Capítulo 3 Golpe de Ano Novo

ALICE

Corri atrás de Benjamin, o desespero rasgando meu coração.

Minha cabeça girava e minhas pernas tremiam. Eu realmente sentia que ia cair a qualquer momento. Ele andava bem à minha frente, desesperado para se afastar de mim. Depois da merda que ele viu lá em cima, eu não o culpava.

Ah, o que foi que eu fiz!?

Como um erro desses pôde acontecer?

— Benjamin, por favor — implorei. — Por favor, me escuta. Foi tudo um mal-entendido. Eu não... eu nunca teria...

Ele se virou de repente e eu quase bati nele. Ele me empurrou na mesma hora, como se a ideia de eu estar tão perto o enojasse.

A raiva faiscou nos olhos dele e saliva voou da boca quando ele gritou:

— Fica longe de mim, porra! Eu venho até aqui de Vegas pra te fazer uma surpresa no Ano-Novo do caralho, e é isso que eu encontro?

— N-não, não, n-não — eu disse depressa, desejando não estar gaguejando tanto. — N-não foi assim, Benjamin. Por favor, me escuta. Você me mandou mensagem! Era você que eu d-devia encontrar lá em cima!

— O quê? — ele cuspiu. — Que porra você tá falando? Você nunca me mandou mensagem! Isso tudo era pra ser uma surpresa!

Peguei meu celular às pressas.

— Mandou sim! Eu te enviei aquela selfie! Aqui, olha. Por favor.

Mostrei nossas mensagens. Ele hesitou em pegar o celular da minha mão, mas acabou passando os olhos pela conversa enquanto eu dizia:

— Estava escuro. E-eu não vi que não era você. A Emma vai confirmar. Ela sabe que eu subi lá pra te encontrar!

Benjamin sacudiu a mão e praticamente jogou o celular em cima de mim.

— Eu não reconheço essas mensagens. Você nunca me mandou isso!

— Mas esse número está registrado com o seu nome! — exclamei, desesperada, apontando para a tela para mostrar. — Tá vendo? Eu não tô inventando, Benjamin!

A expressão dele endureceu.

— Sabe de uma coisa, Alice? Eu acho que você tá inventando sim. E não só isso: você tá tentando me fazer de idiota. Você tá me dizendo que salvou o número do seu amante com o meu nome? Só pra o caso de eu te pegar?

— Que amante!? — perguntei, histérica. — Não tem amante nenhum, Benjamin! Eu juro por Deus! O que você viu lá em cima foi um mal-entendido cruel. Eu não tenho um caso com o meu chefe!

Os olhos dele se acenderam, e ele deu mais um passo na minha direção. Eu vi ódio naqueles olhos castanhos e quentes. Eu nunca tinha visto ele me olhar assim.

— Ah, você quer dizer o mesmo chefe de quem você vive falando mal? Esse?

Eu não soube o que responder, então agarrei o braço dele e disse:

— Por favor, amor. Eu preciso que você acredite em mim. Eu—

Ele afastou minha mão tão rápido que doeu nos meus sentimentos.

— Não encosta em mim! Você me dá nojo, porra, Alice! Esse noivado? Acabou. Eu não vou me casar com uma vagabunda como você!

Cada palavra foi uma facada no meu peito. Eu comecei a chorar. Não consegui me controlar.

— Benjamin, por favor! Você tem que acreditar em mim!

Ele voltou a se afastar. Eu corri atrás dele e não parei nem quando chegamos à festa. Eu não me importava se as pessoas estavam olhando. Meu coração estava partido e eu precisava consertar isso. Ele não podia ir embora assim.

Meu Deus, o que foi que eu fiz?

Que porra aconteceu? Como um erro desses pôde acontecer!?

Eu estava bêbada demais pra pensar direito. Esbarrei em alguém e nem pedi desculpas. Disparei em direção à saída, esperando alcançá-lo, mas ele já estava ao lado do carro.

— Benjamin!

Ele nem levantou os olhos pra mim. Entrou, ligou o carro e arrancou antes que eu chegasse até ele. Eu vinha correndo tanto que meu salto quebrou e eu caí com força no chão, ralando o joelho.

— Droga! — sibilei, de dor.

Assisti, desesperada, ao carro dele se afastando e, então, o silêncio tomou conta dos meus ouvidos. Mais lágrimas escorreram pelo meu rosto, e eu fiquei ali no chão, sem saber o que fazer. Meu coração estava partido. Esmagado. Eu mal conseguia respirar.

Ouvi passos se aproximando e, quando virei a cabeça num golpe, vi Emma vindo na minha direção.

— Alice? O que aconteceu?

Tentei me levantar e ela me ajudou. Ela me olhava com pura preocupação enquanto eu, entre lágrimas, tentava explicar o que tinha acontecido.

— Benjamin... eu não sei. Ele me pegou com o sr. Linden-Hawthorne.

— Uau! Peraí. O quê!?

— Foi um mal-entendido! — eu gritei, puxando o cabelo com as mãos. — Eu não sei o que ele estava fazendo lá! Era pra ser o Benjamin!

— Você tá tendo um caso com o sr. Linden-Hawthorne? Meu Deus, Alice! Era com ele que você estava trocando mensagem a noite toda?

— O quê? Não! — eu disse, quase com raiva. — Jesus, Emma. Você tá me ouvindo?

