Capítulo 1

Ponto de vista de Natalie

Eu estava de joelhos quando lhe perguntei.

O pau de Edwin estava enterrado fundo na minha garganta. Minhas mãos se apoiavam nas coxas dele para eu me equilibrar. Lágrimas escorriam pelo meu rosto por causa dos engasgos, mas eu não recuei. Três anos tinham me ensinado exatamente como ele gostava. Fundo. Desesperado. Degradante.

Ele agarrou meu cabelo com o punho. Meteu com mais força. Eu relaxei a garganta e o recebi. Engoli em volta dele. Passei a língua naquele ponto sensível logo abaixo da glande.

— Porra — ele gemeu. — Você ficou muito boa nisso.

Quando finalmente saiu de mim, eu puxei o ar com dificuldade. Saliva e pré-gozo escorriam pelo meu queixo. Não enxuguei. Ele gostava de me ver bagunçada. Arruinada.

— Alteza. — Minha voz saiu rouca. Em carne viva. — Amanhã, quando o senhor partir para a capital...

A mão dele apertou meu cabelo. Aviso.

— E daí?

Engoli em seco. Ainda sentia o gosto dele na língua.

— O senhor vai me levar com o senhor?

Por um longo momento, ele apenas olhou para baixo, para mim. Seu pau ainda estava duro. Ainda brilhava com a minha saliva. Os olhos claros dele eram calculistas. Frios.

— Isso depende — ele disse devagar. — Do seu desempenho esta noite.

O medo me atravessou como um choque. Mas eu o enterrei. Tranquei junto com tudo o mais que eu não podia me dar ao luxo de sentir.

— Eu faço qualquer coisa, Alteza. Por favor. Só me diga o que o senhor quer.

O sorriso dele foi afiado. Predatório.

— Me mostre. Me convença de que você vale o trabalho de ser mantida.

Então eu fiz.

— Na cama — ele disse. — Empina a bunda.

Subi engatinhando na cama dele. Fiquei de quatro. Afastei bem as pernas. Arqueei as costas para me oferecer. Minha boceta já estava molhada, apesar da repulsa revirando meu estômago. Três anos de condicionamento. Meu corpo tinha aprendido a reagir mesmo quando minha mente gritava em protesto.

Edwin me montou por trás. Sem aviso. Sem preparação. Só enfiou o pau grosso na minha boceta num único impulso brutal. Mordi o lábio para não gritar. Ele gostava que eu ficasse quieta. Obediente. Um buraco quente para ele usar.

Ele me fodeu com força. O quadril dele batia na minha bunda com sons úmidos e estalados. Os dedos cravaram nos meus quadris com força suficiente para deixar hematomas. Eu me movia para trás para receber cada estocada. Apertava em volta dele. Fazia os pequenos arquejos de que ele gostava.

— Isso — ele rosnou. — Aguenta como a boazinha putinha que você é.

— Sim, Alteza — sussurrei. — Obrigada, Alteza.

Ele agarrou meus seios. Apertou com brutalidade. Beliscou meus mamilos até uma fisgada de dor me atravessar. Eu me arqueei contra as mãos dele. Geme como se estivesse adorando.

Quando ele me virou de costas, envolvi imediatamente a cintura dele com as pernas. Puxei-o mais fundo. O pau dele me esticava. Me preenchia. Eu atuava como se minha vida dependesse disso. Porque dependia.

Três anos. Três anos disso, e eu nunca tinha sentido prazer nem uma vez. Talvez eu tivesse nascido errada. Talvez algumas mulheres simplesmente não conseguissem sentir nada durante o sexo.

Seria essa a misericórdia de Deus? Uma compensação por tudo o mais que Ele tinha tirado de mim? A incapacidade de criar um vínculo por meio da intimidade física significava que eu podia sobreviver àquilo sem me despedaçar por completo.

— Implore — ele ordenou.

— Por favor, Alteza. — As palavras queimavam minha garganta como ácido. — Por favor, me foda mais forte. Use sua puta imprestável. Encha minha boceta com seu gozo. Eu preciso disso. Eu preciso do senhor.

As estocadas dele ficaram selvagens. Punitivas. Meu corpo sacudia a cada impacto. Meus seios quicavam. Minha boceta se apertava em volta dele.

