronta para o curandeiro de manhã. Você tem um grande dia pela frente, com um alfa que paga bem procurando por uma ômega no cio, então precisamos que você pareça apresentável — e que essa pele branca como a neve esteja pronta para novos hematomas."

Ele ri da última parte como se tivesse acabado de ouvir uma ótima piada.

Eles me dopam com uma droga de rua criada para colocar uma ômega em um falso cio. A dor das cólicas é insuportável, e as ondas de calor fazem você se sentir como se estivesse sendo queimada viva. Dura apenas um ou dois dias, mas isso já é tempo demais. Fico sem sentidos ou capacidade de funcionar depois de receber a injeção de cio.

Geralmente amarrada, meu corpo me trai — sempre pronto com lubrificação para o nó de um alfa, não saciada e drogada demais para me manter coerente. Claro, há momentos de consciência em que percebo que estou preenchida por nós de alfas e objetos estranhos, com ferimentos recentes e o cheiro de sangue no ar, mas isso passa rápido.

Pelo menos, eu acho que passa.

Ele me puxa do chão e me joga de barriga sobre a minha jaula. As grades frias cravam na minha barriga fina e desnutrida. Ele chuta meus calcanhares para separá-los com suas botas de biqueira de aço, puxa meu cabelo para trás, arrancando alguns fios, e me penetra com força sem nenhum aviso. Nenhum som de cinto ou zíper se abrindo.

Ele já estava pronto para isso enquanto eu estava deitada inconsciente na minha jaula.

Espreitando no escuro com a porra do pau para fora.

Monstro.

Minha jaula quase vira completamente com a força de sua estocada. Forte. Doloroso. Ele sai de dentro de mim, e antes que possa dar outra estocada, a sala é violentamente sacudida por uma aparente explosão.

Sou arremessada para longe da jaula pelo impacto e caio no chão duro de concreto. O carcereiro cai ao meu lado, gemendo, com os membros jogados sobre o meu corpo. Ele deve estar prestes a se transformar, porque consigo ver os olhos de lobo cor de aço dele no escuro.

Eu me endireito, segurando minhas costelas, e tateio em busca da entrada da minha jaula. Meus ouvidos estão zumbindo e sinto cheiro de sangue, com algo enchendo meu olho esquerdo, não importa quantas tentativas eu faça para limpá-lo. O sangue escorre para o meu lábio.

Vejo uma luz fraca em uma nuvem de poeira do outro lado da sala, com uma figura sombria se movendo por entre a poeira e os destroços de concreto que estão voando pela área.

Que porra foi essa?

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