Capítulo 2
~CELINE~
“Eu não acredito que deixam uma criança perambular assim. O gerente deveria ser demitido,” disse a mulher ao lado dele, com o braço firmemente entrelaçado ao dele.
Eu a reconheci instantaneamente... Charlotte Hill, uma modelo famosa. Já a vi inúmeras vezes na TV e nos painéis promocionais deste hotel.
Ela é ainda mais deslumbrante pessoalmente, seus traços marcantes emoldurados por ondas loiras perfeitamente estilizadas.
Suas palavras doeram, mas me forcei a manter a calma. “Desculpe,” disse suavemente, esperando que meu pedido de desculpas fosse suficiente para acalmá-la.
O “The Aurelia,” o hotel onde eu trabalhava, era um dos estabelecimentos mais prestigiados de Nova York. Classificado como o décimo melhor do mundo pela Hotel Magazine, atendia a celebridades, magnatas e políticos.
Uma única noite aqui custa mais do que meu salário mensal.
O Aurelia foi fundado por Sebastian Reid, um gigante do mundo dos negócios, cujo nome ainda era respeitado oito anos após sua morte.
Seu filho, Hunter Reid, assumiu o império da família, aumentando ainda mais sua riqueza e influência. Ele era frequentemente destaque nas revistas Forbes e Fortune, celebrado como uma estrela em ascensão no mundo dos bilionários.
E agora ele estava ali, a poucos metros de mim.
Eu não precisava de uma apresentação para saber quem ele era. Seus olhos azuis penetrantes e presença fria e imponente eram suficientes.
Ele tinha uma aura que silenciava uma sala sem dizer uma palavra, e agora, aqueles olhos estavam fixos em mim.
Sob seu olhar, me senti exposta, pequena.
Minha respiração parou enquanto esperava ele falar, o peso do seu silêncio pressionando sobre mim.
César, alheio à tensão, puxou minha calça de trabalho. “Mamãe, desculpa,” ele sussurrou, seus grandes olhos azuis brilhando com culpa.
“Está tudo bem, querido,” murmurei, me abaixando para pegá-lo. Seu pequeno braço envolveu meu pescoço, me ancorando no momento.
Charlotte bufou. “É por isso que eu sempre digo que crianças não pertencem a lugares como este.”
O tom dela fez meu estômago revirar, mas mantive a cabeça baixa, tentando não mostrar o quanto suas palavras me afetaram.
Finalmente, Hunter falou. Sua voz era baixa e medida, mas carregava a autoridade que exigia atenção.
“Charlotte, já chega.”
Pisquei, surpresa.
Charlotte franziu a testa, claramente insatisfeita com a resposta dele, mas não disse mais nada. Em vez disso, jogou o cabelo sobre o ombro, murmurando algo sob a respiração.
O olhar de Hunter voltou para mim, sua expressão indecifrável. “Ele está machucado?”
Demorei um momento para perceber que ele estava perguntando sobre César.
“N-Não, ele está bem,” gaguejei, segurando meu filho um pouco mais forte.
Ele assentiu uma vez, seus olhos permanecendo em César por um momento mais longo do que o necessário. Meu coração disparou, embora eu não pudesse identificar o motivo.
“Bom,” ele disse secamente antes de se virar. “Vamos, Charlotte.”
Sem dizer mais uma palavra, ele se afastou, seus longos passos o levando em direção ao elevador. Charlotte o seguiu de perto, lançando-me um último olhar de ódio antes de desaparecer atrás das portas que se fechavam.
Assim que eles se foram, soltei um suspiro trêmulo. Minhas pernas estavam fracas, e eu me apoiei na parede para me equilibrar.
“Mamãe, eu fiz algo errado?” A voz pequena de César rompeu meus pensamentos.
Beijei o topo de sua cabeça, forçando um sorriso. “Não, querido. Você não fez nada de errado.”
Mas, no fundo, eu não conseguia me livrar da sensação de que algo havia mudado.
O jeito que Hunter Reid olhou para César... foi como se ele tivesse visto algo familiar. Algo que ele não conseguia identificar.
E por razões que eu não conseguia explicar, isso me aterrorizava.
Durante as horas restantes, tentei me concentrar nas minhas tarefas. César finalmente adormeceu após um interminável jogo de esconde-esconde pelos alojamentos dos funcionários.
Pelo menos nada fora do comum aconteceu naquele dia, e por isso, eu estava grata.
Este trabalho não era apenas importante—era necessário. A única coisa mantendo as luzes acesas, a água correndo e um teto sobre a cabeça de César.
Suspirei, desviando o olhar do cesto de roupas na minha mão para o enorme pôster de Hunter Reid do outro lado da sala.
Aqueles malditos olhos azuis. Eu ainda podia senti-los me perfurando, como haviam feito no corredor mais cedo. Frios, avaliadores — não ameaçadores, mas também não gentis.