Quando Edwin finalmente gozou, enterrou-se fundo e ficou ali. O pau pulsou dentro de mim. Gozo quente inundou minha boceta. Ele gemeu contra o meu pescoço. O peso do corpo dele me prensou contra o colchão.

Por um momento, tudo ficou imóvel.

Então ele saiu de dentro de mim. Rolou para o lado. Esparramou-se na cama com a languidez satisfeita de um homem muito bem servido.

Fiquei deitada ali. O sêmen escorria da minha buceta para os lençóis dele. Meu corpo doía. Minha garganta estava em carne viva. Meus lábios estavam inchados. Mas eu não me mexi. Não me limpei. Não até que ele mandasse.

Edwin estendeu a mão preguiçosamente. Seus dedos se enroscaram no meu cabelo. Quase afetuoso, se não fosse pela posse implícita no gesto.

“Você se superou esta noite”, ele murmurou. Sua voz estava densa da satisfação pós-coito. “Talvez você valha o trabalho, afinal.” Fez uma pausa. “Vamos arranjar roupas decentes para você. Não posso deixar você parecendo uma puta de acampamento quando chegarmos à capital.”

O alívio me inundou com tanta força que minha visão ficou turva.

“Obrigada, Alteza.” Mantive a voz firme. Grata. “O senhor não vai se arrepender. Não vou dar trabalho nenhum.”

Deslizei para fora da cama. O sêmen ainda escorria pelas minhas coxas. Só me limpei quando cheguei ao meu catre, aos pés da cama dele. Mesmo assim, usei apenas o pano áspero que eu mantinha ali. A água era racionada. Eu não podia desperdiçá-la.

Encolhi-me no catre fino aos pés da cama dele. Puxei minha única coberta sobre o corpo nu.

Três anos atrás, eu tinha sido a filha do General Vane. Uma estudante promissora na Academia. Então meu pai foi executado por uma traição que não cometeu. Minha mãe se matou dois dias depois. Não me restou nada além do nome de uma traidora.

Quando a guerra se tornou realidade, veio o decreto do Imperador. Punição por ser filha de um traidor — enviada aos acampamentos militares como prostituta. Não era uma escolha. Era uma sentença.

Cheguei ao acampamento da fronteira esperando ser jogada aos soldados rasos. Ser usada e descartada como todas as outras.

Mas o príncipe Edwin me viu no meu primeiro dia. Reconheceu-me de antes da queda. Reivindicou-me como sua propriedade pessoal antes que qualquer outro pudesse me tocar.

Sorte, suponho. Se é que essa palavra ainda se aplicava.

Pelo menos eu só tinha de servir a um homem em vez de dezenas. Pelo menos Edwin não tinha as doenças que apodreciam os soldados comuns.

Pequenas misericórdias no inferno.

Por três anos, eu pertencera apenas a ele. Não era liberdade. Mas era sobrevivência.

Naquela noite ele voltara alegando vitória. Amanhã partiria para a capital.

Se me deixasse para trás, os soldados me arrastariam para dentro das tendas deles em questão de horas. Eu tinha visto o que acontecia com as seguidoras de acampamento abandonadas. Visto os olhos vazios. Ouvido os gritos.

Eu enlouqueceria. Ou morreria. Provavelmente os dois.

Então eu implorei para que ele me levasse. Usei a única moeda que ainda me restava — meu corpo. Me degradei por completo para conquistar sua promessa.

E tinha funcionado.

Ele me levaria para a capital. Eu sobreviveria.


O som que me despertou estava errado.

Não era o movimento habitual de um acampamento militar antes do amanhecer. Era algo caótico. Urgente. Pontuado por gritos carregados de um pânico inconfundível.

Sentei de supetão. Meu coração disparou antes que minha mente processasse por completo o que eu estava ouvindo.

A tenda estava vazia.

A cama de Edwin mostrava sinais de abandono apressado. O uniforme de gala de ontem estava largado no chão. As botas tinham sumido.

Pus-me de pé às pressas. Peguei minha camisola e meu xale. Cambaleei em direção à entrada da tenda.

No instante em que afastei a aba, entendi.

O acampamento estava em chamas. Edwin tinha mentido sobre a vitória.

Ele me usou uma última vez. Fez com que eu acreditasse que tinha conquistado minha sobrevivência.

E então me deixou ali para morrer.

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