Ela cruzou os braços. — Fui eu que disse ao Benjamin onde te encontrar quando ele apareceu. Ele não sabia que você estava no seu escritório. Eu perguntei sobre as mensagens e ele disse que não sabia de nada.

— Eu... é. Ele me disse que não recebeu as mensagens. Eu não sei como. — Com as mãos trêmulas, peguei meu celular de novo. Sim, o número estava registrado com o nome do Benjamin, mas, por algum motivo, o número não era dele.

Na verdade, todas as mensagens que eu tinha com o Benjamin não apareciam em lugar nenhum sob aquele número.

Não era dele, então por que estariam ali?

— Eu não entendo — murmurei. De repente, minha cabeça começou a doer. — Como é que... eu nunca salvei esse número... eu não sei quem é!

Ergui os olhos para Emma, mas não vi nenhuma simpatia no olhar dela.

— Ems, qual é, você não pode acreditar nisso...

— Eu não sei no que acreditar — ela disse, seca. — Você ficou estranha a noite toda.

— Não, eu não fiquei!

— Ficou, sim! — Ela começou a se afastar de mim, e a expressão dela era a mesma que o Benjamin tinha no rosto. — O que há de errado com você?

— Comigo? Não tem nada de errado comigo! Eu não sei o que aconteceu!

Ela começou a ir para dentro e eu fui atrás, mancando por causa do salto quebrado. Chamei o nome dela, mas ela não se virou. Nem olhou para mim.

— Emma!

Antes que eu pudesse chegar à área principal onde a festa estava acontecendo, alguém agarrou meu braço e o puxou com força. Eu bati contra um corpo sólido e, em seguida, fui arrastada para uma parte mais isolada do prédio, onde ficamos escondidos pelas sombras.

Minha boca secou quando vi que era o Sr. Linden-Hawthorne.

— Você está brincando comigo? — ele perguntou, tenso, inclinando a cabeça para o lado. — Isso é um jogo, Srta. Rhodes? Você está me pregando uma peça?

— Não! — respondi depressa, horrorizada com toda a situação e com o quão perto ele estava. Tudo estava tão errado. O aperto no meu braço era implacável. O perfume dele... por que eu não percebi que não era o Benjamin? Embora os dois fossem altos, Benjamin era mais parrudo. O cabelo do Benjamin também era mais curto.

Depois que esse pensamento me atravessou, outro, mais terrível, tomou o lugar.

Eu beijei meu chefe.

A mão dele estava na minha... meu Deus.

— Não? — ele repetiu. Ele se aproximou mais, até os lábios quase encostarem nos meus, e disse: — Você me manda um nude e a gente passa a trocar mensagens. Você concorda em me encontrar no seu escritório e aí você... vai atrás do seu namorado? O que foi aquilo?

Era com ele que eu estava trocando mensagens?

O horror me inundou. Eu devia ser muito lenta, porque não liguei os pontos rápido o suficiente. Puta. Que. Pariu. Não tinha como isso estar acontecendo comigo.

Impaciente, ele disse:

— Eu estava esperando uma resposta sua hoje, Srta. Rhodes.

— Eu... eu não quis te mandar aquelas mensagens nem aquela foto. Eu... era pro meu noivo. Eu não sei o que aconteceu. Eu nem tenho o seu número!

— Bom, de algum jeito você tem — ele afirmou, num tom muito mais baixo. — E sabe de uma coisa, Srta. Rhodes? Eu não acredito em você nem por um segundo.

Eu fiquei atônita.

— O quê?

— Você disse ao seu namoradinho que foi um mal-entendido — ele declarou —, mas eu não acho que isso seja verdade. Eu acho que você sabia exatamente com quem estava mandando mensagem. Ou devo dizer... fazendo sexting?

Bastaram alguns instantes para eu entender o que estava acontecendo ali. Empurrei-o com força e disse:

— Você está errado! Olha, eu não sei o que aconteceu lá em cima, e não consigo explicar o que aconteceu com as mensagens... Mas eu nunca teria mandado aquilo pra você! Nunca! E ele não é meu namorado — ele é meu noivo.

Um olhar frio atravessou os olhos dele.

— Não é mais.

Enquanto eu encarava o rosto dele, a contagem regressiva para o Ano-Novo começou. Balancei a cabeça e tentei me afastar, mas ele me manteve pressionada contra a parede.

— Por que você não para de fingir?

— Eu não estou fingindo.

— Não?

— Eu amo meu noivo — eu disse, desesperada. — Eu sou fiel a ele. Eu nunca teria traído ele. Nunca. Eu não sabia que era você. Eu achei que você fosse ele!

Devagar, ele levou os dedos ao nariz, e eu vi quando ele os cheirou.

— É mesmo, Srta. Rhodes? Então por que eu consigo sentir seu cheiro nos meus dedos?

Eu não sabia se era exaustão, raiva ou só uma sensação geral de já ter desistido da vida e não me importar com o que aconteceria depois, mas ergui a mão e dei um tapa no rosto dele, o mais forte que consegui, e fui embora bem na hora em que a multidão gritou:

— FELIZ ANO-NOVO!

Eu não parei de andar até chegar ao meu carro.

Então, sentei lá dentro e chorei.

Capítulo Anterior
Próximo Capítulo