Capítulo 3

~CELINE~

“O que quer dizer com demitida, senhor?” perguntei, minha voz tremendo enquanto eu apertava o envelope nas minhas mãos. Certamente, eu tinha ouvido errado.

Por que isso estava acontecendo?

“Sim, Srta. Brown, você ouviu corretamente. Você está demitida,” ele disse, seu tom frio e indiferente. “Recolha suas coisas e saia das dependências.”

As palavras me atingiram como um golpe físico, e minhas mãos começaram a tremer. Meu aperto no envelope se intensificou, suas bordas cortando minha palma. Isso não podia ser real.

Isso tinha que ser coisa do Hunter.

Mas por quê? Mais cedo, no corredor, ele não parecia zangado. Na verdade, ele estava indiferente—até educado—quando perguntou sobre o Caesar. Por que ele faria isso? Seria algum sentimento distorcido de controle ou punição?

Nada disso fazia sentido. Nada disso era justo.

“Srta. Brown, é melhor você ir embora,” o gerente disse asperamente, interrompendo meus pensamentos confusos.

Sua voz era fria, despreocupada, como se jogar fora o sustento de alguém fosse normal para ele.

A raiva borbulhou dentro de mim, uma mistura de humilhação e frustração. Eu queria gritar com ele, pedir uma explicação, amaldiçoar Hunter Reid por sua crueldade.

Mas eu não podia.

As palavras ficaram presas na minha garganta, e meus pés se moveram antes que eu pudesse formular uma resposta.

Levantei-me, pernas rígidas enquanto caminhava até a porta. Meu aperto na maçaneta se intensificou até meus nós dos dedos ficarem brancos. Meu peito parecia que estava cedendo, minha respiração áspera enquanto eu mordia forte o lábio inferior para impedir que as lágrimas caíssem.

Não aqui. Não na frente dele.

Girei a maçaneta e entrei no corredor silencioso.

O ar parecia abafado e sufocante, e as luzes fluorescentes acima zumbiam levemente, lançando um brilho duro sobre tudo. Cada passo que eu dava parecia mais pesado que o anterior enquanto eu caminhava sem rumo, o mundo ao meu redor se desfocando.

Eu precisava sair. Eu precisava respirar.

De alguma forma, acabei no banheiro. Os azulejos brancos e as luzes zumbindo faziam o espaço parecer frio e estéril. Me arrastei até a pia, segurando a borda enquanto olhava meu reflexo.

Meu rosto estava vermelho, meus olhos brilhando com lágrimas não derramadas. Meu peito arfava, e minha respiração vinha em suspiros rasos e irregulares.

Não agora. Não aqui.

Congelei quando vozes abafadas chegaram do corredor, ficando mais altas. Alguém estava prestes a entrar.

O pânico me inundou, e eu corri para uma cabine, trancando a porta atrás de mim. Afundei no assento do vaso sanitário fechado, enterrando meu rosto nas mãos.

Todas as emoções que eu estava segurando me atingiram como uma onda. Meu peito doía enquanto eu tentava conter o pânico. Lágrimas quentes escorriam pelo meu rosto, incontroláveis e implacáveis.

O que eu ia fazer?

Esse trabalho era tudo—meu sustento. A única coisa que mantinha Caesar e eu de pé.

Olhei para o envelope amassado na minha mão. Meu “último pagamento.” Um riso amargo escapou de mim, abafado pelos meus lábios trêmulos. Não era nem metade do que eu precisava este mês.

Isso não podia estar acontecendo. Não agora. Não assim.

Engoli em seco, forçando-me a respirar. Caesar estaria acordando em breve. Ele não podia me ver assim. Ele precisava que eu fosse forte, mesmo que eu me sentisse desmoronando.

Uma voz aguda rompeu o silêncio.

“Você viu ela? Agindo como se fosse dona dele,” alguém disse, seu tom cortante.

Congelei, as lágrimas esquecidas enquanto eu me esforçava para ouvir.

“Ela é tão irritante. Não acredito que Hunter Reid tenha se interessado por ela,” outra voz se juntou, pingando descrença e despeito.