Havia algo familiar neles, embora eu não conseguisse identificar exatamente o quê.
“Celine! Celine!” A voz de Blake me tirou dos meus pensamentos.
“Oh, Blake,” eu disse, forçando um sorriso enquanto carregava o cesto de lençóis recém-lavados até a mesa de passar. “Onde você esteve? Estamos afundando em trabalho.”
“Ah, esqueça a lavanderia por um segundo!” Os olhos de Blake brilhavam maliciosamente enquanto ela se aproximava. “Adivinha o quê?”
“Blake, você sabe que eu sou péssima em adivinhações,” respondi, pegando o ferro.
Ela revirou os olhos. “Só tenta.”
Suspirei, para agradá-la. “Tá bom. Outro hóspede tentou dar em cima de você?”
Blake gemeu, mas um sorriso surgiu em seus lábios. “Ok, sim, mas não é isso.”
Eu sorri de canto, voltando ao meu trabalho. “Então, o que é?”
“Hunter Reid está de volta!” ela anunciou dramaticamente, praticamente pulando de excitação.
Eu congelei.
“Menina, quando eu passei por ele no corredor, quase morri na hora. Ele é tão…” Ela parou, abanando-se teatralmente. “Lindo não descreve. Ele é como um deus entre mortais. Não acredito que estamos respirando o mesmo ar.”
“Entendi,” murmurei, mantendo meu tom neutro enquanto dobrava uma toalha.
Blake franziu a testa. “É só isso que você tem a dizer? Eu acabei de te contar que o ‘Hunter Reid’ está de volta, e você está agindo como se não fosse nada demais!”
Eu não respondi. Em vez disso, peguei outra toalha e me concentrei em alisar suas bordas.
“Ok, desembucha,” Blake disse, estreitando os olhos.
“Não há nada para desembuchar,” respondi, evitando seu olhar.
“Ah, tá. Não com essa cara,” ela disse, cruzando os braços. “Vamos, Celine. O que aconteceu?”
Suspirei, colocando o ferro de lado. “Tá bom. Eu encontrei o Hunter Reid e a Charlotte Hill mais cedo… enquanto perseguia o Caesar. Ele esbarrou no Sr. Reid.”
A mandíbula de Blake caiu. “Celine! Eu te avisei para manter o Caesar fora de vista!”
“Eu sei,” disse rapidamente, passando a mão pelo cabelo. “Mas você sabe como ele é hiperativo. Mesmo para um garoto de três anos, ele é... muito. Eu tento mantê-lo contido, mas é exaustivo, Blake.”
A expressão de Blake suavizou, mas a preocupação permaneceu em seus olhos. “O que você vai fazer se—”
Antes que ela pudesse terminar, Kayla entrou, cortando a tensão.
“O gerente quer te ver no escritório dele, Celine,” ela disse rapidamente antes de desaparecer pelo corredor.
Blake e eu trocamos olhares, meu estômago se revirando com a possibilidade implícita.
Blake estendeu a mão e apertou a minha, dando um aperto. “Vai. Não se preocupe, eu cuido do Caesar até você voltar.”
A caminhada até o escritório do gerente parecia uma marcha rumo à condenação. Cada passo era pesado, minhas palmas suadas, meu coração batendo forte no peito.
Hesitei diante da porta, encarando a placa com o nome como se ela contivesse as respostas para meu destino. Finalmente, bati, meus nós dos dedos mal tocando a madeira.
“Entre,” sua voz grave chamou.
Entrei, fechando a porta suavemente atrás de mim. O gerente estava sentado atrás da mesa, sua expressão séria.
“Sente-se,” ele disse, gesticulando para a cadeira à sua frente.
Sentei-me ereta, minhas costas rígidas e minhas mãos fortemente entrelaçadas no colo. Ele não falou de imediato. Apenas me olhou, seu olhar intenso e difícil de ler. O silêncio parecia pesado, envolvendo-me como um aperto firme.
Finalmente, ele abriu uma gaveta e tirou um envelope, deslizando-o pela mesa em minha direção.
Eu o encarei como se pudesse me queimar. “O que é isso?” perguntei, minha voz quase um sussurro.
Ele se recostou na cadeira, cruzando as mãos. “Seu pagamento final.”
As palavras atingiram como um soco no estômago. Minha garganta se apertou enquanto meus dedos tremiam contra a borda do envelope.
“O quê?” consegui balbuciar.
“Não se dê ao trabalho de voltar ao trabalho,” ele disse friamente. “A partir de hoje, você está demitida.”
Meu coração parou enquanto a realidade de suas palavras se infiltrava. Demitida. Minha única fonte de renda — perdida.
O rosto do gerente ficou sério, e comecei a me perguntar. Isso tinha algo a ver com o Caesar?
Ou... Hunter Reid?
