Capítulo Nove

Jasmine estava deitada na cama, sentindo-se como se estivesse morta. Passou a mão pelo estômago, estava grávida do filho da besta.

Ela desejava que fosse de outra pessoa e não estaria tão zangada e frustrada. Isso a estava enlouquecendo, saber que tinha outro ser dentro dela.

Ela continuava repetindo para si mesma, continuava gritando que estava grávida porque parte dela queria que fosse uma grande mentira e a outra parte sabia que era a verdade e não havia nada de negável nisso.

E se o bebê acabasse sendo uma besta como o pai? Ela nunca gostaria de procriar um ser assim, estava decidida a tirá-lo, mas... e se não fosse uma besta? O bebê poderia ser normal? Ela amava bebês e, e se este fosse? Tocou a mão no estômago. Poderia ainda ser humano, já que ela também era humana. Lágrimas escorreram pelo seu rosto.

Ela se sentia agora como a pior pessoa do mundo. A criança vinha de um monstro e ela ia removê-la. Não conseguia... Olhou para a porta trancada, tinha fechado a porta. Só queria um tempo sozinha para resolver as coisas, não conseguia parar de se sentir miserável, queria isso fora do seu corpo, envolveu os braços ao redor de si mesma.

"O que você decidiu fazer?" Ela esperou Jasmine falar, querendo que ela pensasse claramente sobre sua decisão. Tinha deixado Jasmine sozinha na noite anterior para dar-lhe tempo. Jasmine se virou e a abraçou. "Eu não quero manter, não quero trazer outro monstro ao mundo." Serena a abraçou de volta. "Tudo bem, se é isso que você decidiu, vou te apoiar 100%." Ela deu tapinhas suaves nas costas de Jasmine para acalmá-la e parar de chorar.

"Você pode vir comigo? Não quero fazer isso sozinha." "Tudo bem, eu vou com você." "Desculpa, sinto muito por te incomodar essa semana." Jasmine abraçou Serena, que tinha sido uma grande ajuda para ela e ela realmente apreciava isso. "Tudo bem, é para isso que servem os amigos." "Obrigada." Ela não sabia o que faria se Serena não estivesse ali para ela. "Vou me vestir e te encontro lá fora." Jasmine assentiu ainda com a voz embargada depois de chorar até desmaiar na noite anterior. Ela saiu e seu primeiro olhar foi para uma criança em sua bicicleta.

Seu olhar se demorou enquanto observava o sorriso do menino, era muito fofo e adorável. Ela desejava poder dar à luz a uma criança assim. Sua mão caiu imediatamente para sentir seu estômago e ela desviou o olhar, determinada a não ter o bebê. Serena saiu depois de alguns minutos e as duas se dirigiram ao carro. "Você tem certeza de que quer fazer isso?" Serena perguntou olhando para ela. "Sim, tenho certeza." Jasmine se virou de Serena e voltou a olhar para o menino andando de bicicleta pela rua.

"Vamos, Jasmine." Ela se virou e entrou no carro com lágrimas nos olhos, não sabia por que estava se sentindo assim. Poderia ter mantido a criança se o pai não fosse uma besta, mas pensar no monstro gigante e negro com olhos dourados a aterrorizava. Fechou os olhos, assim como naquela noite, desejando que tudo isso fosse um sonho e que acordasse desse terrível pesadelo.

Mas, ao abrir os olhos lentamente, percebeu que ainda estava em um veículo em movimento. Queria chorar, mas estava exausta disso, só queria acabar logo com isso e começar a viver sua vida normal. Sua mão caiu sobre o estômago e ela passou a palma da mão sobre ele, vinha fazendo isso desde que soube da gravidez. "Você está bem?" Serena perguntou do assento oposto.

"Ainda não consigo acreditar que estou grávida dessa criança, parece tão irreal." "Tudo vai ficar bem, estaremos no hospital em alguns minutos, não se estresse pensando em todas essas coisas, vai ficar tudo bem." Jasmine assentiu e recostou a cabeça no assento, olhando pela janela enquanto via crianças em um ônibus escolar. Ela adoraria ter essa criança, mas não era do pai certo. Fechou os olhos e, por algum motivo, sentia-se extremamente culpada. Poderia ter uma das mais belas criações, mas e se a criança se tornasse uma besta como o pai?

Tentou não pensar em nada, mas muitos pensamentos continuavam a inundar sua mente. Jasmine sentia vontade de chorar, mas se tinha que fazer isso, precisava ser forte. Após alguns minutos, Serena parou no hospital e estendeu a mão para tocá-la. "Jasmine, estou aqui para você, então está tudo bem." Jasmine respirou fundo e soltou o ar enquanto observava muitas pessoas entrando e saindo por diferentes motivos.

Ela desceu do carro e se dirigiu ao prédio com Serena ao seu lado. Era isso, estava tomando essa decisão. Caminhou pelo corredor e parou quando viu uma mulher beijando e abraçando seu filho, que era deficiente. Ela se virou e seguiu Serena até o consultório do médico. Observou o médico atentamente enquanto explicava o que queriam fazer. Durante toda a consulta, sua mente não estava tranquila e ela não conseguia se concentrar.

Estava fazendo a coisa certa, não deveria se sentir culpada. Essa criança poderia ser uma besta e ela não queria correr esse risco. "Jasmine, você está aqui?" Serena perguntou enquanto tocava seu braço. Ela olhou para Serena e depois de volta para o médico...

Capítulo Anterior
Próximo Capítulo