“É óbvio que ela se jogou em cima dele,” alguém debochou. “Todos sabem como a Charlotte é. Com tantos escândalos, ainda não entendo por que a Aurélia continua usando o rosto dela.”

“Por causa do rostinho bonito, claro,” uma quarta voz acrescentou, cheia de veneno. “Não é só isso que ela tem de conhecido?”

As risadas deles ecoavam nas paredes de azulejos, afiadas e cruéis.

Cada gargalhada parecia uma faca, cortando a frágil compostura que eu estava tentando tanto manter.

Mordi o lábio para manter a respiração silenciosa. Minhas unhas cravaram nas palmas das mãos enquanto a raiva e a humilhação ferviam dentro de mim.

Por que eu estava sentada aqui, escondida, ouvindo eles?

Minha mente voltou para Hunter Reid—sua frieza indiferente no corredor. Ele provavelmente estava lá fora aproveitando sua vida perfeita, rodeado de admiradores. Enquanto isso, eu estava aqui, em um banheiro, afundando na bagunça que ele criou.

As risadas foram diminuindo à medida que as vozes se afastavam, deixando-me sozinha em um silêncio sufocante.

Exalei tremulamente, encostando-me na porta de metal fria. A frustração e a impotência pesavam sobre mim como um peso enorme.

Eventualmente, fui para a lavanderia, o som da risada de César cortando minha névoa. Era uma tábua de salvação, puxando-me para fora do meu sofrimento.

Parei do lado de fora da porta, limpei o rosto e respirei fundo, tentando me acalmar.

“Mamãe!” A voz de César iluminou o ambiente quando entrei. Seu rostinho se abriu em um sorriso brilhante e, por um momento, o mundo não parecia tão pesado.

Blake, que estava sentada no chão com ele, olhou para cima e franziu a testa ao se levantar.

“Ei, por que demorou tanto? Eu estava começando a ficar preocupada,” ela disse, com um tom gentil, mas preocupado. “O que aconteceu?”

Não respondi. Não consegui. Passei por ela, indo para o meu armário. Minhas mãos tremiam enquanto eu o destrancava, pegando minhas coisas e enfiando-as na bolsa.

Blake me observava, sua preocupação aumentando.

“Celine,” ela disse suavemente, dando um passo mais perto. “Por que você está arrumando suas coisas? O que aconteceu?”

Finalmente, encontrei seu olhar, minhas lágrimas escorrendo apesar dos meus melhores esforços.

“Ele me demitiu,” eu engasguei.

Seus olhos se arregalaram de choque. “Oh… Celine, sinto muito.”

Ela me puxou para um abraço, e eu me permiti chorar em seu ombro.

Entre as lágrimas, meu olhar se voltou para César. Ele nos observava, seu rosto inocente cheio de curiosidade. Aquele olhar me quebrou novamente.

Não demorou muito para que eu me recompusesse. Minha bolsa estava arrumada, e eu estava pronta para ir embora.

“Então, o que você vai fazer agora?” Blake perguntou, a raiva fervendo em sua voz. “Não acredito que Hunter Reid possa ser tão mesquinho… aquele desgraçado sem coração! E pensar que eu tinha uma queda por ele—” Ela parou, fazendo uma careta.

“Desculpa.”

“Tudo bem,” eu disse, forçando um sorriso fraco. “Eu não deveria ter trazido o César para o trabalho em primeiro lugar.”

“Mas ainda assim!” ela retrucou. “Você sabe como é difícil encontrar um emprego hoje em dia? Especialmente com... bem, sua situação.”

Suas palavras doeram porque eu sabia que ela estava certa. Encontrar outro emprego não seria fácil.

Suspirei, colocando a bolsa no ombro. Ajoelhei-me na frente de César, passando os dedos pelo cabelo macio dele.

Ele sorriu para mim, e eu não pude deixar de retribuir, embora meu sorriso estivesse tingido de tristeza.

“Vamos, campeão,” eu disse suavemente. “Vamos embora.”

“Vamos para casa?” ele perguntou, sua fala um pouco enrolada, mas ainda compreensível.

“Sim, querido,” eu sussurrei, dando um beijo em sua testa.

“Vamos para casa.”

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